terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

COMPLETAS
Manuel António Pina

A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em obscuros sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demônios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que eu adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

galho_rosa

In O Caminho de Casa, 1989
Fonte da imagem: fottus.com

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


YOU ARE LOVED (DON'T GIVE UP) - JOSH GROBAN
Você é amado (Não desista)

Don't give up
Não desista

It's just the weight of the world
É só o peso do mundo

When your heart's heavy
Quando o seu coração pesa

I...I will lift it for you
Eu, eu vou "segura-lo" para você

Don't give up
Não desista

Because you want to be heard
Porque você quer ser escutado

If silence keeps you
Se o silêncio te "segura"

I...I will break it for you
Eu vou quebra-lo para você

Everybody wants to be understood
Todo mundo quer ser entendido

Well, I can hear you
Bem, eu posso te ouvir

Everybody wants to be loved
Todo mundo quer ser amado

Don't give up
Não desista

Because You Are Loved
Porque você é amado

Don't give up
Não desista

It's just the hurt that you hide
É só o machucado que você esconde

When you're lost inside
Quando você está perdido por dentro

I'll be there to find you
Eu estarei lá para te achar

Don't give up
Não desista

Because you want to burn bright
Porque você quer "brilhar"

If darkness blinds you
Se a escuridão te cega

I...I will shine to guide you
Eu vou brilhar para te guiar

Everybody wants to be understood
Todo mundo quer ser entendido

Well, I can hear you
Bem, eu posso te ouvir

Everybody wants to be loved
Todo mundo quer ser amado

Don't give up
Não desista

Because You Are Loved
Porque você é amado

(You Are Loved)
(Você é amado)

You Are Loved
Você é amado

(You Are Loved)
(Você é amado)

Don't give up
Não desista

(Don't give up)
(Não desista)

It's just the weight of the world
É só o peso do mundo

(You Are Loved)
(Você é amado)

Don't give up
Não desista

(Don't give up)
(Não desista)

Everyone needs to be heard
Todo mundo precisa ser escutado

(Don't give up)
(Não desista)

You Are Loved
Você é amado

(You Are Loved)
(Você é amado)

(Don't give up)
(Não desista)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Porque Era Ela, Porque Era Eu
Chico Buarque

Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu

 

Aqui Chico explica a frase:
"Acho a coisa mais simples, mais definitiva, pra explicar o amor entre duas pessoas: gostava dela porque era ela, porque era eu."

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

POESIA: FAZ ESCURO, MAS EU CANTO
AUTOR: Thiago de Mello
MÚSICA: Monsueto
CONVIDADOS:
Raízes Caboclas, Márcia Siqueira, Nilson Chaves, Eliakin Rufino, Eudes Fraga e Sebastião Tapajós.

DVD "Thiago de Mello contando e cantando entre amigos"

Faz escuro mas eu canto,
porque a manhã vai chegar.
Vem ver comigo, companheiro,
a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar
a cor do mundo mudar.
Já é madrugada,
vem o sol, quero alegria,
que é para esquecer o que eu sofria.
Quem sofre fica acordado
defendendo o coração.
Vamos juntos, multidão,
trabalhar pela alegria,
amanhã é um novo dia.

©Thiago de Mello
In Faz escuro mas eu canto, 1966

domingo, 5 de fevereiro de 2012

ENTARDECER NO SERTÃO
Luís Carlos Mordegane


Como é lindo o teu entardecer sertão!
    Faço de minhas palavras versos pra ti...
    Das estradas de terra por toda imensidão
    Ouvir ao  longe o piar alegre da juriti.
    

    Raios a refletirem teus brilhos pelo  chão
    Traz a lembrança das límpidas águas da fonte
    Tão límpidas que reluz e ofusca a visão
    Em contraste com as sombras no alto do monte
    

    A encobrirem  os raios brilhantes  do sol.
    Mostra a terra de um vermelho escaldante
    Quando começa se esconder por detrás do paiol
    E outras terras aquecer com tua luz radiante...
    

    Muge o gado lá no canto da invernada
    Canta nos galhos a passarada
    Pia o nhanbú lá na baixada
    No terreiro o som do monjolinho...
    

    Lembro minha casinha no pé da serra
    No alpendre minha cabocla me espera
    Como é doce o cheiro da minha terra
    Como é lindo o teu entardecer sertão!

barrinhas1 
Fontes:
Luís Carlos Mordegane >>
DAQUI
Imagem: Ricardo Boaventura >> DAQUI

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ACORRENTADOS
Paulo Mendes Campos


Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.

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In O Anjo Bêbado, 1969
Imagem:
Mary Baxter St. Clair

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