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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019


NÃO QUERO OUTRO AMOR
Castro Alves


Eu não quero outro amor; não quer a abelha
Um novo cetro se o primeiro cai;
Iramaia viúva nos desertos,
Peregrina chorando - a morte atrai.


Eu não quero outro amor; sou como o cervo
Que a raiz encontrou no jibatã;
Ali se abriga na floresta escura,
Lá viu-o a noite, e vê-lo-á a manhã.


Eu não quero outro amor; não quer a paca
Mais de um caminho, procurando o rio,
Ali a espera o caçador malvado,
Ali ferida, soluçou, caiu.


Eu não quero outro amor - sou como o índio
Que caminha buscando o Taracuá:
Afeito ao fogo da escolhida planta
Vai andando e rejeita o Biribá.


Eu não quero outro amor - não quer a planta
Outra seiva, outro sol, estranho chão:
Não cresce longe, mas definha e prende
Amando o sol que encubara o grão.


Eu não quero outro amor; sou como a seta
Que num vôo somente corta o ar;
Se perde o golpe tomba logo inerte
Entra o índio sem caça o tijupar.


Eu a vítima fui da seta ervada,
De plumas verdes, venenoso fio;
Mas não quero outro amor, ajoelho e beijo
O pó da campa que este amor abriu.


Porque eu sou como a abelha que rejeita
Um novo cetro se o primeiro cai;
Iramaia perdida nos desertos
Peregrina, chorando a morte atrai.




quarta-feira, 21 de março de 2012

Leonid_Afremov_autumm

MOÇAS OUTONAIS
Anderson Cnristofoletti

No outono a luz morna da aurora delineia as folhas
ruivas e as copas das árvores se entreabrem
revelando novas cores e horizontes.
No outono os arrebóis são mais passionais; as
paixões, mais promissoras;
O pôr-do-sol é um capítulo à parte: vertiginosos
dourados que dessangram azuis numa tela viva de
Monet.
As moças - então outonais - passam corn seus
vestidos longos e deixam escorrer um perfume de
cravo e canela quando sorriem.
É a estação na qual as janelas estão sempre
abertas e os olhos sempre procuram outros olhos.
O outono, definitivamente, é a estação dos versos
silentes, das belezas tácitas e da compreensão
inefável das coisas.
hummingbirdredrose[1]
©Anderson Christofoletti
In Da Poesia à Poesia Inexistente
Imagem: Leonid Afremov

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

'Um belo poema sempre leva a Deus”

Para algumas pessoas a poesia faz sentido, salva, resgata.
Às vezes acontece de nos afastarmos da poesia, mas um Poeta me dizia que ela volta. Sempre. E eu penso cá comigo: Que bom!
Poeta, amigo querido, nesse momento é ela que me alcança a mão e me traz de volta.
Meu afastamento da internet foi – e ainda é – por motivos de saúde. E a minha volta também. O estado de saúde de
D.Rosa se agrava a cada dia e nesse momento percebo que ela – a poesia – é uma companheira fiel.
OBRIGADA a todos os poetas que soltam as suas poesias como folhas ao vento, sem sequer supor onde vão cair, e do que são capazes de fazer na alma daqueles que abrem as portas do coração e as deixam entrar.

 

PRESENÇA
Anderson Christofoletti

Comunhão da presença;
Precisão imprecisa:
Vôo inverso à fusão das vidas
Em uma só vida.
Costume da presença
- tácita -
Silentes verbos de frases necessárias,
Cálida ausência
Da minha
- tua -
Melhor parte.
Meu horizonte por teus olhos
Consagra-se infinito:
Janela aberta,
Céu azul,
Promessa de vida...

Como sonhar sem asas,
Quando, em mim,
Eras manhã de sol
Tatuada sobre sombras?

Qual caminho seguir
Sem tua estrada?

Quem sou,
se sinto que estou
em tua - minha -
alma amputada:

em tua mão,
meu afago;

em teu toque,
meu sentido;

em tua boca,
minha palavra;

em teu corpo,
minha morada;

em teu espírito,
minha poesia.

Quando estás comigo,
Sou mais;
Quando estou contigo,
Estou em paz.

barrinha_rosa1

Leia mais do autor: AQUI e AQUI

imagem sem ident. de autoria - via Google

terça-feira, 19 de abril de 2011
card_niveranderson

Que venha o amanhã com seu arsenal de cores e sabores.
Para ele criarei novas palavras e tecerei novos sonhos.

