10/09/2018
A sua bênção, minha mãe! Amor Infinito🙏 ❤️💙💜
Este vídeo é para uma Professora muito amada!
Feliz Aniversário, Rita de Cássia!
Nós - eu e a poesia - amamos você!
ORAÇÃO À YEMANJÁ
Vós permitistes que no seio de vossa morada se formassem as primitivas formas de vida, que formam o berço de toda a criação, de toda a natureza, e de toda a humanidade, aceitai nossas preces de reconhecimento e amor.
Oh! Visão divina e celestial.
Que os lampejos que emanam de vosso diáfano manto de estrelas venham, como benéficas vibrações espirituais, aliviar os nossos males, curar aos doentes, apaziguar os nossos irmãos irados, consolar os corações aflitos.
Que as flores e oferendas que depositamos em vosso tapete sagrado, sejam por vós aceitas e quando entrarmos nas águas para vos ofertá-las sejam as ondas do mar portadoras de vossos fluidos divinos.
Fazei, Senhora rainha das águas, com que a espuma das ondas em sua alvura imaculada traga-nos a presença de Oxalá, limpe os nossos corações de todas as maldades e mal querências.
Que os nossos corpos, tocados por vossas águas sagradas, libertem-se em cada onda que passa, de todos os males matérias e espirituais.
Que a primeira onda a nos tocar afaste de nossas mentes todos os eventuais desejos de vingança.
Que a segunda onda lave nossos corações e nosso espírito, para que não atinjam as infâmias e mal querência de nossos desafetos.
Que a terceira onda afaste a vaidade de nossos corações.
Que a quarta onda lave nosso corpo de todos os males e doenças físicas para que, sadios, possamos prosseguir.
Que a quinta onda afaste de nossa mente a ganância e a cobiça.
Que a sexta onda venha carregada de flores e que nosso maior desejo seja o de cultivar o amor fraternal que deve existir entre todos os homens.
E que ao passar a sétima onda, nós, puros e limpos de mente, corpo e alma, possamos ver, ainda que apenas por alguns segundos o esplendor de vossa radiosa imagem.
É o que humildemente vos suplicam seus filhos.
Parabéns a todos os Professores do Brasil!
MANDAR E ENSINAR ATRAVÉS DO EXEMPLO
Manuel Bernardes
Não há modo de mandar, ou ensinar mais forte, e suave, do que o exemplo: persuade sem retórica, impele sem violência, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas. Pelo contrário, fazer uma coisa, e mandar, ou aconselhar outra, é querer endireitar a sombra da vara torcida.
In Luz e Calor
Fonte >> DAQUI
Aproveito para homenagear a minha primeira professora RUTH RAMOS DE SOUZA!
Que me ensinou mais do que ler e escrever… Com e por ela aprendi a respeitar, valorizar e amar aqueles que fazem dessa profissão um sacerdócio.
À minha primeira professora, uma rosa com amor
O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Mas poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil.
No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.
Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".
Fonte do texto >> AQUI
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Aniversário do meu irmão, só que não ganha presente hoje, porque todos os dias ele é presenteado com essa maravilha dada por Deus.
Desejo que tenha saúde e paz para desfrutar desse presente por toda a sua vida.
Cahoeira 3 Pancadas (Pancada Grande), Ituberá-Ba.
Imagens da Internet, sem id. de autoria, by Google
Vídeo >> DAQUI
Mas. como de poeta tenho apenas a alma inquieta, não vou dizer mais do que umas quatro palavrinhas, Professora Rita de Cássia:
Obrigada por você existir!…
E é pra você
este vídeo,
esta música e
este meu carinho!
POR ONDE ANDA A ALMA INQUIETA DO POETA?
Letra: Gujo Teixeira
Música: Marcello Caminha
Intérprete: Miguel Marques
Por onde anda a alma inquieta do poeta?
