domingo, 5 de dezembro de 2010

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O CAMINHO BRANCO
Lêdo Ivo

Vou por um caminho branco
Viajo sem levar nada.
Minhas mãos estão vazias.
Minha boca está calada.
Vou só com o meu silêncio
e a minha madrugada.
Não escuto, entre os barrancos,
a voz do galo estridente
que, na treva do terreiro,
anuncia as alvoradas.
Nem mesmo escuto a minha alma:
não sei se ela vai dormindo
ou me acompanha acordada,
se ela é vento ou se ela é cinza
ou nuvem rubra raiante
no dia que se levanta
como vela desdobrada
em nave que corta as vagas.
Não sei nem mesmo se é alma
ou apenas sal de lágrimas.
Vou por um caminho branco
que parece a Via Láctea.
Só sei que vou tão sozinho
que nem sequer me acompanho,
como se eu fosse um caminho
pisado por vulto estranho.
Não sei se é dia ou se é noite
o que surge à minha frente,
se é fantasma do passado
ou vivente do presente.
Não sei se é a torrente clara
da água que corre entre pedras
ou se um gavião me espreita
oculto no nevoeiro,
espantalho prometido
ao meu dia derradeiro.
Atravessando barrancos
e plantações de tomate
e ouvindo o canto escarlate
de airosos galos polacos,
vou por um caminho branco:
brancura de bruma e prata.
Entre tufos de carqueja
há constelações de orvalho
e um clarão de meio-dia
cega a minha madrugada.
Vou como vim, sem saber
a razão da travessia.
Nem sequer levo na boca
o gosto de água salgada
que relembra a minha infância
feita de mar e de mangue.
Nem sequer levo nos olhos
- nos meus olhos de menino -
a mancha rubra de sangue
deixada pelo assassino
que vi certa madrugada.
Vou por um caminho branco
e nada levo nem tenho:
nem ninho de passarinho
nem fogo santo de lenho.
Só vou levando o meu nada.
Foi tudo quanto juntei
para oferecer a Deus
nesta madrugada.

 

Fonte: academia.org.br
Imagem da Internet, by Google

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POST COITUM ANIMAL TRISTE
Fernando Guimarães 



Em ti o poema, o amplo tecido da água ou a forma
do segredo. Outrora conheceste a margem abandonada
do desejo, a sua extensão e principias a entregar
os vasos alongados para receberes as mãos das chuvas.

Apagaram-se junto dos teus olhos as praias, as árvores
que se ergueram um dia sobre as estradas romanas,
o vestígio dos últimos peregrinos, aves nuas
que já desceram, cansadas, pelo interior do teu peito.

Uma voz, no silêncio calmo das águas, esquece
a mentira das primeiras colheitas, onde os nossos gestos
perderam os sorrisos ou o orvalho que os cerca.

Serenamente, começaram a fechar-se os sonhos de Deus
no interior de novos frutos e, abandonado, fico
junto do teu corpo, onde principia a sombra deste poema.

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In Poesias Completas
Imagem da Internet, by Google
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


Relaxing Piano Music by Victor Huynh / Pour Emily


NALGUM LUGAR
e.e. cummings
Tradução: Augusto de Campos
Música e interpretação: Zeca Baleiro

nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas

003

diainternacionaldeficientefisico

No ano de 1982, a Assembleia Geral da ONU – Organização das Nações Unidas, criou um programa que visa atender as necessidades das pessoas com qualquer tipo de deficiência física, o Programa de Ação Mundial para Pessoas com Deficiência.

Dez anos depois, no dia 14 de outubro, a Assembleia instituiu o dia 03 de dezembro como o dia internacional do deficiente físico, para que pudessem conscientizar, comprometer e fazer com que programas de ação conseguissem modificar as circunstâncias de vida dos deficientes em todo o mundo.

 
Fonte do Texto >>>> 
DAQUI
Fonte da imagem >>  DAQUI

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

02/12 – Dia Nacional do Samba

Vídeo >> DAQUI

 

Vídeo >> DAQUI

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

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AMOR PERENE
Anderson Christofoletti

Theos Estin Agapé
Eros Estin Theos”

Não secularizamos segredos sagrados
Nem crucificamos inocentes.

Aprendemos que só o amor rege os seres,
Que só o amor nos destina à moral e dela nos liberta.

Chegamos a procurar o amor nos corações,
Crendo que toda terra seria fértil;
A acreditar que amar, mais que sensações,
Seria ir além de toda matéria possível.

Mas, mesmo assim, fomos condenados
Culpados...
Julgados pela sombra do pecado,
Culpados...
Pelo medo, degredados;
Pelas aparências subjugadas,
Eternamente culpados...

Porém, se hoje me sinto sem fronteiras:
Sem portas, chaves, senhas...
É porque seus olhos de vida me tocaram.

Se hoje não penso no fim
É porque a vejo em mim;
É porque somos corações
Que não se submeteram às leis dos seres.

©Anderson Christofoletti
► Fonte >>
DAQUI 
► Poesia integrante da I Antologia Poética A Voz da Poesia - 2008, pag. 217
► Imagem: pintura de Ed Tadiello

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25 de Novembro - Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

Nao_Violencia_contra_a_mulher

Recomendo essas visitas:

Secretaria de Políticas para as Mulheres

► O post da Ana Merij no blog Literacia Femea… Vale a pena a visita.

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http://literaciafemea.blogspot.com/

► Ponto Final: Uma Campanha  diferenciada que busca mudanças de atitudes e de padrões culturais

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www.campanhapontofinal.com.br/

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