domingo, 4 de dezembro de 2011
TEMPO DE POESIA
Antonio Gedeão

Todo o tempo é de poesia

Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.

Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia

Todo o tempo é de poesia

Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas que amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.
barrinha_9
In Movimento Perpétuo, 1956
quinta-feira, 24 de novembro de 2011

SE O AMOR QUISER VOLTAR
Comp.: Vinicius de Moraes e Toquinho
Intérprete: Maria Creuza

Se o amor quiser voltar
Que terei pra lhe contar
A tristeza das noites perdidas
Do tempo vivido em silêncio
Qualquer olhar lhe vai dizer
Que o adeus me faz morrer
E eu morri tantas vezes na vida
Mas se ele insistir
Mas se ele voltar
Aqui estou sempre a esperar

quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Dá um abraço?
Macedo Junior (TrovadorPR)

De repente deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
de amizade... sei lá...
Talvez um aconchego amigo e meigo,
que enfatize a vida e amenize as dores...
Que fale sobre os amores,
seja afetuoso e ao mesmo tempo forte.
Deu vontade, de poder ter saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço...
Mas que faça lembrar do carinho,
que surge, devagarinho,
da magia da união dos corpos,
das auras... sei lá.
Lembrar do calor das mãos,
acariciando as costas a dizer:
- Estou aqui!
Lembrar do enlaçar dos braços,
envolventes e seguros,
afirmando: - Estou com você!.
Lembrar da transfusão de forças,
ou até da suavidade do momento... sei lá...
Então, pensei em como chamar esse abraço:
abraço poesia, abraço força,abraço união,
abraço suavidade, abraço consolo e compreensão,
abraço segurança e justiça, abraço verdade,
abraço cumplicidade? 
Mas o que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energias, que harmoniza,
integra o todo e se traduz no cosmos,
no tempo e no espaço...
Só sei que agora deu vontade desse abraço.
Um abraço que desate os nós,
transformando-os em envolventes laços.
Que sirva de colo, afastando toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima de alegria,
e acalme o coração...
Um abraço que traduza a amizade,
o amor e a emoção...
E para um abraço assim ,
Só consegui pensar em você!
Nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade,
que sabe entender o por quê,
dessa minha vontade.
barrinha_2
Nota:
esta poesia circulou por algum tempo sendo creditada a Vinicius de Moraes.
Nessas idas e vindas  de pps e afins, foi sofrendo alterações à revelia do verdadeiro autor.
A gravação foi baseada numa dessas modificações, mas o texto postado é o original, que você pode comprovar >>
AQUI
Fontes:
Áudio:
A Voz da Poesia
Imagem: via Google
Voz: Sereníssima

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ARTE POÉTICA
Jorge Luis Borges

Mirar o rio, que é de tempo e água,
E recordar que o tempo é outro rio,
Saber que nos perdemos como o rio
E que passam os rostos como a água.

E sentir que a vigília é outro sonho
Que sonha não sonhar, sentir que a morte,
Que a nossa carne teme, é essa morte
De cada noite, que se chama sonho.

E ver no dia ou ver no ano um símbolo
Desses dias do homem, de seus anos,
E converter o ultraje desses anos
Em uma música, um rumor e um símbolo.

E ver na morte o sonho, e ver no ocaso
Um triste ouro, e assim é a poesia,
Que é imortal e pobre. A poesia
Retorna como a aurora e o ocaso.

Às vezes, pelas tardes, uma face
Nos observa do fundo de um espelho;
A arte deve ser como esse espelho
Que nos revela nossa própria face.

Contam que Ulisses, farto de prodígios,
Chorou de amor ao avistar sua Ítaca
Humilde e verde. A arte é essa Ítaca
De um eterno verdor, não de prodígios.