Que nos deixou, cantando versos de saudade
Talvez buscando um rumo nas estradas que criou
Ou procurando algum amor da mocidade
A sombra grande dos teus versos ainda vejo
Pousada mansa, nos meus livros da estante
Ao mesmo tempo que eu a tenho assim nas mãos
Abrem suas asas, pra voarem tão distante
Só quem já teve madrugadas pela cara
Dessas que os galos acordavam no cantar
Sabe que a alma de um poeta tem estrelas
E versos claros que por si sabem falar
Por onde anda a alma inquieta do poeta
Que cantou versos pra saudade dos amigos?
Talvez andeje pelo céu que ela merece
E eu bem queria, que ela andasse aqui comigo
Quem sabe ande numa tropa estrada à fora
Ou ronde mansa algum silencio
Quem sabe ande pelas tintas das canetas
Que esboçam versos, pela angustia de uma espera
É um desafio trazer meu canto assim pequeno
Sombra miúda que ante as frondes que expande
E que tua “luz” alem da herança, nos deixou
Uma estrelita, junto ao céu deste rio grande
Fonte do vídeo
Feliz Aniversário!
Neste vídeo um afago para o seu coração…
Fonte aqui
Um verso e um chorinho
Música e letra de Hardy Guedes
Intérprete: Luciane Antunes
Pintura de Leonid Afremov
COM FIOS DE AMOR
Ana Cláudia Saldanha Jácomo
Era saudade, sim, eu pude dar nome quando tocou o meu instante com mãos de surpresa e me convidou pra sentir. Eu deixei que crescesse, que expandisse seus ramos, que florisse com calma, sem tentar adiá-la ou entretê-la, essas coisas que às vezes a gente tenta fazer com saudade que machuca, e vez ou outra até consegue. Mas aquela, eu pressenti pela melodia do perfume que emanava, aquela não tinha a mínima intenção de ferir. Aquela não saberia, ainda que tentasse. Aquela, eu sei, não tentaria.
Não era daquelas saudades que fazem a musculatura da vida ficar toda contraída de dor. Daquelas que amordaçam as flores e espantam as borboletas. Daquelas que engasgam o canto e fazem as asas encolherem. Daquelas traiçoeiras que, na primeira oportunidade, quebram as pontas dos nossos lápis de cor. Daquelas que escondem os brinquedos da gente nas prateleiras mais altas e, por via das dúvidas, encurtam os braços do nosso contentamento. Daquelas que inflam nuvens que depois inundam tudo de carência e de tristeza. Não, aquela não.
Aquela era uma saudade feita de um punhado de sorrisos viçosos floridos no jardim da memória. Era pássaro que cantava macio na árvore mais frondosa da minha gratidão. Era mar que estendia ondas suaves de ternura por toda a orla dos meus olhos. Aquela era dessas saudades que toda vez que dizem acendem um mundaréu de estrelas no céu do coração. Era uma certeza de que a vida sempre arruma maneiras para aproximar as almas irmãs, esses anjos vestidos de gente que tornam mais fácil e mais feliz a nossa temporada de aulas e recreios nesse mundo.
Aquela era dessas saudades bem-vindas que trazem também descanso e alegria na sua cesta de bênçãos. Era dessas saudades que derrubam cercas e desenham pontes. Era dessas saudades que desembrulham lembranças que deixam o instante da gente todo perfumado de Deus. Aquela era dessas saudades generosas que bordam sol no tecido da alma com os seus lindos fios de amor.
Para ouvir:
Renato Russo completaria 50 anos de idade hoje, 27/03
Dizer que Renato Russo está vivo até hoje na memória de milhões de brasileiros é tão óbvio quanto ouvir uma música dele, cantarolar e relembrar de alguma época da vida. Nascido em 27 de março de 1960, o eterno líder da Legião Urbana completaria 50 anos de idade neste sábado. Renato liderou um dos maiores movimentos musicais do Brasil e ajudou a dar cara ao rock nacional com sua atitude por meio de suas letras e poesia. Leia mais >> AQUI
Amizade é quando você encontra uma pessoa que olha na mesma direção que você, compartilha a vida contigo e te respeita como você é.
Uma pessoa com a qual você não precisa ter segredos e que goste até dos teus defeitos. Basicamente, é aquela pessoa com quem você quer compartilhar os bons momentos e os maus, também. (Renato Russo,1995)
A sua música, Poeta!
