domingo, 30 de novembro de 2008

capa 

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01 - Cantiga Por Luciana - Evinha
(Edmundo Souto e Paulinho Tapajós)
02 - Juliana - Antônio Adolfo e A Brazuca
(Antônio Adolfo e Tibério Gaspar)
03 - Visão Geral - Clara Nunes
(César Costa Filho, Ruy Maurity e Ronaldo Monteiro de Souza) 
04 - Razão de Paz Para Não Cantar - Quarteto Forma
(Eduardo Lages e Alesio Barros)
05 - Minha Marisa - Golden Boys
(Fred Falcão e Paulinho Tapajós)
06 - O Tempo e o Vento - Beth Carvalho
(Jorge Omar e Billy Blanco)
07 - Quem Mandou - Quarteto Forma
(Sergio Bittencourt e Eduardo Souto Neto)
08 - Ave Maria dos Retirantes - Clara Nunes
(Alcyvando Luz e Carlos Coquejo)
09 - Beijo Sideral - Marcos Valle
(Marcos Valle e Paulo Sergio Valle)
10 - Flor Manequim Depois Mulher - Taiguara e Quarteto Forma
(Taiguara)

Vencedores:
1º lugar: Cantiga por Luciana - também 1º lugar na fase internacional;
2º lugar: Juliana
3º lugar: Visão geral
4º lugar: Razão de paz pra não cantar
5º lugar: Minha Marisa

sábado, 29 de novembro de 2008

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1 - Maré Morta - Edu Lobo
     (Edu Lobo e Ruy Guerra)
2 - O Sonho - Egberto Gismonti
      (Egberto Gismonti)
3 - Amada Canta - Claudete Soares
      (Luis Bonfá e Maria Helena Toledo)
4 - Maria é só você - Agora 4
      (Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo)
5 - Mestre Sala - Tuca
      (Reginaldo Bessa e Ester Bessa)
6 - Corpo e Alma - Paulo Cesar
      (Augusta Maria Tavares)
7 - Rainha do Sobrado - Elmo Rodrigues
      (Eduardo Souto Neto)
8 - Rua da Aurora - Lucelena
      (Durval Ferreira e F. Gaspar)
9 - Engano - Márcia
      (R. de Oliveira e F. Cesar)
10 - Por causa de um amor - Paulo Marquez
       (Capiba)
11 - Herói de Guerra - Silvia Maria e O Vocal
       (Adilson Godoi)
12 - Pra não dizer que não falei de flores - Trio Marayá
       (Geraldo Vandré)
13 - Praia só - Geise
       (Irinea Ribeiro)

Vencedores:

Sabiá (Tom Jobim e Chico Buarque), com Cynara e Cybele.
Pra não dizer que não falei de flores, ou "Caminhando" (Geraldo Vandré), com Geraldo Vandré;
Andança (Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós), com Beth Carvalho e Golden Boys.
Passaralha (Edino Krieger), com Grupo 004;
Dia de vitória (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), com Marcos Valle.

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                                                   Imagem: Agencia O Globo


Criado por Augusto Marzagão, o Festival Internacional da Canção (FIC) foi realizado em sete edições, de 1966 a 1972, no Maracanãzinho (RJ). O I FIC foi transmitido pela TV Rio e os demais pela TV Globo. O evento era dividido em duas fases, nacional e internacional. A canção classificada em 1º lugar na fase nacional representava o Brasil na fase internacional do festival, disputando com representantes de outros países o Prêmio Galo de Ouro, desenhado por Ziraldo e confeccionado pela joalheria H. Stern. Apenas duas canções brasileiras foram contempladas com o Galo de Ouro: "Sabiá" (Tom Jobim e Chico Buarque), interpretada por Cynara e Cybele, vencedora em 1968 do III FIC, e "Cantiga por Luciana" (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), interpretada por Evinha, vencedora em 1969 do IV FIC. Destaque para Hilton Gomes, apresentador oficial do FIC, que imortalizou a frase "Boa sorte, maestro!", e para Erlon Chaves, que compôs o "Hino do FIC", tema de abertura do festival.

Finalistas

1966
Saveiros (Dori Caymmi e Nelson Motta), com Nana Caymmi.
O cavaleiro (Tuca e Geraldo Vandré), com Tuca.
Dia das rosas (Luiz Bonfá e Maria HelenaToledo), com Maysa.

