segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Yosemite_National_Park_Bert_Bomb
                                                             Foto de Bert Bomb

BUCÓLICA
Miguel Torga
 
A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;


De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.




©Miguel Torga
Escrito em S. Martinho de Anta, 30 de Abril de 1937
Publicado em “Diário I”, Coimbra, 1941
E em “Poesia Completa”, 2000
Editora: Dom Quixote
Portugal

domingo, 20 de setembro de 2009

magmah_avp 
MAGMAH, é o pseudônimo da gaúcha SARA REIS, que estreia na Voz da Poesia. Ela se apresenta assim:

“Meu eu lírico é vulcânico, irracional e vive noutro mundo, uma espécie de universo paralelo. É apaixonado, intenso, egocêntrico e voraz.
Daí o pseudônimo, inspirado no “magma” que é rocha ígnea localizada no interior da terra, que está em constante estado de ebulição e só é lançada à superfície pela atividade de um vulcão (sempre iminente) e de cuja solidificação se formam pedras preciosas.

Mas eu própria não passo de uma menina, nascida nos pagos gaúchos, que ama poesia e gosta do exercício lírico como distração e desabafo.”

SAIBA MAIS >> AQUI

ou cole e copie no seu navegador:
www.avozdapoesia.com.br/magmah

florbela_espanca 
Florbela de Alma Conceição Espanca

Nasceu: 8/12/1894
Vila Viçosa - Portugal
Suicidou-se em 8/12/1930 em Matosinhos - Portugal

Fernando Pessoa, em um poema datilografado e não datado de nome "À memória de Florbela Espanca", descreve-a como "«alma sonhadora / Irmã gêmea da minha!»".

Florbela Espanca estudou em Évora, onde concluiu em 1917 o curso liceu, matriculando-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É por essa altura que publica as suas primeiras poesias. Tendo casado várias vezes e tendo sido em todas elas infeliz, começou a consumir estupefacientes. Só depois da sua morte é que a poetiza viria a ser conhecida do grande público, tendo contribuído para isso a publicação de Charneca em Flor (1930) pelo professor italiano Guido Batelli.

SAIBA MAIS >> AQUI

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sábado, 19 de setembro de 2009

Claude_Theberge_Amour
                                            Claude Theberge

I – GOSTO DE TI
Florbela Espanca

Gosto de ti apaixonadamente,
De ti que és a vitória, a salvação,
De ti que me trouxeste pela mão
Até ao brilho desta chama quente.

A tua linda voz de água corrente
Ensinou-me a cantar... e essa canção
Foi ritmo nos meus versos de paixão,
Foi graça no meu peito de descrente.

Bordão a amparar minha cegueira,
Da noite negra o mágico farol,
Cravos rubros a arder numa fogueira!

E eu, que era neste mundo uma vencida,
Ergo a cabeça ao alto, encaro o sol!
- Águia real, apontas-me a subida!

©Florbela Espanca
In Charneca em flor, 1931

+ FLORBELA ESPANCA >> AQUI

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

avp_narfe

NARDÉLIO FERNANDES LUZ
(Fantasma_MG)

O escritor e poeta Nardélio Fernandes Luz é autodidata. Nasceu em 06/01, na pequena Pratinha, no interior de Minas Gerais, mas é radicado em Uberlândia desde a adolescência. Exerceu as profissões de funileiro e soldador industrial até 1998, quando aos 31 anos mergulhou em um rio raso e fraturou a cervical, tendo como sequela uma lesão medular irreversível, que o deixou tetraplégico. Descobriu o amor pela literatura ainda na infância e, embora tenha escrito inúmeras cartas e outros textos na juventude sonhadora, levava uma vida corrida e só tomou verdadeiramente o gosto pela escrita, com o tempo proporcionado pela paralisia.

Para saber mais do poeta clique aqui > A VOZ DA POESIA

ou copie e cole no seu navegador:
http://www.avozdapoesia.com.br/nardeliofernandesluz

segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Intimate_Dress
                                                          Pintura de Pino Daeni

ESTA MANHÃ ENCONTREI O TEU NOME
Maria do Rosário Pedreira

 
Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
domingo, 13 de setembro de 2009

Hoje o carinho especial vai para Rosany Costa (Plenytude): SAÚDE, PAZ, AMOR E POESIA. Sempre!

Feliz Aniversário!

brinde

E Vinicius de Moraes, para não perder o costume:

SONETO DE ANIVERSÁRIO

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Rio de Janeiro, 1942
in Antologia Poética
in Livro de Sonetos
in Poesia completa e prosa: "Poesia varia"

terça-feira, 8 de setembro de 2009
narafranca
                                                             Foto de Nara França
A ÚNICA NUVEM
Luísa Ribeiro

A única nuvem que existe está
sobre o meu pátio — esquadria
da minha pele por escurecer. O tempo

não vibra a meu favor não apanha as estrelas
imaginadas para ti nem recolhe as flores
selvagens do teu sangue

permanece a nuvem e eu existo
no trapézio das tuas perigosas mãos.
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