E a minha!
Metal Contra as Nuvens
(Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá)
I
Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor e tenho
E temo o que agora se desfaz.
Viajamos Sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.
Reconheço o meu pesar:
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.
Minha terra
É a terra que é minha
E sempre ser
Minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre ter
II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo.
Mas vou aguardar o meu tesouro
Caso você esteja mentido
Olha o sopro do dragão.
III
É a verdade o que assombra,
O descaso o que condena,
A estupidez o que destrói.
Eu vejo tudo o que se foi
E o que não existe mais.
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra de ninguém
E sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos
Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.
IV
Tudo passa, tudo passar
E nossa estória, não estar
Pelo avesso assim
Sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá vamos viver
Temos muito ainda por fazer.
Não olhe para trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos.
Sereníssima
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá
Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.
“Entre a parede e a espada, me atiro contra a espada.”
(Elis Regina)
Comigo é simples, eu divido tudo: minhas roupas, meus amigos... Mas o meu palco, esse não divido.
(Elis Regina)
Elis hoje estaria completando 65 anos.
Elis Regina Carvalho Costa (Porto Alegre, 17 de março de 1945 – São Paulo, 19 de janeiro de 1982) É considerada por boa parcela de músicos e público como uma das maiores cantoras de todos os tempos da MPB.
De morte trágica e prematura, deixou vasta e brilhante obra na música popular brasileira.
Foi apelidada por Vinícius de Moraes de Pimentinha.
Elis é mãe de João Marcelo Bôscoli, filho do casamento com o músico Ronaldo Bôscoli, e de Pedro Camargo Mariano e Maria Rita, filhos do pianista César Camargo Mariano. Os três enveredaram pelo ramo da música.
Dona Ercy, filha de imigrantes portugueses, cristãos novos, donos de mercearia no extremo sul do Brasil. Encontrou um Romeu brasileiro, filho de brasileiros, com cara de índio, caladão, emprego seguro numa fábrica de vidros. Foram morar no bairro de Navegantes, em Porto Alegre, numa casa de madeira, quintal de terra batida.
A filha do casal nasceu estrábica e deve o nome Elis a uma amiga de dona Ercy. O Regina vem de uma exigência legal. Na burocracia da época, as crianças não podiam ser batizadas com nomes que tanto serviam para meninos como para meninas. Já prevendo que não pudesse batizar sua menina apenas Elis, dona Ercy mandou um Regina de reserva.
Elis Regina Carvalho Costa, 17 de março de 1945, parto normal feito pela parteira Conceição e pela enfermeira Marlene no Hospital Beneficência Portuguesa, Porto Alegre. Um sábado, às três e dez da tarde.
Na casa dos Carvalho Costa, o rádio tocava a música do Brasil, pela Nacional, do Rio, e a música da Argentina, pelas ondas da Rádio Belgrano, de Buenos Aires. Aos domingos, quando se reuniam na casa da avó Ana, mãe de dona Ercy, a família costumava fazer barulho na mesa. Cantar alto, gargalhar. A pequena Elis cantava Adiós, pampa mia do começo ao fim, sem desafinar, sem errar a letra. E foi num desses domingos que a avó Ana teve um estalo: “Por que não levam essa guria ao Clube do Guri?”. Clube do Guri, programa infantil transmitido pela Rádio Farroupilha, sempre aos domingos. Elis tinha 7 anos quando enfrentou seu primeiro microfone. Foi um choque para a menina tímida, que costumava falar sozinha, encarar uma platéia estranha de auditório de rádio. O diretor do programa, Ary Rego, pediu que ela falasse alguma coisa. Nada, Elis ficou muda. Pediu que cantasse. Silêncio no ar. Dona Ercy, já nervosíssima, ajudava a pressionar Elis: “Canta, minha filha”. Ela, nada. Limitava-se a roer as unhas encobertas pelas luvas brancas. Voltou para casa calada, com dona Ercy nas orelhas. “Isso não é papel que se faça.” Cinco anos se passaram até Elis Regina ter coragem de pedir uma nova chance.
Diálogo entre mãe e filha na Porto Alegre de 1956: "Mãe, tu me leva ao Clube do Guri?"
