sexta-feira, 13 de agosto de 2010

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                                              (*)imagem


PODE SER QUE UM DIA
Madhu Maretiore

Pode ser que um dia eu fale melhor
sobre as aves em voo.
De quando elas migram,
de como se lançam,
rabiola sem pipa,
ou, quem sabe, uma pipa invisível
guiada por mãos invisíveis.
Pode ser que um dia,
quando aderir a um bando,
eu também deixe alguém fascinado
olhando na praia o grande V
do milagre: eu Vi.

 

In Cadernos de notas

Fonte do texto: Rebra – Rede de Escritoras Brasileiras

Conheça mais da autora >> AQUI

(*) Imagem by Google, sem identificação de autoria



Rosa que me encanta
Autores: Rodrigo Maranhão/Pedro Luiz
Intérprete: Verônica Sabino
Cd Novo Sentido (1997)

Para esquecer a rosa que me encanta
Resolvi cuidar de um grande jardim

Para esquecer a rosa que me encanta
Resolvi cuidar de um grande jardim

Cubro o carmim da rosa desejada
Toca a minha alma que encantada e calma
Entoa a melodia sem ter fim

Para esquecer a rosa que me encanta
Resolvi cuidar de um grande jardim

Para esquecer a rosa que me encanta
Resolvi cuidar de um grande jardim

Mas desejo só ver desverdades
Doces maldades não me interessam
Excesso de querer saber o que acontece
Se passo pelo ponto onde começam

Se sinto recair o meu desejo
Minto que não quero mais teu beijo
O manto do desejo eu já conheço
E tenho apreço por meu coração

Para esquecer a rosa que me encanta
Resolvi cuidar de um grande jardim

Para esquecer a rosa que me encanta
Resolvi cuidar de um grande jardim

Cubro o carmim da rosa desejada
Toca a minha alma que encantada e calma
Entoa a melodia e sem ter fim

Para esquecer a rosa que me encanta
Resolvi cuidar de um grande jardim

Para esquecer a rosa que me encanta
Resolvi cuidar de um grande jardim

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

image 
                                                        Kim Anderson

 AMIGO
Roseana Murray

Que um amigo se reconheça
sempre
na face de outro amigo
e nesse espelho descanse
seus olhos
e derrame sua alma
como a crina de um cavalo
levemente pousada no vento

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

gilka_machado

image  
                                    Pintura de Gil Marosi


SONETO DE AMOR COMO UM RIO 
Vinicius de Moraes

 

Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real, e que, contudo
Eu já não cria que existisse mais.

Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é o túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.

Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo

E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.

 

 

Montevidéu, 1959

in Para viver um grande amor (crônicas e poemas)
in Livro de Sonetos
in Poesia completa e prosa: "A lua de Montevidéu"

terça-feira, 3 de agosto de 2010

image
                                            Imagem: Kim Anderson

ENLEIO
Carlos Drummond de Andrade


Que é que vou dizer a você?
Não estudei ainda o código de amor.
Inventar, não posso.
Falar, não sei.
Balbuciar, não ouso.
Fico de olhos baixos espiando,
no chão, a formiga.
Você sentada na cadeira de palhinha.
Se ao menos você ficasse aí nessa posição,
perfeitamente imóvel, como está,
uns quinze anos (só isso)...
Então, eu diria:
Eu te amo.
Por enquanto sou apenas o menino
Diante da mulher que não percebe nada.
Será que você não entende?
Será que você é burra?

 

In poesias completas, pg 1024

image

O Programa de Desenvolvimento e Empregabilidade para Pessoas com Necessidades Especiais – Gente Capaz, da Embratel e o Instituto Embratel, recebem currículos para seleção, treinamento, capacitação e estágios, para pessoas com alguma deficiência física e está aceitando cadastro para futuros processo seletivos.

Com o objetivo de possibilitar a empregabilidade de pessoas com deficiência, o Programa Gente Capaz, sob a gestão da Gerência de Sustentabilidade, está criando um canal para receber indicações desses profissionais.

