sábado, 9 de abril de 2011

CANÇÃO DA CHEGADA
Maria da Conceição Bentes

Talho meu compasso nos teus passos
colhendo sonhos
esculpidos na eternidade

Coloca-me em teu regaço
ilustrando-me em tua vida
na hora efêmera em que dispo tua alma

Desfolha-me em palavras,
depõe tua música nas ondas
do teu sorriso
e retira a descrença
do meu coração inválido

0-3

Imagem: pintura de Pio Blanchi (1848-1917)

DESEJO
Gonçalves Dias

Ah! que eu não morra sem provar, ao menos
Sequer por um instante, nesta vida
Amor igual ao meu!
Dá, Senhor Deus, que eu sobre a terra encontre
Um anjo, uma mulher, uma obra tua,
Que sinta o meu sentir;
Uma alma que me entenda, irmã da minha,
Que escute o meu silêncio, que me siga
Dos ares na amplidão!
Que em laço estreito unidas, juntas, presas,
Deixando a terra e o lodo, aos céus remontem
Num êxtase de amor!
barrinha_3
©Gonçalves Dias
In Primeiros Cantos, 1846
Imagem: Talantbek Chekirov

SOU O QUE SEREI
Augusto Frederico Schmidt


Às vezes me abandono inteiramente a saudades estranhas
E viajo por terras incríveis, incríveis.
Outras vezes porém qualquer coisa à-toa –
O uivo de um cão na noite morta,
O apito de um trem cortando o silêncio,
Uma paisagem matinal,
Uma canção qualquer surpreendida na rua –
Qualquer coisa acorda em mim coisas perdidas no tempo
E há no meu ser uma unidade tão perfeita
Que perco a noção da hora presente, e então

Sou o que fui.
E sou o que serei.

barrinha_5

Imagem da Internet, via Google

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