"O que é que tu vai fazer lá?"
"Vou cantar."
"Cantar? Tá louca, pensa que tenho tempo para perder?"
No domingo seguinte, dona Ercy pegou Elis e mais duas amigas e lá se foram todas para a Rádio Farroupilha. Mesmo não conseguindo se inscrever nesse domingo, Elis voltou na semana seguinte e cantou. Por mais que se esforce, dona Ercy não consegue lembrar qual foi a música de estréia de Elis. Sabe que era do repertório de Ângela Maria e não confirma a versão contada por Elis, anos mais tarde, de que cantou Lábios de Mel. Foi uma sensação no Clube do Guri. Elis, de cara, desbancou a favorita do auditório. Cinco anos depois do desastre da primeira tentativa, Elis dava o troco. O primeiro de uma série.
Cantora aos onze anos de idade
Sobre o começo da carreira de Elis e a disputa entre quem de fato a lançou, o produtor Walter Silva disse à Folha de S. Paulo: “Poucas pessoas sabem quem realmente descobriu Elis. Foi um vendedor da gravadora Continental chamado Wilson Rodrigues Poso, que a ouviu cantando menina, aos quinze anos, em Porto Alegre. Ele sugeriu à Continental que a contratasse, e em 1962 saiu o disco dela. Levei Elis ao meu programa, fui o primeiro a tocar seu disco no rádio. Naquele dia eu disse: Menina, você vai ser a maior cantora do Brasil. Está gravado.”
Década de 1960, surge uma estrela
Em 1960 foi contratada pela Rádio Gaúcha, e em 1961 viajou ao Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro disco, Viva a Brotolândia. Lançou ainda mais três discos, enquanto morava no Rio Grande do Sul.
Em 1964, um ano com a agenda lotada de espetáculos no eixo Rio-São Paulo, assinou um contrato com a TV Rio para participar do programa Noites de Gala; é levada por Dom Um Romão para o Beco das Garrafas sob a direção da dupla Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, com os quais ainda realizaria diversas parcerias, e um casamento com Bôscoli em 1967. Acompanhada agora pelo grupo Copa trio, de Dom Um, canta no Beco das Garrafas, o reduto onde nasceu a bossa nova, e conhece o coreógrafo americano Lennie Dale, que a ensinou a mexer o corpo para cantar, tirando aquele nado que ela tinha com os braços.
Participa do espetáculo Fino da Bossa organizado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, que ficou conhecido também como Primeiro Demti-Samba, dirigido por Walter Silva, no Teatro Paramount, atual Teatro Abril (São Paulo). Ao final do mesmo ano (1964) conhece o produtor Solano Ribeiro, idealizador e executor dos festivais de MPB da TV Record. Um ano glorioso, que ainda traria a proposta de apresentar o programa O Fino da Bossa, ao lado de Jair Rodrigues. O programa, gravado a partir dos espetáculos e dirigido por Walter Silva, ficou no ar até 1967 (TV Record, Canal 7, SP) e originou três discos de grande sucesso: um deles, Dois na Bossa, foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias. Seria dela agora o maior cachê do show business.
No final de 1967, Elis Regina e Ronaldo Bôscoli surpreenderam o mundo artístico com a bomba: iam casar.
Quando Ronaldo Bôscoli conheceu Elis Regina, ela estava apaixonada por Edu Lobo, o compositor que com ela iria dar a grande virada na música popular. Ele tem uma boa memória: "Ela ia toda hora ao telefone e se exibia demais para mim: 'Posso falar um instantinho no telefone, seu diretor?' E falava com o Edu".
Arquiinimigos no passado, Elis Regina e Ronaldo Bôscoli, uma união que muitos julgavam impossível.
O Jornal da Tarde, na edição de 7 de dezembro, em matéria não assinada, com o título "Um compositor levou Elis Regina" descreveu assim o casamento civil de Elis e Bôscoli: "O casamento civil de Elis Regina com Ronaldo Bôscoli foi muito simples e durou quatro minutos contados no relógio redondo da parede. O que durou mais foi a impaciência dos noivos, porque um dos padrinhos "o casal Paulo Machado de Carvalho Filho" só chegou às cinco e meia. O juiz já havia chegado, e o casamento estava marcado para as quatro e meia. A manequim Vera Barreto Leite, madrinha do noivo, não apareceu porque teve de filmar. Horas antes, foi substituída pela sra. Wanda Sá.
