quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Padre Fábio de Mello

Somos muitos, mesmo sendo dois!
Eu queria ser poeta, conhecer o ofício de recolher palavras. Realizar a proeza de desvendar silêncios e descobrir o que o outro fala mesmo quando ele não diz.
Eu queria ser amigo dos versos, possuir asas que à inspiração pertencem. E alcançar a palavra que possa ser a tradução do amor que sinto por você.
Mas de poeta eu só possuo os óculos. Óculos são instrumentos que ampliam a visão. O amor também. E já que não sou poeta o amor é o que me resta.
Desde quando a vida me permitiu conhecer você, tenho experimentado a beleza do significado da amizade.
Quando nossos caminhos se encontraram foi a primeira vista. Depois daquele encontro meu mundo ficou mais bonito.
Sua presença quando os dias eram difíceis. Quando pensei que felicidade era coisa do outro mundo, sua palavra me convenceu que eu deveria continuar.
Suas alegrias, despertando minhas alegrias; suas risadas me fazendo rir também.
Nossas madrugadas de conversas. Vida dividida nas pequenas coisas.
Costura do tempo nos aproximando sempre mais.
Mas quando surgiram nossas diferenças, quando descobrimos nossos maiores defeitos.
Discussões desaforadas. A promessa de que eu iria embora definitivamente de sua vida e de que nunca mais voltaria a pronunciar seu nome.
Mas depois a saudade, a ausência mensurada, o arrependimento, o pedido de perdão e o aprendizado de que quanto mais a gente ama, muito mais a gente precisa perdoar.
E o perdão é a continuidade do amor. Obrigado por ter me ajudado a entender isso.
Estar ao seu lado é sempre motivo de festa. Quando estamos juntos a vida ganha significado diferente. Retiramos o dia comum do calendário e o transformamos em feriado. Extraímos felicidades das coisas mais simples e multiplicamos a graça de cada instante.
Eu não sei dizer quem eu sou sem me recordar de você.
Se da minha vida eu sou o sujeito, você é o adjetivo.
Você me empresta qualidade, você me devolve quando sou roubado. Você me encontra quando estou perdido.
Pode ser que um dia a gente venha se perder nas distâncias deste mundo. Pode ser que um dia a gente se separe. Nem sempre a vida respeita o que a gente quer.
Mas uma coisa é certa: Se pela força da distância você se ausentar, pelo poder que há na saudade há de voltar.
Mesmo que o tempo passe, você fique velhinho e viva aquela fase: põe meu amigo no sol, tira meu amigo do sol.
Mesmo que você perca toda sua utilidade. Dentro de mim você continuará tendo significado.
E haverá sempre um lugar reservado dentro da minha casa para você chegar, quando quiser.
Eu não gostaria que a morte nos alcançasse sem antes poder lhe dizer, que nas miudezas dos meus dias que passam, você é um grande acontecimento que permanece.
Amar é um recurso humano que nos faz eternos.
Retira da mira do tempo e aconchega a pessoa amada na certeza: você não vai passar!
Hoje, neste dia que a vida nos permitiu um encontro nestas páginas, neste instante em que seus olhos se ocupam das palavras que meu coração resolveu improvisar.
Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que sou.
Pela sua capacidade de me olhar devagar, já que nesta vida muita gente já me olhou depressa demais.
Eu que nem sempre soube acertar. Aprendi com você que arrependimento é bem melhor do que culpa.
Obrigado por você não ter desistido de mim.
Obrigado pelo seu dom de multiplicar o que sou e o que posso.
Eu, que na solidão dos meus dias sou tentado a pensar pequeno…
Quando o encontro, sou sempre surpreendido com seu poder de me fazer ver o mundo com as mesmas lentes dos poetas.
Obrigado, hoje e sempre!
O que nos torna amigos é a capacidade de sermos muitos, mesmo quando somos dois!

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In Amigo: Somos muitos, mesmo sendo dois
Autor: Padre Fábio de Melo
Editora: Gente, 2007

Imagem: Christian Asuh

3 comentários:

Anônimo disse...

amo esse livro lindo lindo

May Cirino Alves disse...

Livro otimo

Lidia Santos disse...

Maravilhoso... Pe.Fabio homem de Deus ungido pelo Espírito Santo.

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