Também é como o rio interminável
Que passa e fica e que é cristal de um mesmo
Heráclito inconstante que é o mesmo
E é outro, como o rio interminável.

barrinha_9

In O Fazedor, 1987
Tradução de Rolando Roque da Silva
Imagem: Washington Maguetas

'Um belo poema sempre leva a Deus”

Para algumas pessoas a poesia faz sentido, salva, resgata.
Às vezes acontece de nos afastarmos da poesia, mas um Poeta me dizia que ela volta. Sempre. E eu penso cá comigo: Que bom!
Poeta, amigo querido, nesse momento é ela que me alcança a mão e me traz de volta.
Meu afastamento da internet foi – e ainda é – por motivos de saúde. E a minha volta também. O estado de saúde de
D.Rosa se agrava a cada dia e nesse momento percebo que ela – a poesia – é uma companheira fiel.
OBRIGADA a todos os poetas que soltam as suas poesias como folhas ao vento, sem sequer supor onde vão cair, e do que são capazes de fazer na alma daqueles que abrem as portas do coração e as deixam entrar.

 

PRESENÇA
Anderson Christofoletti

Comunhão da presença;
Precisão imprecisa:
Vôo inverso à fusão das vidas
Em uma só vida.
Costume da presença
- tácita -
Silentes verbos de frases necessárias,
Cálida ausência
Da minha
- tua -
Melhor parte.
Meu horizonte por teus olhos
Consagra-se infinito:
Janela aberta,
Céu azul,
Promessa de vida...

Como sonhar sem asas,
Quando, em mim,
Eras manhã de sol
Tatuada sobre sombras?

Qual caminho seguir
Sem tua estrada?

Quem sou,
se sinto que estou
em tua - minha -
alma amputada:

em tua mão,
meu afago;

em teu toque,
meu sentido;

em tua boca,
minha palavra;

em teu corpo,
minha morada;

em teu espírito,
minha poesia.

Quando estás comigo,
Sou mais;
Quando estou contigo,
Estou em paz.

barrinha_rosa1

Leia mais do autor: AQUI e AQUI

imagem sem ident. de autoria - via Google

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Estarei ausente por um tempo.

 

“Volta, com medo e tudo.”

Foi.

E começou a redescobrir que coragem, na maioria das vezes, é apenas voltar para o próprio coração. É apenas calar a ausência devastadora e infértil dele. É apenas sair do lugar para um ponto um pouquinho mais espaçoso e espalhador de sementes. É apenas seguir. Com medo e tudo.


 

 

Ana Claudia Saldanha Jácomo In Cheiro de Flor Quando Ri

domingo, 12 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011

Feliz Dia dos Namorados!

PARA O MEU CORAÇÃO
Pablo Neruda

Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.

És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.


Pablo Neruda
In Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada

Mais do autor:
www.avozdapoesia.com.br/pabloneruda

Feliz Dia dos Namorados!

AMAR TEUS OLHOS
Carlos Melo Santos

Podia com teus olhos
escrever a palavra mar.
Podia com teus olhos
escrever a palavra amar
não fossem amor já teus olhos.

Podia em teus olhos navegar
conjugar os verbos dar e receber.
Podia com teus olhos
escrever o verbo semear
e ser tua pele
a terra de nascer poema.

Podia com teus olhos escrever
a palavra além ou aqui
ou a palavra luar,
recolher-me em teus olhos de lua
só teus olhos amar.

Podia em teus olhos perder-me
não fossem, amor, teus olhos,
o tempo de achar-me.

 

Carlos Melo Santos
In Lavra de Amor

“Sonhar contigo é quase como
saber que existo para além de mim”

coracao_namorado

A VERDADE É QUE FOMOS FEITOS
Raul de Carvalho

A verdade é que fomos
feitos do mesmo sangue
violento e humilde

A verdade é que temos
ambos a graça de compreender
todos os homens e todas as estrelas

A verdade é que Deus
nos ensinou
que este é o tempo da razão ardente.

Deus hoje deu-me um pouco
do que toda a vida lhe pedi
foi esta calma e simples aceitação
de que é preciso que estejas
longe de mim
para que amando eu possa conservar
o meu coração puro.

As ruas hoje pareciam mais largas
e mais claras

As casas e as pessoas
pareciam diferentes

Foi só o tempo de pedir a Deus
que prolongasse o generoso engano.