Se você se enquadra nesse perfil ou conhece alguém que, e que tenha interesse em ingressar em uma grande empresa, envie o currículo para o email

 sustent@embratel.com.br.

Para evitar a veiculação de informações que não procedem, antes, leia todo o programa no site da Embratel.

http://www.institutoembratel.org.br/institutoembratel/projetos/gente.php

É importante essa divulgação porque, na maioria das  vezes, essas notícias ficam perdidas nesse “vasto mundo” que é a Internet.

 

Imagem: Hugo Ferrante – a quem agradeço pela informação.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Rosa vermelha ABISMO DE ROSAS Rosa vermelha

O grande violonista Américo Jacomino, o Canhoto,  tinha apenas 16 anos quando compôs "Abismo de Rosas", em 1905.

A composição era um desabafo a uma decepção amorosa, pois o autor acabara de ser abandonado pela namorada, filha de um escravo.

Canhoto realizou três gravações desta valsa: a primeira, com o nome de "Acordes do Violão", lançada em meados de 1916; a segunda, já como "Abismo de Rosas", em 1925; e, finalmente, a terceira em 1927.

Peça obrigatória no repertório de nossos violonistas - de Dilermando Reis a Baden Powell -, "Abismo de Rosas" é considerada o hino nacional do violão brasileiro pelo professor Ronoel Simões, uma autoridade no assunto. *

Além da letra de João do Sul (Filho de Américo Jacomino, o Canhoto) recebeu também uma letra de José Fortuna, a qual foi gravada pelo Francisco Petrônio.

Em sua forma instrumental, essa Valsa é uma das mais belas melodias já compostas para Solo de Violão.

Rosa vermelha Aqui, imortalizada pelo violão de Dilermano Reis



Rosa vermelha Aqui na voz de Francisco Petrônio com Chico Moraes e Sua Orquestra and Coro
Música de Américo Jacomino e letra de José Fortuna



Ao te encontrar assim eu sei quanto tu és infeliz
Chego a sofrer também por lembrar o quanto eu já te quis
A minha mão te dei para te salvar do abismo
Mas foi tudo em vão, pois desprezaste o meu amor.

És flor do mal que o tempo desfolhou um céu azul, nublado
Este é o abismo de rosa, vulto a viver do pecado
Cedo mulher, porém, perdeste a paz porque te faltou carinho
E o sonho azul de um doce lar, mas é tarde demais para voltar.

Não, não quero ver-te, eu devo esquecer-te, a minha dor será maior
Se eu ver os lábios teus outra boca beijar, teu nome recorda
No jardim da vida, rosa uma flor que secou e por ti também meu coração murchou.


 Rosa vermelha E aqui, na versão cantada pela dupla Afilhados d’As Galvão.


                                                        
Música: Américo Jacomino (Canhoto) 
Letra: João do Sul

Ao amor em vão fugir
Procurei
Pois tu
Breve me fizeste ouvir
Tua voz, mentira deliciosa
E hoje é meu ideal
Um abismo de rosas
Onde a sonhar
Eu devo, enfim, sofrer e amar !

Mas hoje que importa
Se tu'alma é fria
Meu coração se conforta
Na tua própria agonia
Se há no meu rosto
Um rir de ventura
Que importa
o mudo desgosto
De minha dor assim,
Sem fim

Se minha esperança
O que não se alcança
Sonhou buscar
Devo calar
Hoje, meu sofrer
E jamais dele te dizer
O amor se é puro
Suporta obscuro
Quase a sorrir
A dor de ver,
A mais linda ilusão morrer.

Humilde, bem vês que vou,
A teus pés levar,
Meu coração que jurou,
Sempre ser, amigo e dedicado,
Tenha, embora, que viver,
Neste sonho enganado,
Jamais direi,
Que assim vivi, porque te amei!


* Fonte: mpbantiga.blogspot.com
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