1967
Margarida (Gutenberg Guarabyra), com Gutemberg Guarabyra e o Grupo Manifesto.
Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant), com Milton Nascimento (prêmio de melhor intérprete).
Carolina (Chico Buarque), com Cynara e Cybele.
Fuga e antifuga (Edino Krieger e Vinicius de Moraes), com o Grupo 004 e As Meninas;
São os do Norte que vêm (Capiba e Ariano Suassuna), com Claudionor Germano.

1968
Sabiá (Tom Jobim e Chico Buarque), com Cynara e Cybele.
Pra não dizer que não falei de flores, ou "Caminhando" (Geraldo Vandré), com Geraldo Vandré;
Andança (Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós), com Beth Carvalho e Golden Boys.
Passaralha (Edino Krieger), com Grupo 004;
Dia de vitória (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), com Marcos Valle.

1969
Cantiga por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), com Evinha.
Juliana (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar), com A Brasuca;
Visão geral (César Costa Filho, Ruy Maurity e Ronaldo Monteiro de Souza), com César Costa Filho e Grupo 004;
Razão de paz pra não cantar (Eduardo Laje e Alésio Barros), com Cláudia
Minha Marisa (Fred Falcão e Paulinho Tapajós).

1970
BR-3 (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar), com Tony Tornado e Trio Ternura.
O amor é o meu país (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza), com Ivan Lins.
Encouraçado (Sueli Costa e Tite de Lemos), com Fábio;
Um abraço terno em você, viu mãe (Gonzaguinha), com Gonzaguinha;
Abolição 1860-1960 (Dom Salvador e Arnoldo Medeiros), com Luís Antônio, Mariá e o Conjunto Dom Salvador.

1971
Kyrie (Paulinho Soares e Marcelo Silva), com Trio Ternura.
Karany Karanuê (José de Assis e Diana Camargo), com Trio Ternura.
Desacato (Antônio Carlos e Jocáfi), com Antônio Carlos e Jocáfi.
Canção pra senhora (Sérgio Bittencourt), com O Grupo;
João Amém (W. Oliveira e Sérgio Mateus), com Sérgio Mateus.

1972
Fio Maravilha (Jorge Ben), com Maria Alcina.
Diálogo (Baden Powell e Paulo César Pinheiro), com Tobias e Cláudia Regina.
Let me sing (Raul Seixas), com Raul Seixas.
Eu sou eu Nicuri é o diabo (Raul Seixas)

Fontes:
Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira
Wikipédia

Eurynome_and_Ophion
                                                 Jonhaton Earl Bowser


Escreverás meu nome com todas as letras,
com todas as datas,
— e não serei eu.

Repetirás o que me ouviste,
o que leste de mim, e mostrarás meu retrato,
— e nada disso serei eu

Dirás coisas imaginárias,
invenções sutis, engenhosas teorias,
— e continuarei ausente,

Somos uma difícil unidade,
de muitos instantes mínimos,
— isso serei eu,

Mil fragmentos somos, em jogo misterioso,
aproximamo-nos e afastamo-nos, eternamente,
— Como me poderão encontrar?

Novos e antigos todos os dias,
transparentes e opacos, segundo o giro da luz,
nós mesmos nos procuramos.

E por entre as circunstâncias fluímos,
leves e livres como a cascata pelas pedras.
— Que mortal nos poderia prender?

[Biografia - Cecília Meireles]

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

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                                                        imagem da internet


Tentei, um dia, descrever o mistério da aurora marítima.

      Às cinco da manhã a angústia se veste de branco
      E fica como louca, sentada espiando o mar...

Eu a vira, essa aurora. Não havia cor nem som no mundo. Essa aurora, era a pura ausência. A ânsia de prendê-la, de compreendê-la, desde então me perseguiu. Era o que mais me faltava à Poesia:

      E um grande túmulo veio
      Se desvendando no mar...

Mas sempre em vão. Quem era ela de tão perfeita, de tão natural e de tão íntima que se me dava inteira e não me via; que me amava, ignorando-me a existência?

      És tu, aurora?
      Vejo-te nua
      Teus olhos cegos
      Se abrem, que frio!
      Brilham na treva
      Teus seios tímidos...