(Anderson Christofoletti > poesia na íntegra aqui)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

rosa_g_0571

VERSOS A UMA ROSA
Anderson Christofoletti

 

As rosas
Não precisam de palavras
Raras;

Não carecem de olhos devotos,
Tampouco de novos rótulos.

Traspassam o crivo
Do olhar petrificado
E sabem a beijo lascivo
De casal enamorado.

Derramam-se em olhares absortos,
Por entre corações que se encontram
E encontros que fecundam paixões.

As rosas são versos inefáveis,
Amores impossíveis
E amantes incansáveis.

Ânforas da feérica essência esquecida,
As rosas falam pela beleza da vida.

6oe9ste[1] 
© Anderson Christofoletti
Imagem da Internet (modificada)

domingo, 3 de abril de 2011

CARNE E ALMA
Anderson Christofoletti


Gosto de sentir sua voz
Penetrando em meu universo de silêncio
Nestes dias cinzentos
Em que nem eu me pertenço.

Seu jeito lúcido e sereno
De desvendar meus caminhos
E percorrê-los sem se perder,
Me torna mais e mais
Vulnerável às suas palavras.

Não entendo de que forma nasce
E qual força rege
Esta minha carência de você;
Esta precisão incessante
Que renasce das cinzas
Cada vez mais falta;
Cada vez mais você
Em mim;
Cada vez mais carne
E alma.

Em meu peito
Sustento uma armadura fundida
Em lágrima e dor,
Nela pode-se ver cunhada
A efígie de uma rosa
Em mulher e fogo.

Feito guerreiro exaurido,
Entrego-me às suas mãos
Refazendo-me em ti
Dos ferimentos:
Da memória em lâmina
Do mundo.

  358741o8cbncp84a[2]    

Leia mais do autor > AQUI  >> AQUI

©Anderson Christofoletti

quinta-feira, 17 de março de 2011

PRIMAVERA EM FLOR
Anderson Christofoletti

Primavera em flor
Rompendo secos ramos
Feito manhã fugaz
Perfumada de eternidade.

Vertiginoso mergulho
No penhasco dos sentimentos pungentes;
Precisão do desconhecido
Como ponte para todo
E qualquer lugar;
Luz no peito contida
Que precisa desabrochar...

Tudo se faz tão pouco:
Distâncias, diferenças, desafios...
Tudo tão louco
- Necessário desatino -,
Quando voar é preciso,
Quando a realidade do passo
Não se irmana com
A verdade inconcebível.

Qualquer caminho tem destino,
Mas, no amor, é preciso perder-se
Para se encontrar.

Gesto solícito
Sobre cristal de infinitas faces;
Aurora que amanhece a vida
Inexplicavelmente simples,
Necessariamente simples
Como simples é amar.

 

1-14

Fonte >> DAQUI
Mais de
Anderson Christofoletti

segunda-feira, 14 de março de 2011
dianacionaldapoesia
sexta-feira, 26 de novembro de 2010

  image

AMOR PERENE
Anderson Christofoletti

Theos Estin Agapé
Eros Estin Theos”

Não secularizamos segredos sagrados
Nem crucificamos inocentes.

Aprendemos que só o amor rege os seres,
Que só o amor nos destina à moral e dela nos liberta.

Chegamos a procurar o amor nos corações,
Crendo que toda terra seria fértil;
A acreditar que amar, mais que sensações,
Seria ir além de toda matéria possível.

Mas, mesmo assim, fomos condenados
Culpados...
Julgados pela sombra do pecado,
Culpados...
Pelo medo, degredados;
Pelas aparências subjugadas,
Eternamente culpados...

Porém, se hoje me sinto sem fronteiras:
Sem portas, chaves, senhas...
É porque seus olhos de vida me tocaram.

Se hoje não penso no fim
É porque a vejo em mim;
É porque somos corações
Que não se submeteram às leis dos seres.

©Anderson Christofoletti
► Fonte >>
DAQUI 
► Poesia integrante da I Antologia Poética A Voz da Poesia - 2008, pag. 217
► Imagem: pintura de Ed Tadiello

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

aprendi_a_deslizar_por_entre_estrelas


Aprendi a deslizar por entre estrelas
De constelações desconhecidas.