Bôscoli tinha 38 anos quando se casou com Elis. Ela, 22.
“Era uma relação perigosamente deliciosa. Voava tudo pelos ares e, de repente, estávamos nos agarrando de paixão. Fazíamos coisas estranhas e bonitas.”
Ronaldo Bôscoli
Um novo parceiro na vida e na profissão: o pianista e arranjador César Camargo Mariano
O romance com César Mariano já tinha virado casamento. Elis permitiu-se interromper o ciclo das brigas frontais e viveu um pouco de paz. Era um momento de amor e um encontro musical que mudaria mais uma vez os rumos da carreira dela e de César. A sensibilidade musical de César Mariano criaria para ela arranjos belíssimos e abriria a possibilidade de uma harmonia perfeita e profunda entre a casa e o trabalho.
Elis e Tom
O encontro Elis e Tom foi para comemorar os dez anos dela na gravadora Philips. Era seu 14o LP.
Los Angeles, fevereiro, 74: gravação de um LP histórico: Elis e Tom.
Elis, mulher e mãe
A mãezona Elis brinca com o primeiro filho, João Marcelo, de seu casamento com Bôscoli.
Julho de 77: grávida de sete meses (Maria Rita), cantando no Anhembi.
Anos de chumbo
Elis Regina criticou muitas vezes a ditadura brasileira, nos difíceis Anos de chumbo, quando muitos músicos foram perseguidos e exilados. A crítica tornava-se pública em meio às declarações ou nas canções que interpretava. Em entrevista, no ano de 1969, teria afirmado que o Brasil era governado por gorilas (há ainda controvérsias em relação a essa declaração. Existem arquivos dos próprios militares onde ela se justifica dizendo que isso foi criado por jornalistas sensacionalistas). A popularidade a manteve fora da prisão, mas foi obrigada pelas autoridades a cantar o Hino Nacional durante um espetáculo em um estádio, fato que despertou a ira da esquerda brasileira.
Sempre engajada politicamente, Elis participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, com voz ativa da campanha pela Anistia de exilados brasileiros. O despertar de uma postura artística engajada e com excelente repercussão acompanharia toda a carreira, sendo enfatizada por interpretações consagradas de O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), a qual vibrava como o hino da anistia. A canção coroou a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979. Um deles, citado na canção, era o irmão do Henfil, o Betinho, importante sociólogo brasileiro.
Outra questão importante se refere ao direito dos músicos brasileiros, polêmica que Elis encabeçou, participando de muitas reuniões em Brasília. Além disso, foi presidente da Assim, Associação de Intérpretes e de Músicos.
Últimos Momentos
Causando grande comoção nacional, faleceu aos 36 anos de idade em 19 de janeiro de 1982, devido a complicações decorrentes de uma overdose de cocaína, tranquilizantes e bebida alcoólica. Foi sepultada no Cemitério do Morumbi.
Choram Marias e Clarices… Chora a nossa pátria mãe gentil. Em busca de um sol maior, Elis Regina embarcou num brilhante trem azul, deixando conosco a eternidade de seu canto pelas coisas e pela gente de nossa terra. E uma imensa saudade.
Essa é a pedido da Professora Rita de Cássia, e que ofereço também a Rose Nakamura e a seu filho Shinji, que estão lá no Japão… E esta música faz parte de uma passagem da vida deles. Beijos pros dois ;)
Fonte:
Furacão Elis, Regina Echeverria
Wikipédia
Youtube
A Casa Fernando Pessoa e O Instituto Moreira Salles, em parceria, homenagearam no dia 8 de março, no Centro Cultural do Rio, a cantora Maria Bethânia e a professora Cleonice Berardinelli. Elas foram condecoradas com a Ordem do Desassossego, nome do título dedicado a quem divulga a obra de Fernando Pessoa.