O desespero inútil das soluções... Nunca a verdade extrema da falta absoluta de tudo, daquele vácuo de Poesia:

      Desfazendo-se em lágrimas azuis
      Em mistério nascia a madrugada...

Lembrava uma mulher me olhando do fundo da treva:

      Alguém que me espia do fundo da noite
      Com olhos imóveis brilhando na noite
      Me quer.

E fora essa a única verdade conseguida. A aurora é uma mulher que surge da noite, de qualquer noite – essa treva que adormece os homens e os faz tristes. Só a sua claridade é amiga e reveladora. Ao poeta mais pobre não seria dado desvendá-la em sua humildade extrema. O poeta Carlos, maior, mais simples, a revelaria em sua pulcritude, a aurora que unifica a expressão dos seres, dá a tudo o mesmo silêncio e faz bela a miséria da vida:

      Aurora,
      entretanto eu te diviso, ainda tímida,
      inexperiente das luzes que vais acender
      e dos bens que repartirás com todos os homens.

      Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
      Adivinho-te que sobes, vapor róseo, expulsando a treva noturna.
      O triste mundo facista se decompõe ao contato de teus dedos,
      teus dedos frios, que ainda não se modelaram
      mas que avançam na escuridão como um sinal verde e peremptório.
      Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
      minha carne estremece na certeza de tua vinda.
      O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes se enlaçam,
      os corpos hirtos adquirem uma fluidez,
      uma inocência, um perdão simples e macio...
      Havemos de amanhecer. O mundo
      se tinge com as tintas da antemanhã
      e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
      para colorir tuas pálidas faces, aurora.

A aurora dos que sofrem, a única aurora. Aquela mesma que eu vira um dia, mas cujo segredo não soubera revelar. Uma mulher que surge da sombra...
Bem haja aquele que envolveu sua poesia da luz piedosa e tímida da aurora!

[A mulher e a sombra - Vinicius de Moraes]

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GIRASSOL
Eugenio Montale

Traz-me um girassol para que o transplante
no meu árido terreno
e mostre todo o dia
ao espelho azul do céu
a ansiedade do teu rosto
amarelento

Tendem à claridade as coisas obscuras
esgotam-se os corpos num fluir
de tintas ou de músicas. Desaparecer
é então a dita das ditas

Traz-me tu a planta que conduz
aonde crescem loiras transparências
e se evapora a vida como essência
Traz-me o girassol de enlouquecidas luzes.


Imagem da Internet, pelo Google


                                                               Fonte

Jograis  de  São  Paulo  formado por:
Alex  Ribeiro,  Rubens de Falco,  Ruy  Affonso e Homero Kosac


O Dia da Criação

Macho e fêmea os criou.
Bíblia: Gênese, 1, 27

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.


O Dia da Criação - Vinicius de Moraes
in Antologia Poética

Fonte:
www.viniciusdemoraes.com.br

sexta-feira, 21 de novembro de 2008



Dindi
Intérprete: Flora Purim
Autores: Tom Jobim, Aloysio de Oliveira - Vrs. Ray Gilbert


Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Prá onde elas vão, ah, eu não sei, não sei
E o vento que toca nas folhas
Contando as histórias que são de ninguém
Mas que são minhas e de você também
Ai, Dindí
Se soubesses o bem que eu te quero
O mundo seria, Dindí, tudo, Dindí, lindo, Dindí
Ai, Dindí
Se um dia você for embora me leva contigo, Dindí
Olha, Dindí, fica, Dindí
E as águas desse rio
Onde vão, eu não sei
A minha vida inteira, esperei, esperei por vo...cê, Dindí
Que é a coisa mais linda que existe
É você não existe, Dindí


Three_Women
                                         imagem de Charles Courtney Curran


O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo.


[O Poema - Sophia de Mello Breyner Andresen]

terça-feira, 18 de novembro de 2008

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imagem da internet

Não sei dizer o que é o amor
nos passados onde o amor se cansa,
sentido e vivido, colhido em ramo ou em flor,
o que ele canta sobra ainda nesta dança.

Podia estendê-lo na frase sem sujeito,
fazer dele um advérbio, cabelo sem trança,
vê-lo descer como rio sobre o peito,
inundar o corpo na manhã que avança.

