sexta-feira, 27 de março de 2009


Música: Mulher Eu Sei
Intérpretes: Ana Carolina e Chico César
Composição: Chico César


Eu sei como pisar
No coração de uma mulher
Já fui mulher eu sei
Já fui mulher eu sei
Para pisar no coração de uma mulher
Basta calçar um coturno
Com os pés de anjo noturno
Para pisar no coração de uma mulher
Sapatilhas de arame
O balé belo infame
Eu sei como pisar
No coração de uma mulher
Já fui mulher eu sei
Já fui mulher eu sei
Para pisar no coração de uma mulher
Alpercatas de aço
O amoroso cangaço
Para pisar no coração de uma mulher
Pés descalços sem pele
Um passo que a revele
já fui mulher eu sei
poetica e cotidiana

gilkamachado

Corajosa, livre para falar de intimidades. O poeta Drummond diz que “nela os sentidos operavam em sincronia”. Gilka Machado fazia poesia desde menina. Nascida no Rio em 1893, casou-se e enviuvou cedo. Estreou nas letras ganhando concurso de jornal. A crítica veio ácida: “poemas laborados por uma matrona imoral”. Mulher alguma havia ousado tanto. Nenhuma havia dito que gostava de estar “toda nua, completamente exposta à volúpia do vento”. Assustando e escandalizando, publicou onze livros. Títulos como Mulher Nua (1922) e  Meu Glorioso Pecado (1928) causaram mal-estar. A audácia comprometeu a carreira literária. Gilka morreu em 17 de dezembro de 1980. Drummond comentou: “As mulheres que gozam hoje de plena liberdade literária para cantar as expansões do instinto e as propriedades eróticas do corpo deviam ser gratas a essa antecessora.”


Fonte: almanaquebrasil.com.br

 
Trailer oficial do filme "Budapeste", que deve sair em Abril de 2009. Adaptação do romance de Chico Buarque.
- Direção: Walter Carvalho
- Roteiro: Chico Buarque e Rita Buzzar.
-Elenco: Leonardo Medeiros, Gabriella Hámori, Giovanna Antonelli, Antonie Kamerling, Ivo Canelas, Andrea Balogh, Nicolau Breyner, Chico Buarque de Hollanda.
- Sinopse: José Costa, um ghost-writter brasileiro, viaja a Budapeste, onde descobre que tem um duplo de si naquela cidade.

poster_budapeste

Endereço da imagem: www.cineplayers.com

quarta-feira, 25 de março de 2009


Música: Rancho das Flores 
Intérprete: Raimundo Fagner
Composição: Vinícius de Moraes


Entre as prendas com que a natureza
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza
A beleza das flores realça em primeiro lugar
É um milagre do aroma florido
Mais lindo que todas as graças do céu
E até mesmo do mar

Olhem bem para a rosa
Não há mais formosa
É a flor dos amantes
É a rosa-mulher
Que em perfume e em nobreza
Vem antes do cravo
E do lírio e da hortênsia

E da dália e do bom crisântemo
E até mesmo do puro e gentil mal-me-quer
E reparem no cravo o escravo da rosa
Que flor mais cheirosa!
Que enfeite sutil!
E no lírio que causa o delírio da rosa
O martírio na alma da rosa
Que é a flor mais vaidosa e mais prosa
Entre as flores do nosso Brasil

Abram alas pra dália garbosa
A flor mais vaidosa
Do grande jardim da existência das flores
Tão cheias de cores sutis
E também para a hortênsia inocente
A flor mais contente

No azul do seu corpo macio e feliz
Satisfeita da vida vem a margarida
Que é a flor preferida dos que têm paixão
E agora é a vez da papoula vermelha
A que dá tanto mel pras abelhas
E alegra este mundo tão triste
No amor que há no meu coração

E agora que temos o bom crisântemo
Seu nome cantemos em verso e prosa
Porém que não tem a beleza da rosa
Que uma rosa não é só uma flor
Uma rosa é uma rosa, é uma rosa
É a mulher rescendendo de amor
poetica e cotidiana


GONDOLEIRO DO AMOR  
Poesia de Castro Alves
Música: Salvador Fábregas
Intérpretes: Dilermano Reis e Francisco Petrônio


Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
do Gondoleiro do amor.

Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;

E como em noites de Itália,
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu,
-Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céu.

Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.

Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;

Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no languor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!?...

Teu amor na treva é - um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa - nas calmarias,
É abrigo - no tufão;

Por isso eu te amo querida,
Quer no prazer, quer na dor...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor

Fonte do vídeo
terça-feira, 24 de março de 2009

Claude Theberge_casal 
                                           Imagem: Claude Theberge

ÂNGELA ADÔNICA
PABLO NERUDA

Hoje deitei-me junto a uma jovem pura
como se na margem de um oceano branco,
como se no centro de uma ardente estrela
de lento espaço.

Do seu olhar largamente verde
a luz caía como uma água seca,
em transparentes e profundos círculos
de fresca força.

Seu peito como um fogo de duas chamas
ardía em duas regiões levantado,
e num duplo rio chegava a seus pés,
grandes e claros.

Um clima de ouro madrugava apenas
as diurnas longitudes do seu corpo
enchendo-o de frutas extendidas
e oculto fogo.

rosa_11 


OS VERSOS QUE TE FIZ
FLORBELA ESPANCA


Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

amar_ser_amado
                                                   Imagem da Internet

MEU DESTINO
CORA CORALINA


Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...

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