segunda-feira, 2 de agosto de 2010


Vou onde o vento me leva
Música: Renato Motha
Poesia: Alberto Caeiro / Fernando Pessoa

Hoje de manhã saí muito cedo, 
Por ter acordado ainda mais cedo 
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar 
Mas o vento soprava forte, varria para um lado, 
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e 
Assim quero que possa ser sempre -- 
Vou onde o vento me leva e não me 
Sinto pensar.


Fonte do vídeo
Afastada da net por obra e graça da Oi/Telemar – que sumiu com o sinal da Velox –, deixei de registrar datas importantes nos meses de Junho e Julho. Peço desculpas aos amigos da Voz da Poesia e do Dihitt que fizeram aniversário e eu não postei, como vinha fazendo. Sintam-se todos abraçados e festejados!
Uma data, no entanto, não posso deixar passar em branco… Mesmo com atraso registro aqui a minha lembrança e a minha saudade: Evelin, Guria, você faz uma tremenda falta na vida dos que a amam. Só tenho a dizer que os anjos têm mais sorte do que nós…
E assim como Almas Perfumadas parece ter sido feita pra você, a nossa escritora preferida enlaçou “Com fios de amor” os nossos corações, que dedico a você e também ao Milton, porque entendemos que a saudade não tem que ser – necessariamente - sofrimento, nem a que machuca a alma ou faz do espírito refém. A nossa saudade é assim… “feita de um punhado de sorrisos viçosos floridos no jardim da memória… que desembrulham lembranças e deixam o instante da gente todo perfumado de Deus”
Pra você, Guria, pelo dia do seu aniversário: 15 de Julho.
foggy_day_by_leonid_afremov
                                                         Pintura de Leonid Afremov
 
COM FIOS DE AMOR
Ana Cláudia Saldanha Jácomo

Era saudade, sim, eu pude dar nome quando tocou o meu instante com mãos de surpresa e me convidou pra sentir. Eu deixei que crescesse, que expandisse seus ramos, que florisse com calma, sem tentar adiá-la ou entretê-la, essas coisas que às vezes a gente tenta fazer com saudade que machuca, e vez ou outra até consegue. Mas aquela, eu pressenti pela melodia do perfume que emanava, aquela não tinha a mínima intenção de ferir. Aquela não saberia, ainda que tentasse. Aquela, eu sei, não tentaria.
Não era daquelas saudades que fazem a musculatura da vida ficar toda contraída de dor. Daquelas que amordaçam as flores e espantam as borboletas. Daquelas que engasgam o canto e fazem as asas encolherem. Daquelas traiçoeiras que, na primeira oportunidade, quebram as pontas dos nossos lápis de cor. Daquelas que escondem os brinquedos da gente nas prateleiras mais altas e, por via das dúvidas, encurtam os braços do nosso contentamento. Daquelas que inflam nuvens que depois inundam tudo de carência e de tristeza. Não, aquela não.
Aquela era uma saudade feita de um punhado de sorrisos viçosos floridos no jardim da memória. Era pássaro que cantava macio na árvore mais frondosa da minha gratidão. Era mar que estendia ondas suaves de ternura por toda a orla dos meus olhos. Aquela era dessas saudades que toda vez que dizem acendem um mundaréu de estrelas no céu do coração. Era uma certeza de que a vida sempre arruma maneiras para aproximar as almas irmãs, esses anjos vestidos de gente que tornam mais fácil e mais feliz a nossa temporada de aulas e recreios nesse mundo.
Aquela era dessas saudades bem-vindas que trazem também descanso e alegria na sua cesta de bênçãos. Era dessas saudades que derrubam cercas e desenham pontes. Era dessas saudades que desembrulham lembranças que deixam o instante da gente todo perfumado de Deus. Aquela era dessas saudades generosas que bordam sol no tecido da alma com os seus lindos fios de amor.


Para ouvir:
domingo, 1 de agosto de 2010


Tudo Novo de Novo
Paulinho Moska 


Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
sábado, 8 de maio de 2010

image
               Imagem by Google – pode ter direitos autorais


ÀS FUTURAS MÃES
Anderson Christofoletti

Espádua nua;
Lua
Nascente.

Entre a luz morna
E a sombra segura
De seu ventre
Explodirá a semente:

Diamante bruto,
Impoluto
Reflexo do dia - antes oculto -

Sua maior concepção virá ao mundo.

Ele
Será sua pedra mais preciosa,
Sua parte mais precisa.

Ele
Trará sua nova visão das coisas
E novas coisas a serem vistas.

Ele
Será sua lágrima em sorriso
E, talvez, sua única alegria nas suas horas mais tristes.

Ele,
Que no primeiro beijo lhe trará o segredo da natureza,
Será sua maior riqueza,
Seu maior sonho posto em prática,
Sua realidade mais poética.

Ele,
Que no primeiro passo lhe deixará sem rumo,
A partir de hoje, será seu futuro.

Ele,
Que no primeiro gesto fará seu coração se abrir,
Que na primeira palavra roubará sua fala,
Lhe fará chorar e rir
Ao mesmo tempo
Com apenas
Um verso perfeito:

Mãe.

barrinha_rosa

©Anderson Christofoletti

Os textos deste autor estão sob licença da
Creative Commons License

image
                              Imagem by Google – pode ter direitos autorais

A CANÇÃO DE QUALQUER MÃE
Lya Luft

"Filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei
ou mereci ou imaginei ter"

Que nossa vida, meus filhos, tecida de encontros e desencontros, como a de todo mundo, tenha por baixo um rio de águas generosas, um entendimento acima das palavras e um afeto além dos gestos – algo que só pode nascer entre nós. Que quando eu me aproxime, meu filho, você não se encolha nem um milímetro com medo de voltar a ser menino, você que já é um homem. Que quando eu a olhe, minha filha, você não se sinta criticada ou avaliada, mas simplesmente adorada, como desde o primeiro instante.