O céu – à noite – é mais inconsequente:
Tem um abraço acolhedor.
Mas, ao mesmo tempo,
Um beijo lascivo
Que a gente não vê.
Apenas sente.

- Durante o dia?
À luz do sol
Crio pegadas
E oculto asas…

Linda

Anderson Christofoletti >> DAQUI

sábado, 23 de outubro de 2010

card_anderson10

sábado, 11 de setembro de 2010

image 
                                      Imagem: Carlos Casamayor


TUA VOZ
Anderson Christofoletti

Fecho os olhos e ouço
tua voz doce
recitando palavras
de face puída,
mas de alma renascida
por entre teus lábios;
ouço a manhã colhida
da noite mais longa do mundo;
ouço a canção dos ventos:
solfejos penetrando muralhas
irigidas em dias desleais;
ouço a saudade tua
pulsando em meu peito
feito corcel que escorre
entre labaredas de um incêndio
que não se rende...

Nestes dias de íntimo sol
à flor da pele
qualquer intenção de sombra
torna-se abraço acolhedor.

As paredes brancas parecem sustentar
a leve voz do silêncio.
Não há fuga, nem exércitos aliados:
somos apenas eu e o tempo,
sendo este último implacável
algoz dos corações apartados
pela distância.
Mas flertarei com ele
sob a suposta onipresença
do livro sem versos
e tentarei, debalde, extirpar de meu coração
a pena cravada em sangue e dor.
Quiçá, nasça desta desconstrução
uma palavra que atravesse
barreiras e que rompa as correntes da ausência.
Por hora, tenho estas linhas e tenho
absoluta certeza que, sobre elas,
parte minha se esvai e,
uma vez não colhidas por teus olhos,
transformar-se-á em esquecimento
e entrega vã
.

sábado, 8 de maio de 2010

image
               Imagem by Google – pode ter direitos autorais


ÀS FUTURAS MÃES
Anderson Christofoletti

Espádua nua;
Lua
Nascente.

Entre a luz morna
E a sombra segura
De seu ventre
Explodirá a semente:

Diamante bruto,
Impoluto
Reflexo do dia - antes oculto -

Sua maior concepção virá ao mundo.

Ele
Será sua pedra mais preciosa,
Sua parte mais precisa.

Ele
Trará sua nova visão das coisas
E novas coisas a serem vistas.

Ele
Será sua lágrima em sorriso
E, talvez, sua única alegria nas suas horas mais tristes.

Ele,
Que no primeiro beijo lhe trará o segredo da natureza,
Será sua maior riqueza,
Seu maior sonho posto em prática,
Sua realidade mais poética.

Ele,
Que no primeiro passo lhe deixará sem rumo,
A partir de hoje, será seu futuro.

Ele,
Que no primeiro gesto fará seu coração se abrir,
Que na primeira palavra roubará sua fala,
Lhe fará chorar e rir
Ao mesmo tempo
Com apenas
Um verso perfeito:

Mãe.

barrinha_rosa

©Anderson Christofoletti

Os textos deste autor estão sob licença da
Creative Commons License

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O novo visual do blog do Poeta das Rosas, Anderson Christofoletti, entrou no ar hoje - 19/04 - dia do seu aniversário.

      Da Poesia à Poesia Inexistente
image

Minha fotoAnderson Christofoletti

Incorporo tuas luzes
Como quem reconstitui uma aurora
Perdida no exato instante
De sua fecundação.
Preso ao tempo desta vida
Pondero sobre o imponderável,
Dou vida ao inanimado,
Faço poesia da poesia inexistente.”

A Voz da Poesia  se junta aos amigos para prestar esta singela homenagem.
Parabéns, Poeta!
 
Visite também:
sábado, 21 de março de 2009

rosa_8                                                                              imagem da internet

SOU-ME
©Anderson Christofoletti

I

Sou-me.

No espaço fugaz
- infinita intensidade -
Entre o que fui
E o que serei,
Sou-me.

Com a cabeça
Entre as nuvens,
Os sonhos me atravessam.

Com os pés no chão
- destino necessário -
Atravesso meu tempo,
Minha realidade.

Com os olhos
Sobre a janela
O sol me amanhece
E o perfume das rosas
Me invade.
A criança sorri
E o amor reacende...