O prêmio, destinado a homenagear aqueles que divulgaram a obra do escritor português, foi atribuído pela primeira vez, sendo o Brasil escolhido para essa inauguração, na pessoa dessas duas mulheres.
Maria Bethânia gravou em 1971 o disco “Rosas dos Ventos”, e em 1972 o álbum “Drama”, incluindo poemas de Fernando Pessoa.
Também declama em seus shows poemas de Fernando Pessoa e outros poetas. “Só canto o que quero, com quem quero, como quero e quando quero. Nunca entendi nenhum movimento, porque não tenho paciência, não posso jamais ser uma cantora de bossa nova, uma cantora de protesto, uma cantora tropicalista. Como cada dia eu quero cantar uma coisa, prefiro não me ligar à nada e a ninguém, para poder cantar o que o meu coração mandar".
(site oficial)
Cleonice Berardinelli é professora universitária, especialista em Camões e Fernando Pessoa.
Graduada em Letras Neolatinas pela Universidade de São Paulo (1938) e livre docente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1959) com uma dissertação intitulada Poesia e Poética de Fernando Pessoa.
É acadêmica correspondente brasileira da Academia das Ciências de Lisboa, Classe de Letras, desde 27 de Novembro de 1975.
No dia 16 de Dezembro de 2009 foi eleita para ocupar a cadeira de número 8 na Academia Brasileira de Letras.
(Wikipédia)
Fontes:
• Instituto Moreira Salles
• Cultura Brasil - Portugal
Na semana da Mulher uma homenagem especial às poetisas.
ADALGISA NERY
Poetisa, jornalista e política
Nasceu: 29/10/1905
No Rio de Janeiro
Faleceu: 07/06/1980
Mov. Lit.: Modernismo
Na Voz da Poesia
Uma mulher fascinante, musa de toda uma geração, Adalgisa Nery despertou muitas paixões e algumas inimizades, teve uma infância triste e dois casamentos conturbados, com Ismael Nery e Lourival Fontes.
Autora de poemas, contos, crônicas e romances, Adalgisa teve seus dias de glória. Viúva aos 29 anos e dona de um perfil de mulher fatal, consta que ela destroçava corações. "Acho que todos nós a amávamos, mesmo sem saber que se tratava de amor", escreveu Carlos Drummond de Andrade após a morte dela.
(Fonte: A Voz da Poesia)
POEMA DA AMANTE
Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.
In Poemas,1937
ADÉLIA PRADO
Poetisa e escritora
Nasceu: 13/12/1935
Em Divinópolis -MG
Mov. Lit.: Contemporâneo
Adélia costuma dizer que o cotidiano é a própria condição da literatura. Morando na pequena Divinópolis, estão em sua prosa e em sua poesia temas recorrentes da vida de província, a moça que arruma a cozinha, a missa, um certo cheiro do mato, vizinhos, a gente de lá.
"Alguns personagens de poemas são vazados de pessoas da minha cidade, mas espero estejam transvazados no poema, nimbados de realidade. É pretensioso? Mas a poesia não é a revelação do real? Eu só tenho o cotidiano e meu sentimento dele. Não sei de alguém que tenha mais. O cotidiano em Divinópolis é igual ao de Hong-Kong, só que vivido em português."
(Fonte: A Voz da Poesia)
O AMOR NO ÉTER
Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniços na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo
e a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escavar-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.
ALFONSINA STORNI
Poetisa, atriz e professora
Nasceu: 29/05/1892
Em Sala Capriasca, Suíça
Nac.: Argentina
Faleceu: 25/10/1938
Alfonsina está entre as inúmeras mulheres espalhadas pelo mundo durante a Belle Epoque que saíram das sombras para abalar as estruturas de sociedades inteiras.
Neste período várias escritoras surgiram pelo continente latino americano, quebrando com os mitos culturais que rodeavam a aura feminina e libertando a natureza humana que havia sido aprisionada dentro da alma das mulheres.
