quarta-feira, 1 de outubro de 2008

mulher_e_rosa imagem da internet

Eu te amo como um colibri resistente
incansável beija-flor que sou
batedora renitente de asas
viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.
Pingas na minha boca umas gotas poucas
do que nem é uma vacina.
Eu uma mulher, uma ave, uma menina...
Assim chacinas o meu tempo de eremita:
quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias
as que vestiram meus pés
quando caminhei as areias.
Eu te amo como quem esquece tudo
diante de um beijo
as inúmeras horas desbeijadas
os terríveis desabraços
os dolorosos desencaixes
que meu corpo sofreu longe do seu.
Elejo sempre o encontro.
Ele é o ponto do crochê.
Penélope invertida
nada começo de novo
nada desmancho
nada volto.

Teço um novo tecido de amor eterno
a cada olhar seu de afeto
não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos.
Cega do infortúnio
pesco os peixes dos nossos encaixes
pesco as gozadas
as confissões de amor
as palavras fundas de prazer
as esculturas astecas que nos fixam
na história dos dias.
Eu te amo.
De todos os nossos montes
fico com as encostas.
De todas as nossas indagações
fico com as respostas.
De todas as nossas destilarias
fico com as alegrias.
De todos os nossos natais
fico com as bonecas.
De todos os nossos cardumes
as moquecas?

[Escolha - Elisa Lucinda]

xangai
Foto: Carô Murgel


Xangai (Eugênio Avelino)
20/3/1948 - Vitória da Conquista, BA

Cantor. Compositor. Violeiro.
Filho e neto de violeiros, nascido no sertão da Bahia, ainda pequeno fixa-se com a família na zona da mata de Minas Gerais. O pai abre uma sorveteria, na cidade de Nanuque, a Xangai, que lhe inspiraria o nome artístico.
Seu avô Avelino era mestre dos mestres dos sanfoneiros da região e faleceu aos 101 anos, tendo transmitido sua maestria ao filho Jany. Viveu tempos na fazenda de seu primo, o compositor Elomar. Aprendeu a cantar aboiando com os vaqueiros. O encontro com Elomar foi decisivo na sua formação artística. Começou a tocar na adolescência. Apesar de herdar do pai e do avô o gosto pela sanfona, acabou optando pelo violão.
Em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro, lá vivendo por mais de dez anos. Chegou a começar a faculdade de economia, mas abandonou para seguir a carreira artística. Considerado por parte da crítica uma das mais belas vozes a serviço da música sertaneja "de raiz". [Fonte]

Um cantor, um artista, um menestrel, um dos maiores poucos gatos pingados e tresloucados sonhadores-de-mãos-sangrentas-contrapontas-afiadas inimigas. Remanescentes que teima guardar a moribunda alma desta terra. Que também vai se atropelando contra a multidão de astros constelados que fulgurantes espargem luz negra dos céus dos que buscam a luz. Lá vai ele recalcitrante e contumás cavaleiro, perdulário da bem querência que deixa a índole dissoluta de um pobre povo que habita o espaço rico de uma pátria que ainda não nasceu... [Fonte]

DISCOGRAFIA

1976 - Acontecivento
1980 - Parceria malunga com Marcus Pereira
1981 - Qué que tu tem canário
1984 - Mutirão da vida
1984 - Cantoria 1
1985 - Cantoria 2
1986 - Xangai canta Elomar
1990 - Xangai. Lua cheia-Lua nova
1991 - Dos labutos
1996 - Aguaterra. Ao vivo com Renato Teixeira
1997 - Cantoria de festa
1998 - Mutirão da vida
1998 - Um abraço pra ti, pequenina
2002 - Brasileirança
2004 - Nóis é jeca mais é jóia- c/Juraildes da Cruz 2006 - Estampas Eucalol

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Música: É Luxo Só
Ary Barroso
Apresentação no programa Som Brasil, TV Globo, em homenagem a Ary Barroso, 27/09/2008

Fonte

Mais sobre Fênix
Mais sobre Ary Barroso
segunda-feira, 29 de setembro de 2008



O início da vida intelectual e literária do Rio de Janeiro do século XIX, por Machado de Assis. Um retrato da época pelo olhar oblíquo das crônicas, romances e contos do autor.

O dia 29 de setembro de 2008 marca o centenário da morte de Machado de Assis.

Fonte: globonews.globo.com

kahlilgibran

Tentar definir a música - que em todo caso não é um produto mas um processo - é quase como tentar definir a poesia, ou seja: trata-se de uma operação felizmente impossível, considerando a futilidade de querer estabelecer uma fronteira entre o que é música e o que não é, entre poesia e não-poesia. Talvez a música seja justamente isto: a procura de uma fronteira constantemente deslocada.

[Luciano Berio]

sábado, 27 de setembro de 2008



Acalanto Da Rosa
Vinicius de Moraes e Cláudio Santoro
 Gilson Peranzzetta, Quarteto em Cy e Boca Livre

Dorme a estrela no céu
Dorme a rosa em seu jardim
Dorme a lua no mar
Dorme o amor dentro de mim
É preciso pisar leve
Ai, é preciso não falar
Meu amor se adormece
Que suave o seu perfume
Dorme em paz rosa pura
O teu sono não tem fim

Do CD Gilson Peranzzetta, Claudio Santoro - Prelúdios e canções de amor, 1989

musa
                                          imagem da internet

Enquanto serena, a musa, em lençóis repousa,
desfaz-se o poeta em letras,
esvaindo em versos de amor,
o amor que sente.
Rasga-se em folhas rabiscadas, o poeta
enquanto a musa descansa e sonha.
Tão pequeno o poeta
e mudas suas palavras, poucas
diante do amor, convertido em silêncio
e versos pálidos.
Repousa a musa e o poeta sangra.
Amanhã, talvez o sol se curve
ao poema mais luminoso do amor que ele sente.
Amanhã, quem sabe, desperte a musa,
mais linda que a manhã
e sinta tremer em seus lábios,
como um beijo,
o verso de amor noturno
do seu poeta louco.

[O Poeta e Sua Musa - Saramar]

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