Sou-me,
Sendo tudo
Que posso ser
Dentro e fora
De mim.

II

O vento que
Afaga minha face
Frente à janela
É o som que já foi vento
E que será silêncio
Que se partirá com o
Som do vento
Que atravessará
A janela e afagará
Meu rosto.

Por hora,
Perpetua-se
O silêncio...

III

O pensamento
- eterna nascente -
Aflora em sonho,
Toma sua forma
Nos domínios da idéia
E desliza num passado
Sendo recapturado
Em memória
Até dissipar-se
Nas águas do esquecimento

IV

O sol,
As rosas,
As crianças,
O amor,
A janela,
A fresta,
O vento,
O som
Agora são silêncio
No espaço fugaz
E, nele,
Entre o que fui e o que serei,
Sou-me.

Fonte: http://andersonchristofoletti.blogspot.com

domingo, 1 de fevereiro de 2009

beijo_22 
                                          imagem da internet

CORPOS
ANDERSON CHRISTOFOLETTI


O sono transpõe a interface
Da luz com a sombra
E teu olhos – monocromáticos -
Fogem dentro da noite
Mergulhando num eclipse somático.

Meus desejos serpenteiam em tua pele-pétala
Invadindo domínios, subjugando defesas,
Devorando aquilo que meus olhos delineiam.

A obtusa face da sede
Se revela e se expressa
Frente à tua
Sublime poesia de fêmea.
Não há tempo consciente para a fome;
Não há limite plausível para o corpo que, outro corpo, devora;
Não há fronteira,
Nome,
Hora...

Identidades fragmentam-se na explosão
Dos sentidos, na revolução da carne.

A lua inclusa sob um negro céu
Escorre em seu halo crescente
E denuncia o grito corporal do gozo.

No silêncio mais expressivo dos seres,
O sono transpõe a interface da noite com a aurora
E nossos olhos comungam anseios saciados
Sob um eclipse etéreo e redentor.

©Anderson Christofoletti
Fonte: http://andersonchristofoletti.blogspot.com

domingo, 19 de outubro de 2008
Quando a noite invadir a varanda, te darei
Uma lua de presente e, talvez,
Me presenteies com teu sorriso mais promissor:
Aquele que reflete o céu
E todas suas possibilidades.

[II - Anderson Christofoletti]


casal_m_78
                                    imagem da internet

 

A mão, solícita, toca
A maçã de teu rosto
Capturando palavras sem pronúncia

Numa fuga inconsciente
Do hábito de apenas existir
Banho-me na foz de todo desejo
Mimetizado sob a forma de silêncio.

O gesto fragmenta-se no espaço
E os corpos apartam-se pelo tempo...

[I  - Anderson Christofoletti]

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

anderson_poesia
                                                 imagem: arquivo pessoal

Clique na imagem para ampliar

No campo de teus sonhos
Colherei os segredos que
Por ti zelam, pra que, de meus dedos,
Escorram as sete chaves de tua alma;
Doação comedida
De teu amor.

Em minhas mãos,
Tuas portas romperão
O silêncio
Da noite
E, então, renascerás luz
Frente às sombras
Das páginas brancas.

[Anderson Christofoletti]

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

olhando_ceu_2 
                                          imagem da internet

Algumas palavras se perdem
Quando o sonho invade
O território do factível.
Carrego no bolso
Vocábulos esféricos
De superfície instável
E essência vária.
O asfalto me observa
Com a mesma pretensão
Com a qual as crianças
Dão formas
às nuvens.
Ruas me atravessam
E desconhecem as asas
De minha alma:
O óbvio me perdeu
Pela ausência de sombras e pegadas.
Teu sorriso, entre nuvens,
Rege meu itinerário:
Traço que risco
De olhos cerrados e coração desnudo.
Talvez a realidade exija resgate
Pela peça essencial de sua engrenagem,
Mas não te preocupes,
Pois as palavras nascidas da alma
Escorrem das mãos da realidade
E não sabem descansar sob
Olhos desacreditados.
Por isso viajo sem pegadas,
Apenas nuvens, estrelas, teu sorriso
E a possibilidade do improvável
Suspenso pelas intangíveis
Cordas da liberdade.
O amanhã?
Que venha o amanhã
Com seu arsenal de cores e sabores.
Para ele criarei novas palavras
E tecerei novos sonhos.

[Anderson Christofoletti]

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