Tu ensinaste-me as palavras simples
as palavras belas
as palavras justas

E fizeste com que eu já não saiba
falar de outra maneira.

O amor substitui
o Sol — que tudo ilumina.

Sonhar contigo é quase como
saber que existo para além de mim.

Se basta que de mim te lembres
para que o sono facilmente venha
porque não hás-de dar-me amor a paz
com que o meu coração de há tanto tempo sonha

Vês como é tão simples
ter o coração
tão perto da terra
e os olhos nos olhos
e a alma tão perto
da tua alma

Por que será
que quanto mais repartimos
o coração
maior e mais nosso ele fica?

image0011[1]

Raul de Carvalho
in  Obras de Raul de Carvalho

Mais sobre o autor:
www.avozdapoesia.com.br/rauldecarvalho

domingo, 5 de junho de 2011

ACHADOS E PERDIDOS
Maria Antonia de Oliveira


A vida se retrata no tempo
formando um vitral
de desenho sempre incompleto,
e cores variadas,
brilhantes,
quando passa o sol.
Pedradas ao acaso
acontecem de partir pedaços,
ficando buracos
irreversíveis.
Os cacos se perdem por aí...

Às vezes encontro
cacos de vida
que foram meus
foram vivos!
Estes me causam tanto encanto
quanto causavam
os cacos
de prato quebrado
que procurava
para brincar de casinha.

Examino-os tentando lembrar
de que resto faziam parte.

Já achei caco pequeno e amarelinho
que ressuscitou de mentira
um velho amigo.
Outro pontudo e azul,
trouxe em nuvens
um beijo antigo.
Um caco vermelho
muito me fez chorar
sem que eu lembrasse
de onde me pertenceu.


In Seriguelas, 2006 - Ed. Scortecci

Palavras da autora:
(Escrita por volta de 1980, hoje anda muito metida dentro de alguns livros do Rubem Alves.)

Esta poesia está no livro Transparências da eternidade, 2002, de Rubem Alves 
Fragmento:

“Hermann Hesse escreveu um livro intitulado O Jogo das Contas de Vidro. É a estória de uma ordem monástica na qual os seus membros, em vez de gastarem o seu tempo com ladainhas e exercícios semelhantes, se dedicavam a um jogo que era jogado com contas de vidro coloridas. Eles sabiam que os deuses preferem a beleza às monótonas repetições sem sentido. O livro não descreve os detalhes do jogo. Mas eu sei do que se tratava. Enquanto escrevo ouço a Sonata n. 27, op. 90, de Beethoven. É linda. As contas de vidro coloridas de Beethoven, nesta sonata, são as notas do piano. Vitrais também são jogos de contas de vidro. Foi na poesia de uma poetisa minha amiga, ex-aluna, Maria Antônia de Oliveira, que pela primeira vez vi a vida como um vitral.
Esses cacos de vitral, essas contas de vidro coloridas - isso meu corpo e minha alma amam, para todo sempre. O amor não se conforma com o veredicto do tempo - os cacos do cristal se perdendo dentro do mar, as contas de vidro colorido afundando para sempre no rio do tempo.”

Sobre a autora:

Maria Antonia de Oliveira nasceu em Olímpia-SP. Formada em Psicologia (PUC- Campinas), e Pedagogia (UNICAMP). É casada, mãe de três filhos, poeta, arte-educadora e coordenadora pedagógica. Faz parte do Núcleo Piracema de Estudos Junguianos. Desenvolve oficinas de Poesias.

Livros Publicados
Seriguelas - Ed. Scortecci: 2006
Águas Cristalinas - Ed. do Autor: 2001
Terra de Formigueiro - Ed. Papirus:1997
Fogo Pago - Ed. do Autor: 1981

sábado, 4 de junho de 2011



CÂNTICO XXIII
Cecília Meireles
Música: Fátima Guedes
Intérpretes: Thelmo Lins, Wagner Cosse e Nana Caymmi



Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz.,
Sem dizerem que a esperam,
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.