Deixá-lo ficar nos olhos sem destino,
tê-lo amarrado ao desejo que esconde.
E persegui-lo quando parece mais longe,

trazê-lo aqui mais perto, vê-lo pequenino.
O amor voa sem ter de subir ao céu,
encobre o rosto quando fica sem véu.

[Rimas Soltas - Nuno Júdice]

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DESTINO DO POETA
Octávio paz

Palavras? Sim. De ar
e perdidas no ar.
Deixa que eu me perca entre palavras,
deixa que eu seja o ar entre esses lábios,
um sopro erramundo sem contornos,
breve aroma que no ar se desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.

Imagem da Internet, pelo Google
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
poeta

DIALÉTICA DO POEMA
Francisco Carvalho

Fazer um poema
não é dizer coisas profundas.
É ver as coisas como as coisas não são.
Fazer um poema não é viajar no espelho.
É ir à procura do rosto do homem
perdido na escuridão.
É descer às raízes do sangue e do mito.
Fazer um poema é estar em conflito
com os dedos da mão.

Imagem da Internet, via Google
quinta-feira, 13 de novembro de 2008

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                                              imagem: Chen Chong Ping


Deixa-me errar alguma vez,
porque também sou isso: incerta e dura,
e ansiosa de não te perder agora que entrevejo
um horizonte.
Deixa-me errar e me compreende
porque se faço mal é por querer-te
desta maneira tola, e tonta, eternamente
recomeçando a cada dia como num descobrimento
dos teus territórios de carne e sonho, dos teus
desvãos de música ou vôo, teus sótãos e porões
e dessa escadaria de tua alma.

Deixa-me errar mas não me soltes
para que eu não me perca
deste tênue fio de alegria
dos sustos do amor que se repetem
enquanto houver entre nós essa magia.

[Canção para um desencontro - Lya Luft]



Memória da Pele
Intérp.: Rosa Passos e Lula Galvão
Autores: João Bosco/Waly Salomão



Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha carne da sua boca, coração
Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei, não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça e que borbulha agora na taça da minha cabeça
Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca, coração

Memória da Pele
Intérprete: Rosa Passos e Lula Galvão
Composição: João Bosco / Waly Salomão
Do CD João Bosco - Songbook - CD 1
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
HighB 


OUTRO RETRATO
José Paulo Paes

O laço de fita
que prende os cabelos
da moça no retrato
mais parece uma borboleta.

Um ventinho qualquer
e sai voando
rumo a outra vida
além do retrato.

Uma vida onde os maridos
nunca chegam tarde
com um gosto amargo
na boca.

Onde não há cozinhas
pratos por lavar
vigílias, fraldas sujas
coqueluches, sarampos.

Onde os filhos não vão
um dia estudar fora
e acabam se casando
e esquecem de escrever.

Onde não sobram contas
a pagar nem dentes
postiços nem cabelos
brancos nem muito menos rugas.

Um ventinho qualquer...
O laço de fita
prende sempre - coitada! -
os cabelos da moça.


imagem: William Whitaker
terça-feira, 11 de novembro de 2008

ausencia_43
imagem da internet


Volta até mim, no silêncio da noite
A tua voz que eu amo
E as tuas palavras que eu não esqueço
Volta até mim para que a tua ausência
Não embacie o vidro da memória, nem o transforme
No espelho baço dos meus olhos
Volta com os teus lábios, cujo beijo
Sonhei num estuário...
Vestido com a mortalha da névoa
E traz contigo a maré da manhã
Com que todos os náufragos sonharam

[Volta Até Mim, No Silêncio Da Noite... - Nuno Júdice]




PRECISO ME ENCONTRAR
Candeia
Interp.: Marisa Monte


Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar  (2x)
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Depois que eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Depois, depois
Que eu me encontrar
Quando eu me encontrar
Depois, depois
Depois que eu me encontrar


sábado, 8 de novembro de 2008




Das Rosas
Comp. Dorival Caymmi
Intérprete: Ana Salvagni


Nada como ser rosa na vida
Rosa mesmo ou mesmo rosa mulher
Todos querem muito bem a rosa
Quero eu...
Todo mundo também quer
Um amigo meu disse que em samba
Canta-se melhor flor e mulher
E eu que tenho rosas como tema
canto no compasso que quiser
Rosas... rosas... rosas...
Rosas formosas são rosas de mim
Rosas a me confundir
Rosas a te confundir
Com as rosas, as rosas, as rosas, de abril
Rosas... rosas... rosas...
Rosas mimosas são rosas de ti
Rosas a me confundir
Rosas a te confundir
Com as rosas, as rosas, as rosas de abril
Rosas a me confundir
Rosas a te confundir
São muitas... são tantas
São todas tão rosas


Do CD: Ana Salvagni - Avarandado - (2004)

Perrault_Leon_Jean_Basile_Son_favori
                                  imagem: Bazile Perrault


Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.

