sábado, 9 de abril de 2011

SOU O QUE SEREI
Augusto Frederico Schmidt


Às vezes me abandono inteiramente a saudades estranhas
E viajo por terras incríveis, incríveis.
Outras vezes porém qualquer coisa à-toa –
O uivo de um cão na noite morta,
O apito de um trem cortando o silêncio,
Uma paisagem matinal,
Uma canção qualquer surpreendida na rua –
Qualquer coisa acorda em mim coisas perdidas no tempo
E há no meu ser uma unidade tão perfeita
Que perco a noção da hora presente, e então

Sou o que fui.
E sou o que serei.

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Imagem da Internet, via Google

sexta-feira, 8 de abril de 2011

card_Casimiro_de_Brito

quarta-feira, 6 de abril de 2011

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UM DIA
Sophia de Mello Breyner Andresen


Um dia, mortos, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.

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In Dia do Mar
Imagem de diversas fontes da Internet, via Google

terça-feira, 5 de abril de 2011

DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO
Hilda Hilst

VIII

De luas, desatino e aguaceiro
Todas as noites que não foram tuas.
Amigos e meninos de ternura

Intocado meu rosto-pensamento
Intocado meu corpo e tão mais triste
Sempre à procura do teu corpo exato.

Livra-me de ti. Que eu reconstrua
Meus pequenos amores. A ciência
De me deixar amar
Sem amargura. E que me dêem

Enorme incoerência
De desamar, amando. E te lembrando

- Fazedor de desgosto -
Que eu te esqueça.

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©Hilda Hilst
In Júbilo memória noviciado da paixão, 1974
Imagem da Internet, via Google

SOU CALMARIA
Alexandre Tambelli

Eu vi na minha vida
O tempo passando.
Eu vi cada desejo se dissipando
Com o mal tempo.

A tempestade perdida
Em um ato, em outro contratempo.
E da magia das gotas d'água
Apenas vi, uma ponta de mágoa.

Por que não vivi?
Se tive todo caminho.
Por que o sol eu não vi?

Porque sou a fortaleza secreta
Que do sonho, livre e sozinho
Prefere a calmaria, simples e discreta.

barrinha_4

© Alexandre Tambelli
Imagem da Internet, via Google

Coração, fonte da Vida,
da vida a própria razão.
- E tanta gente eu conheço,
vivendo sem coração...


Adelmar Tavares

segunda-feira, 4 de abril de 2011


O LAÇO DE FITA
Poesia de Castro Alves
Música e Voz:
Canto in Verso

Não sabes, criança? ‘Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,

Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu’enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,

Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia

Debalde minh’alma se embate, se irrita...
O braço que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,

Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa

Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos

N’alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale

Abrirem-me a cova... formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c’roa...
Teu laço de fita.

© Castro Alves
São Paulo, julho de 1868
Espumas Flutuantes,1870





LUA CHEIA
Comp.: Chico Buarque e Toquinho
Interp.: Chico Buarque

Ninguém vai chegar do mar
nem vai me levar daqui
nem vai calar minha viola que desconsola,

chora notas pra ninguém ouvir
Minha voz ficou na espreita, na espera,
quisera abrir meu peito, cantar feliz

Preparei para você uma lua cheia
e você não veio, e você não quis
Meu violão ficou tão triste, pudera,

quem dera abrir janelas, fazer serão
Mas você me navegou mares tão diversos
e eu fiquei sem versos, e eu fiquei em vão
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