In Cânticos, 1981
terça-feira, 24 de maio de 2011

24 de Maio - Dia Nacional do Café
Minha homenagem a esse meu companheiro
de todas as horas.

O TEMPO EM QUE TOMÁVAMOS CAFÉ
Rúbio Rocha de Sousa

Lá, junto à tangerineira,
Meu pai rachava lenha
Agachado, eu ficava absorvido
Com aquela destreza de levantar
E descer o machado: o corte preciso
Eu queria crescer, aprender aquela arte

Depois, meu pai encostava o machado
No tronco da pequena tangerineira
Eu levava os pauzinhos de lenha
Para a cozinha, um de cada vez: eu era pequeno
Minha avó, no velho fogão, arrumava os paus e gravetos,
Derramava um pouquinho de querosene
Um fósforo... Estava o fogo aceso!
Eu queria crescer, aprender aquela arte

Sobre a chapa, o bule. Dentro do bule, a água fervendo
Era só colocar algumas colheres de pó de café e açúcar
Depois, o café sendo coado...
A fumacinha esvaindo-se, as xícaras sobre a mesa
O bico do bule entornando o cafezinho fresco
Eu queria crescer, aprender aquela arte.

Tia Valdecira lavava a louça
E ficávamos conversando, rindo...
Meu avô, no canto, reclamava que o café estava muito doce
Lá na estrada, passavam, em seus jumentos, cavalos, burros
Outros camponeses: acenavam, davam bom-dia, boa-tarde...
Respondíamos todos a um mesmo tempo.

Ah, mas só hoje é que sinto a leveza dos pauzinhos de lenha
O sabor daquele café sem igual,
Só hoje é que vejo a fumacinha subindo da xícara
As pessoas passado na estrada e acenando,
Que ouço o crepitar dos paus e gravetos,
Aquelas velhas conversas à mesa, entre um gole e outro...
Mas hoje sou apenas um café frio na cafeteira

Ali no canto, há um banquinho imóvel e mudo
Não ouvimos mais as reclamações de meu avô
Minha tia não está mais aqui para lavar a louça
Já não há mais a velha tangerineira
Para se encostar o machado
Que também não existe mais
Nem tão pouco há mais bule e o fogão de lenha
Bebemos o café silenciosamente, calados
Esse café por mais doce, sempre amargo.
Às vezes, uma palavra ou outra
Para vomitarmos um pouco o silêncio que os engole.

E só hoje é que eu queria
Carregar os pauzinhos de lenha,
Um de cada vez.

 

Poesia integrante do livro I Antologia Poética A Voz da Poesia, 2008, pag 30/31
Classificada em 4º lugar no I Concurso de Poesia A VOZ DA POESIA

segunda-feira, 23 de maio de 2011

imageimageimage image

ELOGIE DO JEITO CERTO
Marcos Meier

Recentemente, um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante*. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, que elas executariam, contudo, sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.

O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta você é!”, Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!”... E outros elogios relacionados à capacidade de cada criança.

O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou nesta tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!... E outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.

Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Aqui, elas não seriam obrigadas a cumprir a tarefa, mas podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.

As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.

A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso poderia modificar a imagem que os adultos têm delas. Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “ médios” obtêm a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.

No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, com enfoque apenas no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.

Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “Parabéns, meu filho, por ter dito a verdade apesar de estar com medo... Você é ético”, ‘Filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído, como algumas de suas colegas o fizeram... Você é solidária”, “Isso mesmo, filho; deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança, que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.

Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é, amor”, “Acho você muito esperto, meu filho”, “Como você é charmoso”, Que cabelo lindo”, “Seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos ou atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido a resistência à frustração, e a fragilidade emocional estará presente.

Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, têm copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

*Notícia veiculada na revista Galileu, na edição de Janeiro de 2011

SOBRE O AUTOR
Marcos Meier é Mestre em Educação, psicólogo, professor de Matemática e especialista na teoria da Meditação da Aprendizagem em Jerusalém, Israel. Seus livros são encontrados na loja virtual www.kapok.com.br
Contatos pelo site www. marcosmeler.acn.br

Fontes:
imagens, via Google
texto recebido de Hugo Ferrante, a quem agradeço

sexta-feira, 20 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes

DENUNCIE DISK 100

image


O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi criado pela Lei n.º 9.970, de 17 de maio de 2000, em razão do crime que comoveu o Brasil, ocorrido na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, em 1973. Naquele ano, a menina Araceli Cabrera Crespo, de oito anos, foi espancada, violentada e assassinada. Até hoje, os culpados pelo crime não foram punidos.

Saiba mais > SAFERNET

domingo, 15 de maio de 2011

Poesia: Cântico XI
Cecília Meireles
Música: Fátima Guedes
Intérpretes: Thelmo Lins e Wagner Cosse

 

Vê formaram-se todas as águas
Todas a s nuvens.
Os ventos virão de todos os nortes.
Os dilúvios cairão sobre os mundos.
Tu não morrerás.
Não há nuvens que te escureçam.
Não há ventos que te desfaçam.
Não há águas que te afoguem.
Tu és a própria nuvem.
O próprio vento.
A própria chuva sem fim...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mais um texto atribuído – erroneamente – a Mario Quintana. E faz algum tempo que o verdadeiro autor já foi identificado. Mesmo assim, continua sendo enviado por e-mails (PPS) e publicado em blogs/flogs/memes com a autoria errada.

  image

A IDADE DE SER FELIZ
Geraldo Eustáquio de Souza

Existe somente uma idade para a gente ser feliz
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos

Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e sorrir e cantar e brincar e dançar
e vestir-se com todas as cores
e entregar-se a todos os amores
experimentando a vida em todos os seus sabores
sem preconceito ou pudor

Tempo de entusiasmo e de coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda a disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo, e quantas vezes for preciso

Essa idade, tão fugaz na vida da gente,
chama-se presente,
e tem apenas a duração do instante que passa ...
... doce pássaro do aqui e agora
que quando se dá por ele já partiu para nunca mais!

 

SOBRE O AUTOR

Geraldo Eustáquio de Souza é Economista e Psicanalista, com mestrado em Administração de Empresas (Belo Horizonte-UFMG), especialização em Comportamento Humano nas Organizações (Japão), Saúde e Forma (Inglaterra) e Metodologia Científica (São Paulo).

FONTE > COMPANHIA PARA CRESCER

domingo, 8 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

MÃE UMA SANTA
Carlos Celso Cavalcante
Voz: Axills

Eis que o crepúsculo caía lento,
brando soprava um suave vento,
mas, ali naquela casa alguém gemia.

Não era dia, o sol já se punha,
um corpo arranhado pela unha,
em dores, desprendia sua madre.

E a comadre, como assim tratavam,
ali de perto, às pressas buscavam
resolutiva naquela hora.

Jovem senhora contorcida em dor
dividia sofrimento com amor
quando do ventre ansiava o parto.

Naquele quarto onde acontecia,
já uma jovem mãe ali sorria
trocando as dores por suavidade.

Felicidade ocupava os cantos
daquela casa onde ouvimos prantos
não por lamento, mas por dor sentida.

É uma vida que outra vida gera
e com sentimento persevera
na existência desse novo ser.

Que vai crescer amado com ternura
observado na sua candura
pela mãe que o concebeu e deu à luz.

Assim traduz um poeta que vibra:
"ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração!" e eu o que direi?

Só sei que escutando tanto
qualquer assunto sobre mãe é santo
e nada mais que isto sei dizer.

Pois ao fazer a sua semelhança,
Deus tudo sabe, teve a lembrança
maravilhosa e fez mulher.

Não é qualquer, a fez pra procriar,
para ser mãe! só não lhe deu alar.
mas, também sei que a fez para ser santa.