[Um Dia - Sophia de Mello Breyner Andresen]


As musas eram nove deusas das artes e ciências na mitologia grega. Eram filhas de Zeus, o rei dos deuses, e de Mnemosine, a deusa da memória. Cada musa protegia uma certa arte ou ciência. Viviam no Monte Olimpo com seu líder, o deus Apolo. Com ele permaneciam jovens e belas eternamente, e com ele aprenderam a cantar. Podiam ver o futuro, o que poucos deuses podiam fazer, tinham também o dom de banir toda tristeza e dor. As musas tinham vozes agradáveis e melódicas e freqüentemente cantavam em coro. Os primeiros escritores e artistas gregos pediam inspiração às musas antes de começar a trabalhar. Qualquer uma delas podia ser invocada, apesar de cada uma proteger uma arte ou ciência especial. Musa é uma palavra que vem do grego "mousa"; dela derivam museu que, originalmente significa "templo das musas", e música que significa "arte das musas".

 urania                                  

 

URÂNIA

A ela foi atribuida a Astronomia.

 

 

 

 


Significado do nome: Rainha das montanhas
Musa da astronomia e da astrologia. Ela é representada com um globo na mão esquerda e um compasso na direita. Urânia veste-se com um manto bordado com estrelas e mantém seus olhos fixos no céu.

                              Thalia

 

THALIA

A ela foi atribuida a Comédia.

 

 

 

 


Significado do nome: Festividade
Musa da comédia, seu símbolo é uma máscara cômica.
Talia também é o nome de uma das Graças (Cáritas).  Kalliope                                   




KALLIOPE

A ela foram atribuidas a Eloqüência, Epopéia e Poesia Épica.

 

 



Significado do nome: Formoso rosto
Considerada a chefe das Musas, é a Musa da poesia épica. Algumas vezes é retratada carregando uma tábua de escrever. Calíope sabia tocar qualquer instrumento.

Polyhymnia






POLÍMNIA

A ela foi atribuida a Retórica e a Poesia Sacra.

 

 

 

 

Significado do nome: Muitas canções
Musa da poesia sacra e dos hinos; seu símbolo é um véu e é sempre retratada com um semblante sério e pensativo.

 
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EUTERPE

A ela foi atribuida a Música e a Poesia Lírica.

 

 

 

 

Significado do nome : Delícia
Musa da música e da poesia lírica, seu símbolo é a flauta. Dizem que foi ela que inventou a flauta e outros instrumentos de sopro.

Erato

 

 


ÉRATO

A ela foi atribuida a Poesia de Amor.

 

 

 

 

 


Significado do nome: Adorável
Musa da poesia lírica (elegia), particularmente a poesia amorosa ou erótica, e da mímica. Ela é representada usualmente com uma lira.


Klio

 

 

 

KLIO
A ela foi atribuida a História.

 

 

 

 

Significado do nome  Proclamadora
Musa da História. Com Pierus, rei da Macedônia, ela é a mãe de Jacinto. A ela é atribuída a introdução do alfabeto fenício na Grécia. Seus símbolos usuais são um rolo de pergaminho ou um conjunto de tábuas para a escrita.
As vezes é retratada carregando uma cesta com livros.

Terpsichore

 

 

 

TERPSICHORE

A ela foi atribuida a Dança.

 

 

 


Significado do nome: Delícia de dançar
Musa da dança, seu símbolo é uma lira ou címbalos. Inventou a dança, usa uma coroa de louros e está sempre carregando um instrumento musical em suas mãos.
De acordo com algumas tradições, Terpsícore é a mãe das sereias com o deus ribeirinho Aquelau.

Melpomene

 

 


MELPOMENE

A ela foi atribuida a Tragédia.