Através de seus versos começaram a enraizar na sociedade idéias para combater a opressão, ajudando a desenvolver uma consciência coletiva na qual a mulher deveria libertar tudo o que em sua alma estava aprisionado durante séculos e mostrar para a sociedade o que era e o que realmente queria uma mulher.
Em 1938, três dias antes de se suicidar, envia de um hotel de Mar del Plata para um jornal, o soneto “Voy a Dormir”. Consta que suicidou-se andando para dentro do mar — o que foi poeticamente registrado na canção "Alfonsina y el mar", de Ariel Ramírez e Félix Luna (gravada por Mercedes Sosa, Simone, entre outros). Ouça AQUI
A CARÍCIA PERDIDA
Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos… No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará… andará…
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?
ANA CRISTINA CESAR
poeta, tradutora e ensaísta
Nasceu: 02/06/1952
Rio de Janeiro – RJ
Faleceu em 29/10/1983
Mov. Lit.: Contemporâneo
Ela era inquieta, lúcida, bonita. Sedutora e literária sempre, da fala ao gesto irreverente ou delicado.
Sua morte, prematura e voluntária, aos 31 anos, em 1983, legou aos contemporâneos uma perplexidade incômoda e uma obra dispersa que ainda assombra.
Dona de uma literatura de imagens e referências sofisticadas - tramada em sutilezas e armadilhas que por isso mesmo a diferenciam da chamada poesia marginal em que germinou.
Seus últimos versos refletem bem a angústia que vivia: "Estou muito compenetrada de meu pânico/ lá dentro tomando medidas preventivas”.
Ana Cristina César suicidou-se no dia 29 de outubro de 1983. Tinha 31 anos.
(Fonte: A Voz da Poesia)
FAGULHA
Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando
Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
CECÍLIA MEIRELES
Poetisa, professora e jornalista
Nasceu: 07/11/1901
Cidade: Rio de Janeiro - RJ
Mov. Lit.: Modernismo
Faleceu: 09/11/1964
Considerada pela crítica a mais alta personalidade feminina da poesia brasileira e um dos maiores nomes de nossa literatura, em qualquer época, sem distinções preconceituosas de sexos, Cecília Meireles deixou uma obra poética longa, intensa e perturbadora. Foram quase trinta livros de versos, um roteiro que se inicia sob a influência parnasiana e simbolista, se depura numa luta permanente pela expressão pessoal, até atingir aquela altitude para a qual quaisquer definições são inconsistentes: a poesia pura.
Tendo feito aos 9 anos sua primeira poesia, estreou em 1919 com o livro de poemas Espectros, escrito aos 16 anos.
"Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar.
Fonte: A Voz da Poesia
A MULHER E A TARDE
O denso lago e a terra de ouro:
até hoje penso nessa luz vermelha
envolvendo a tarde de um lado e de outro.
E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
e em nuvens beijando os azuis e os roxos.
Perguntava a sombra: “Quem há pelo teu rosto?”
“Que há pelos teus olhos?” – a água perguntava.
E eu pisando a estrada, e eu pisando a estrada,
vendo o lago denso, vendo a terra de ouro,
com pingos de chuva numa luz vermelha…
E eu não respondendo nada.
Sonho muito, falo pouco.
Tudo são riscos de louco
e estrelas da madrugada…
In Vaga Música, 1942

DENISE EMMER
Poeta, compositora, cantora, violoncelista e escritora.
Rio de Janeiro - RJ
Filha dos escritores Janete Clair e Dias Gomes, tornou-se primeiramente conhecida por temas musicais compostos para personagens das telenovelas, tais como "Pelas muralhas da adolescência", Bandeira 2, e "Alouette", Pai Herói, "Companheiros", Sinhá Moça, entre outros, alcançando depois, reconhecimento pela sua vasta e premiada produção poética.
É violoncelista da Orquestra Rio Camerata.
A poesia de Denise Emmer pode ser tida como um exemplo de obra que, mesmo antes do julgamento implacável do tempo histórico, irá se inscrever no cânone dos grandes poetas brasileiros. São poucos os autores dos quais podemos fazer tal ilação extemporânea, afirmando-a a partir, não da subjetividade do gosto, mas da análise do conjunto da própria obra em questão.
