sexta-feira, 4 de maio de 2012

FANTASIA
Alfredo Brochado


Há uma mulher em toda a minha vida,
Que não se chega bem a precisar.
Uma mulher que eu trago em mim perdida,
Sem a poder beijar.

Há uma mulher na minha vida inquieta.
Uma mulher? Há duas, muitas mais,
Que não são vagos sonhos de poeta,
Nem formas irreais.

Mulheres que existem, corpos, realidade,
Têm passado por mim, humanamente,
Deixando, quando partem, a saudade
Que deixa toda a gente.

Mas coisa singular, essa que eu não beijei,
É quem me ilude, é quem me prende e quer.
Com ela sonho e sofro... Só não sei
Quem é essa mulher.

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Sobre o autor:

Alfredo Monteiro Brochado, nasceu na freguesia de S. Gonçalo, Concelho de Amarante a 3 de Fevereiro de 1897
Faleceu em 16 de Maio de 1949, em Lisboa e ocupou por último o cargo de Chefe de Secretaria da Procuradoria Geral da República.

Imagem > DAQUI

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SONETO DO AMOR COMO UM RIO
Vinicius de Moraes

Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real, e que, contudo
Eu já não cria que existisse mais.

Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é o túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.

Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo

E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.

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Montevidéu, 1959

In Para viver um grande amor (crônicas e poemas)
in Livro de Sonetos
In Poesia completa e prosa: "A lua de Montevidéu"

Imagem da internet via Google, sem identificação de autoria

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