 

 

 


Significado do  nome: Coro
Musa da tragédia. Ela é usualmente representada com uma máscara trágica e usando os coturnos (botas tradicionalmente gastas e usadas pelos atores de dramas). Algumas vezes ela segura uma faca ou bastão em uma mão, e a máscara na outra.

 
Fonte e imagens da internet

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Pompeo_Batoni_Apollo_and_musas_da_musica_e_poesia_euterpia_e_urania 
   imagem: Pompeo Battoni (Apollo, Euterpia e Urania:
                                     deusas da música e da poesia)


O Deus da parecença
que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza
em sentimento
que nos pluraliza
que nos banaliza
por baixo e por dentro,
foi este Deus que deu
destino aos meus versos,

Foi Ele quem arrancou deles
a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de indivíduo
ainda maior, embora mais justa.

Me assusta e acalma
ser portadora de várias almas
de um só som comum eco
ser reverberante
espelho, semelhante
ser a boca
ser a dona da palavra sem dono
de tanto dono que tem.

Esse Deus sabe que alguém é apenas
o singular da palavra multidão
É mundão
todo mundo beija
todo mundo almeja
todo mundo deseja
todo mundo chora
alguns por dentro
alguns por fora
alguém sempre chega
alguém sempre demora.

O Deus que cuida do
não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa
de similitude
bateu-me no peito do meu amigo
encostou-me a ele
em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo:
a solidão da bravura
a solidão do medo
a solidão da usura
a solidão da coragem
a solidão da bobagem
a solidão da virtude
a solidão da viagem
a solidão do erro
a solidão do sexo
a solidão do zelo
a solidão do nexo.

O Deus soprador de carmas
deu de eu ser parecida
Aparecida
santa
puta
criança
deu de me fazer
diferente
pra que eu provasse
da alegria
de ser igual a toda gente

Esse Deus deu coletivo
ao meu particular
sem eu nem reclamar
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.

Não fosse a inteligência
da semelhança
seria só o meu amor
seria só a minha dor
bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança


[O Poema do Semelhante - Elisa Lucinda]

Ex_Animo

ACALANTO

Ada Ciocci

Vai amado.
Busca por onde quiseres,
com quem quiseres,
como quiseres,
o prazer.
Até mesmo,
aquele prazer que um dia alguém apelidou de amor.
E, se por acaso te cansares e,
do compromisso que um dia nos uniu te lembrares,
se desejares, volta.
Serei a que conforta.
Não saberás da dor,
da saudade,
das lágrimas sentidas que tua ausência causou.


imagem: Tomasz  Rut

Cantiga
Intérprete: Ceumar
Autor: Zeca Baleiro 


Flower não é flor
Mas eu te dou meu amor,
little flower
Sete cravos, sete rosas,
liro-liro lê, liro-liro lá
Girândolas, girândolas
Give me your love
Love me alive
Leve me leve
Nas asas da borboleta leta
Que borbole bole - bole
Sol que girassole,
Sole mio amore
Flore me now and forever
Never more flores
Never more flores

Do CD Dindinha

John Henry Twachtman

 
Clique na imagem para entrar no álbum do Picasa

John Henry Twachtman, pintor americano, nasceu em 4 de agosto de 1853, e faleceu em 8 de agosto de 1902.
O seu estilo de pintura variou amplamente ao longo de sua carreira. Historiadores de arte consideram que o estilo de Twachtman de impressionismo é entre o mais pessoal e experimental de sua geração. Fazia parte de um movimento chamado de "Os Dez", um grupo aliado de artistas americanos descontentes com organizações de artes profissionais que se uniram em 1898 para exibir os seus trabalhos num grupo de estilos unificado. 
Twachtman nasceu em Cincinnati, Ohio e a sua primeira pintura foi treinando lcom Frank Duveneck.
Como a maioria dos artistas da era, Twachtman foi então para a Europa para se aprimorar, matriculando-se  na Academia de Belas artes em Munique em 1875 e visitou Veneza com Duveneck e William Merritt Chase.
As suas paisagens deste periodo exibem as técnicas que ensinou em Munique.
Twachtman também aprendeu gravura, e às vezes levava chapas onde registrava uma cena que surgia de repente, para depois passar pra tela.
Depois de um retorno breve para a América, Twachtman estudou de 1883 a 1885 ao Académie Julian em Paris, e as pinturas dele trocaram dramaticamente para um estilo de tonalidade macio, cinza e verde. Durante este tempo pintou o que alguns historiadores de arte consideram ser as suas maiores obra-primas, inclusive Arques-la-Bataille, na coleção do Museu Metropolitano de Arte em Nova Iorque, e Estação da primavera, na coleção do Cincinnati Arte Museu.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Angel_of_Capricorn
                                               imagem: Jonhaton Earl Bowser 