 

Fonte: Trovart Entertainment

quinta-feira, 5 de maio de 2011

OS MEUS DEDOS ERRANTES
Eugénio de Sá

Os meus dedos, amor, dedos errantes
Úteis partes de mim, mas que eram teus
Sem o altar do teu corpo são ateus
Não se enternecem a orar como antes

São as extremidades destas mãos cativas
Da saudade que as tuas lhes deixaram;
Os meus dedos nos teus, como brincaram
Entrelaçados eles e nossas vidas

É triste que hoje os saiba acarinhados
Por outros que talvez não te amem tanto
Enquanto estes meus sofrem, ignorados

Mas sensações perduram entretanto;
Nestas mãos que te amaram sem pecado
Ficaram as memórias do encanto!

0-2

Sobre o autor:

Nasceu em Lisboa, em 1945.
A poesia entrou na sua vida em 1968, trazida num livrinho que recebeu das mãos de José Saramago, então colaborador do Jornal A Capital, onde iniciou a atividade de comunicador.
Eugénio de Sá é acadêmico AVPB e membro da APP.



Fonte: Porta Curtas Petrobrás
terça-feira, 3 de maio de 2011

SEU NOME
Composição: Vander Lee
Intérprete: Luiza Possi

Quando essa boca disser o seu nome, venha voando
Mesmo que a boca só diga seu nome de vez em quando

Posso enxergar no seu rosto um dia tão claro e luminoso
Quero provar desse gosto ainda tão raro e misterioso do amor...

Quero que você me dê o que tiver de bom pra dar
Ficar junto de você é como ouvir o som do mar
Se você não vem me amar é maré cheia, amor
Ter você é ver o sol deitado na areia

Quando quiser entrar e encontrar o trinco trancado
Saiba que meu coração é um barraco de zinco todo cuidado

Não traga a tempestade depois que o sol se pôr
Nem venha com piedade porque piedade não é amor

card_anajacomo

Fonte do texto:
Cheiro de flor quando ri

segunda-feira, 2 de maio de 2011

OLHAR FORASTEIRO
de Helena Sut

Desejo descobrir a intenção
Perdida entre os véus da noite
Com os olhos das estrelas anciãs
Que velam a nossa escuridão
Enquanto olhares forasteiros
Encontram os nossos mistérios.

Desejo caminhar no céu
Desarmar a armadilha do esquecimento
Derramada sobre o espelho do mar
Na busca pelo barqueiro
E reencontrar, suspenso no horizonte,
O cais entre as correntes de estórias.

Desejo ser o olhar
A noite, o dia, o mistério,
O prazer de ser apenas a vida
Forasteira e plena de perguntas
E encontrar nos caminhos de Sasso
As pedras da minha identidade.

4-2

Imagem: pintura de  John Waterhouse

Sobre a autora

Helena Sut nasceu no Rio de Janeiro em 19 de novembro de 1969 e reside em Curitiba. Autora dos livros: Sonhos e Cicatrizes, 2001, Beatriz Navegante e Confissões de uma Barriga, 2002, Alfinetes de Lapela,2003, Todas as Ovelhas são Pardas, 2003. Apresentou livros na 48ª Feira do Livro de Porto Alegre (2002) e na Bienal do Livro do Rio de Janeiro (2003). Participou da coletânea de poesias Próximas Palavras, lançada em julho de 2002 em Curitiba, além de outras coletâneas no Rio de Janeiro e Brasília.

sábado, 30 de abril de 2011

DESPEDIDAS
Affonso Romano de Sant'Anna

Começo a olhar as coisas
como quem, se despedindo, se surpreende
com a singularidade
que cada coisa tem
de ser e estar.

Um beija-flor no entardecer desta montanha
a meio metro de mim, tão íntimo,
essas flores às quatro horas da tarde, tão cúmplices,
a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas
daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas
quanto mais habito a noite!

Nada mais é gratuito, tudo é ritual
Começo a amar as coisas
com o desprendimento que só têm
os que amando tudo o que perderam
já não mentem.