Prêmio ABL de Poesia 2009
Em maio, Denise ganhou o prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras com o livro "Lampadário", publicado pela 7Letras.
(Fonte: A Voz da Poesia)
O BEIJO
Levou-me sem feitas frases
Somente passo e camisa
Roubou-me um beijo de brisa
Na quadratura da tarde
Jogou-me contra a parede
Rasgou-me a blusa de linho
Roubou-me um beijo de vinho
Diante das aves vesgas
Puxou-me para seu fundo
Rompeu a rosa pirâmide
Roubou-me um beijo de sangue
E bateu asas no mundo.
FERNANDA DE CASTRO
Romancista, poeta e conferencista
Nasceu: 8/12/1900 - Lisboa - Portugal
Faleceu em 19/12/1994
Na Voz da Poesia
Conferencista, declamadora de poesia, dramaturga, poetisa, ficcionista, autora de guiões cinematográficos, casada com o escritor António Ferro e mãe do escritor António Quadros, viveu na Guiné até aos 12 anos e terminou os estudos liceais em Lisboa.
O escritor David Mourão-Ferreira, durante as comemorações dos cinquenta anos de atividade literária de Fernanda de Castro disse: “Ela foi a primeira, neste país de musas sorumbáticas e de poetas tristes, a demonstrar que o riso e a alegria também são formas de inspiração, que uma gargalhada pode estalar no tecido de um poema, que o Sol ao meio-dia, olhado de frente, não é um motivo menos nobre do que a Lua à meia-noite”.
Parte da vida de Fernanda de Castro, foi dedicada à infância, tendo sido a fundadora da Associação Nacional de Parques Infantis, associação na qual teve o cargo de presidente.
Como escritora, dedicou-se à tradução de peças de teatro, a escrever poesia, romances, ficção e teatro.
Foi juntamente com o marido e outros, fundadora da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.
(Fonte: A Voz da Poesia)
ASA NO ESPAÇO
Asa no espaço, vai pensamento!
Na noite azul, minha alma, flutua!
Quero voar no braços do vento,
quero vogar nos barcos da Lua!
Vai, minha alma, branco veleiro,
vai sem destino, a bússola tonta.
Por oceanos de nevoeiro,
corre o impossível, de ponta a ponta.
Quebra a gaiola, pássaro louco!
Não mais fronteiras, foge de mim,
que a terra é curta, que o mar é pouco,
que tudo é perto, princípio e fim.
Castelos fluidos, jardins de espuma,
ilhas de gelo, névoas, cristais,
palácios de ondas, terras de bruma,
asa, mais alto, mais alto, mais!
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
poeta, contista
Nasceu: 06/11/1919
Porto - Portugal
Faleceu: 02/07/2004
Na Voz da Poesia
Nascida no Porto, de origem dinamarquesa pelo lado paterno e educada num meio aristocrático, esteve muito cedo ligada à luta antifascista e, a seguir ao 25 de Abril, foi deputada à Assembleia Constituinte. Os seus principais poemas de resistência política foram reunidos na antologia Grades (1970), sem prejuízo da aspiração à liberdade e à justiça impregnarem toda a sua obra, como uma ética poética que lhe fosse natural. Viu a sua carreira consagrada com o Prémio Camões, em 1999.
"Recordo-me de descobrir que num poema era preciso que cada palavra fosse necessária, as palavras não podem ser decorativas, não podiam servir só para ganhar tempo até ao fim do decassílabo, as palavras tinham que estar ali porque eram absolutamente indispensáveis".
A extensa obra que nos legou reparte-se pelos domínios da poesia, da ficção, do conto para crianças, do ensaio, do teatro e tradução (com magníficas versões de textos de Eurípides, Shakespeare, Claudel e Dante).
(Fonte: A Voz da Poesia)
PORQUE
Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos calados
Onde germina calada podridão
Porque os outros se calam mas tu não
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.
Muitas outras poetisas merecem estar neste post, mas escolhi estas para representar todas elas. Convido-os a conhecê-las no site A Voz da Poesia.
EXTRAÍDOS DO SITE WWW.AVOZDAPOESIA.COM.BR
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