Têm todos bocas cansadas
e almas claras, sem orla.
E passa-lhes por vezes pelos sonhos
uma saudade (como de pecado).
Parecem-se quase todos uns aos outros;
estão calados nos jardins de Deus,
como muitos, muitos intervalos
no seu poderio e melodia.
Só quando desdobram as asas
é que despertam qualquer vento:
Como se Deus, com as suas largas
mãos de estatuário, passasse
as folhas do escuro Livro do Princípio


[Os anjos - Rainer Maria Rilke]


                              Imagem: Washington Maguetas

 
Vamos ter lençóis de aura ligeira,
profundo divã como um mausoléu,
e flores estranhas na prateleira
abertas pra nós sob um outro céu.

No fim da paixão, chama derradeira,
nossos corações, como um fogaréu,
irão refletir sua luz parceira
nas almas iguais, espelhos sem véu.

Numa tarde rosa e azul-desmaio,
nós vamos trocar um único raio,
um longo soluço cheio de adeus;

e depois um Anjo, ao abrir as portas,
dará vida novas aos teus e meus
espelhos sombrios e chamas mortas.


A Morte dos Amantes  - Charles Baudelaire
Ttradução Jorge Pontual

Dizziness_Iman_Maleki
                                            imagem: Iman Maleki


De tal modo é,
que eu jamais negá-lo poderia:
sou agarrada na saia da poesia!
Para dar um passeio que seja,
uma viagem de carro avião ou trem,
à montanha, à praia, ao campo,
uma ida a um consultório
com qualquer possibilidade, ínfima que seja, de espera,
passo logo a mão nela pra sair.
É um Quintana, uma Adélia, uma Cecília, um Pessoa
ou qualquer outro a quem eu ame me unir.
Porque sou humano e creio no divino da palavra,
pra mim é um oráculo a poesia!
É meu tarô, meu baralho, meu tricot,
meu i ching, meu dicionário, meu cristal clarividente, meus búzios,
meu copo d'água, meu conselho, meu colo de avô,
a explicação ambulante para tudo o que pulsa e arde.
A poesia é síntese filosófica, fonte de sabedoria, e bíblia dos que,
como eu, crêem na eternidade do verbo,
na ressurreição da tarde
e na vida bela.
Amém!


[Credo - Elisa Lucinda in "A Fúria da Beleza"]

quarta-feira, 5 de novembro de 2008



A Medida da Paixão
Interprete: Adriana Godoy
Autor: Lenine


É como se a gente
Não soubesse
Prá que lado foi a vida
Por que tanta solidão?
E não é a dor
Que me entristece
É não ver uma saída
Nem medida da paixão (2x)
Foi
O amor se foi perdido
Foi tão distraído
Que nem me avisou
Foi
O amor se foi calado
Tão desesperado
Que me machucou
É como se a gente
Pressentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa aflição
E ficou o cheiro pelo ar
Ficou o medo de ficar
Vazio demais meu coração
Foi
O amor se foi perdido
Foi tão distraído
Que nem me avisou
Nem me avisou
Foi
O amor se foi calado
Tão desesperado
Que me maltratou

Do CD Adriana Godoy - Todos os Sentidos - 2003
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
botlle 

TEMPESTADE
Vanessa Marques

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...


Imagem da /Internet, via Google
sábado, 1 de novembro de 2008
meiklejohn_graphics__power_of_light



MULHERES
Angélica Torres

Neste início de tarde
fim de manhã do verão

o sol me divide
nas várias mulheres

que me antecederam
e nas que virão

grávidas de luas
na fase obscura

com um abismo
no peito

imagem: Meikle John

Salvador_Dali_Figura_en_une_Finestra 
                   imagem: Salvador Dali


De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?

De quem é esta saudade,
de quem?

Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios-desejo...

E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo...

De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?

[Saudade - Gilka Machado]

davinci 
                                                                            imagem da internet

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