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sábado, 30 de abril de 2011

DESPEDIDAS
Affonso Romano de Sant'Anna

Começo a olhar as coisas
como quem, se despedindo, se surpreende
com a singularidade
que cada coisa tem
de ser e estar.

Um beija-flor no entardecer desta montanha
a meio metro de mim, tão íntimo,
essas flores às quatro horas da tarde, tão cúmplices,
a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas
daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas
quanto mais habito a noite!

Nada mais é gratuito, tudo é ritual
Começo a amar as coisas
com o desprendimento que só têm
os que amando tudo o que perderam
já não mentem.

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Leia mais do autor > A Voz da Poesia
Imagem da Internet, via Google, sem ident. do autor

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

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                                 imagem sem identicação de autoria

SILÊNCIO AMOROSO I
Affonso Romano de Sant'Anna

Deixa que eu te ame em silêncio
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toquem, e as bocas
e a pele
falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se o amor e a vida
fosse um discurso
de impronunciáveis emoções.

 
Leia mais Affonso Romano de Sant’Anna
na VOZ DA POESIA

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Carrie_Graber_let's_dance
                                Carrie Graber

LIMITES DO AMOR
Affonso Romano de Sant'Anna

Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeça de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.

O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:

- ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.

sábado, 27 de junho de 2009

 escrevendo_poemas 
                                      imagem da internet via Google


ARTE-FINAL
Affonso Romano de Sant’Anna

Não basta um grande amor
para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
que o amor da gente.
O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.
Uma coisa é a letra,
e outra o ato,
quem toma uma por outra
confunde e mente.

LEIA  MAIS DE AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA
http://www.avozdapoesia.com.br/affonsoromano

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