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segunda-feira, 11 de março de 2019
O VENTO
Dora Ferreira da Silva


Na palma do vento
pouso a fronte. Nele confio.
A quem confiaria senão a ele
este rude labor?

Abandono-me à tormenta
(lumes mastros
gaivotas do mar próximo).

Enreda-me a noite.
Mas dele são os dedos leves
que me fecham os olhos. E é manhã.

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In: Jardins (Esconderijos), 1979
Arte: Ronny (photographer)

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terça-feira, 9 de junho de 2009
 Steven_Quartlymorning-glance
                               Imagem: Steven Quartly

NASCIMENTO DO POEMA
Dora Ferreira da Silva 

É preciso que venha de longe
do vento mais antigo
ou da morte
é preciso que venha impreciso
inesperado como a rosa
ou como o riso
o poema inecessário.
É preciso que ferido de amor
entre pombos
ou nas mansas colinas
que o ódio afaga
ele venha
sob o látego da insônia
morto e preservado.
E então desperta
para o rito da forma
lúcida
tranqüila:
senhor do duplo reino
coroado
de sóis e luas.
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