Que, quando se lembrarem de sua infância, não recordem os dias difíceis (vocês nem sabiam), o trabalho cansativo, a saúde não tão boa, o casamento numa pequena ou grande crise, os nervos à flor da pele – aqueles dias em que, até hoje arrependida, dei um tapa que ainda agora dói em mim, ou disse uma palavra injusta. Lembrem-se dos deliciosos momentos em família, das risadas, das histórias na hora de dormir, do bolo que embatumou, mas que vocês, pequenos, comeram dizendo que estava maravilhoso. Que pensando em sua adolescência não recordem minhas distrações, minhas imperfeições e impropriedades, mas as caminhadas pela praia, o sorvete na esquina, a lição de casa na mesa de jantar, a sensação de aconchego, sentados na sala cada um com sua ocupação.

Que quando precisarem de mim, meus filhos, vocês nunca hesitem em chamar: mãe! Seja para prender um botão de camisa, ficar com uma criança, segurar a mão, tentar fazer baixar a febre, socorrer com qualquer tipo de recurso, ou apenas escutar alguma queixa ou preocupação. Não é preciso constrangerem-se de ser filhos querendo mãe, só porque vocês também já estão grisalhos, ou com filhos crescidos, com suas alegrias e dores, como eu tenho e tive as minhas. Que, independendo da hora e do lugar, a gente se sinta bem pensando no outro. Que essa consciência faça expandir-se a vida e o coração, na certeza de que aquela pessoa, seja onde for, vai saber entender; o que não entender vai absorver; e o que não absorver vai enfeitar e tornar bom.

Que quando nos afastarmos isso seja sem dilaceramento, ainda que com passageira tristeza, porque todos devem seguir seu caminho, mesmo que isso signifique alguma distância: e que todo reencontro seja de grandes abraços e boas risadas. Esse é um tipo de amor que independe de presença e tempo. Que quando estivermos juntos vocês encarem com algum bom humor e muita naturalidade se houver raízes grisalhas no meu cabelo, se eu começar a repetir histórias, e se tantas vezes só de olhar para vocês meus olhos se encherem de lágrimas: serão apenas de alegria porque vocês estão aí. Que quando pareço mais cansada vocês não tenham receio de que eu precise de mais ajuda do que vocês podem me dar: provavelmente não precisarei de mais apoio do que do seu carinho, da sua atenção natural e jamais forçada. E, se precisar de mais que isso, não se culpem se por vezes for difícil, ou trabalhoso ou tedioso, se lhes causar susto ou dor: as coisas são assim. Que, se um dia eu começar a me confundir, esse eventual efeito de um longo tempo de vida não os assuste: tentem entrar no meu novo mundo, sem drama nem culpa, mesmo quando se impacientarem. Toda a transformação do nascimento à morte é um dom da natureza, e uma forma de crescimento.

Que em qualquer momento, meus filhos, sendo eu qualquer mãe, de qualquer raça, credo, idade ou instrução, vocês possam perceber em mim, ainda que numa cintilação breve, a inapagável sensação de quando vocês foram colocados pela primeira vez nos meus braços: misto de susto, plenitude e ternura, maior e mais importante do que todas as glórias da arte e da ciência, mais sério do que as tentativas dos filósofos de explicar os enigmas da existência. A sensação que vinha do seu cheiro, da sua pele, de seu rostinho, e da consciência de que ali havia, a partir de mim e desse amor, uma nova pessoa, com seu destino e sua vida, nesta bela e complicada terra. E assim sendo, meus filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei ou mereci ou imaginei ter.

sábado, 1 de maio de 2010

Aniversariantes de Maio

DO DIHITT

04/05 – Marcelo Souza
No Dihitt
Blog: Variedades.com

05/05 - Marlete Janotta dos Santos
No Dihitt
Blog: Sem Fronteiras

18/05 - Shirley Pacheco
No Dihitt
Blog: Bom Trabalho Acadêmico

22/05 - Sônia Regly
No Dihitt
Blog: Compartilhando as Letras

POETAS DA VOZ DA POESIA

14/05 - Alexandre Tambelli
Na Voz da Poesia – página em construção

22/05Paulo Peres
Na Voz da Poesia

26/05Tereza da Praia
Na Voz da Poesia – página em construção

28/05Luis Carlos Mordegane
Na Voz da Poesia
Site: Um Velho Menino

Selinho dos Signos para todos

 TouroFTouroM
 GemeosMGemeosF

quinta-feira, 29 de abril de 2010

aurora_boreal
                                            Imagem*

VER CLARO
Eugénio de Andrade

Toda a poesia é luminosa, até
A mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
Em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
Outra vez e outra vez
E outra vez
A essas sílabas acesas
Ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.

*Imagem by Google
A imagem pode ter direitos autorais.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Gwen_Peine_Toomalatai_gate_beautiful
                          Pintura de Gwen Peine Toomalatai


MOMENTO
Augusto Sérgio Bastos

 
A vida, por exemplo,
esse intervalo
de cores reticentes,
tem no ar a despedida.

Respiração discreta,
a via clara
o vinho tinto,
pouco a pouco
me ponho na ponta dos pés.

(Entre o cinza do amanhã
e o branco da espera,
me permito o azul)

A porta aberta,
o vão do tempo,
a vida apenas,
este momento.

Related Posts with Thumbnails

Poética

Poesias

Poetas

Vídeos

A Voz aqui

A Poética dos Amigos

Pesquisar neste blog

Rádio

Arquivos