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domingo, 4 de janeiro de 2009
ouvindo_mar


DIÁFANO
Rita Costa

Não é preciso que me demore.
Basta um simples olhar furtivo
para que eu veja nos teus olhos
o fulgor das noites sedentas
que o tempo nos concedeu.

Mas se me demoro neles,
vejo um universo em expansão,
onde nasceram as certezas
que deram sentido afetivo às palavras
e nos guiaram por emoções.

Tudo posso ler no teu olhar.
Reconheço nele cada verso…
há um brilho de poesia primitiva
e o sorriso, de quando eles
cruzaram com os meus... um dia.


Imagem da Internet, pelo Google
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
flor_deserto_9
Imagem Google


VENTURA
Rita Costa

Vi flores nascerem em pedras   
quando não mais descia a rua,
levitando na sombra das nuvens,
muito tempo após
rodopiar entre borboletas.
Outra vez me vejo atenta…
sinto cheiro de terra molhada,
ouço a melodia da chuva
quando de encontro
ao parapeito e à janela.
Medito… no transparente voal,
fronteira insegura dos sentidos,
que frágil, balançando na brisa,
revela ao meu olhar o horizonte.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008
fall_sunshine

LEVEZA
Rita Costa

Hoje, vejo-me caminhando
de mãos dadas com a vida.
E, em um pequeno trajeto,
se me lembro das escolhas,
percebo-me desvendando
das folhas, as cores e enigmas.
Deixo rastros de flores no ar.

Ah! Mas quanta ousadia
andar assim…
pisando em poesias.


imagem: Charles Courtney Curran 
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