____d011ge5_divider[1]

Leia mais do autor > A Voz da Poesia
Imagem da Internet, via Google, sem ident. do autor

quinta-feira, 28 de abril de 2011

POEMA DA ROSA
Poesia: Berthold Brecht
Música e Voz: Jards Macalé
Tradução: Augusto Boal

Há uma rosa linda no meio do meu jardim
Dessa rosa cuido eu, quem cuidará de mim?
De manhã desabrochou, a tarde foi escolhida
pra de noite ser levada de presente à minha amiga

Feliz de quem possui uma rosa em seu jardim
A minha amiga com certeza pensa agora só em mim
Quando sopra o vento frio e o inverno gela o jardim
Eu tenho calor em casa e fico quietinho assim

Feliz de quem tem o seu teto pra ajudar a sua amiga
a fugir do vento ruim que deixa gelado o jardim.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A história do “Quase” está contada tim-tim por tim-tim no Blog do Emílio. Jornalista que investiga – e desvenda – falsas autorias. 
Veríssimo publicou no Jornal Zero Hora uma crônica para esclarecer que não é o autor desse texto. (leia ao final do post)

image
Sarah Westphal


QUASE
Autora: Sarah Westphal

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.


Fonte: >> DAQUI

Texto de LFV publicado no jornal ZH em 24/03/2005

Presque
Luis Fernando Veríssimo

A internet é uma maravilha, a internet é um horror. Não sei como a Humanidade pôde viver tanto tempo sem o e-mail e o Google, não sei o que será da nossa privacidade e da nossa sanidade quando só soubermos conviver nesse cyberuniverso assustador. O mais admirável da internet é que tudo posto nos seus circuitos acaba tendo o mesmo valor, seja receita de bolo ou ensaio filosófico, já que o meio e o acesso ao meio são absolutamente iguais. O mais terrível é que tudo acaba tendo a mesma neutralidade moral, seja pregação inspiradora ou pregação racista — ou receita de bomba — já que a linguagem técnica é a mesma e a promiscuidade das mensagens é incontrolável. Não temos nem escolha entre o admirável e o terrível, pois acima de qualquer outra coisa a internet, hoje, é inevitável.

Uma das incomodações menores da internet, além das repetidas manifestações que recebo de uma inquietante preocupação, em algum lugar, com o tamanho do meu pênis, é o texto com autor falso, ou o falso texto de autor verdadeiro. Ainda não entendi o recado ou a estranha lógica de quem inventa um texto e põe na internet com o nome de outro, mas o fato é que os ares estão cheios de atribuições mentirosas ou duvidosas. Já li vários textos com assinaturas improváveis na internet, inclusive vários meus que nunca assinei, ou assinaria. Um, que circulou bastante, comparava duplas sertanejas com drogas e aconselhava o leitor a evitar qualquer cantor saído de Goiânia, o que me valeu muita correspondência indignada. Outro era sobre uma dor de barriga desastrosa, que muitos acharam nojento ou, pior, sensacional. O incômodo, além dos eventuais xingamentos, é só a obrigação de saber o que responder em casos como o da senhora que declarou que odiava tudo que eu escrevia até ler, na internet, um texto meu que adorara, e que, claro, não era meu. Agradeci, modestamente. Admiradora nova a gente não rejeita, mesmo quando não merece.

O texto que encantara a senhora se chamava "Quase" e é, mesmo, muito bom. Tenho sido elogiadíssimo pelo "Quase". Pessoas me agradecem por ter escrito o "Quase". Algumas dizem que o "Quase" mudou suas vidas. Uma turma de formandos me convidou para ser seu patrono e na última página do caro catálogo da formatura, como uma homenagem a mim, lá estava, inteiro, o "Quase". Não tive coragem de desiludir a garotada. Na internet, tudo se torna verdade até prova em contrário e como na internet a prova em contrário é impossível, fazer o quê?

Eu gostaria de encontrar o verdadeiro autor do "Quase" para agradecer a glória emprestada e para lhe dar um recado. No Salão do Livro de Paris, na semana passada, ganhei da autora um volume de textos e versos brasileiros muito bem traduzidos para o francês, com uma surpresa: eu estava entre Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e outros escolhidos, adivinha com que texto. Em francês ficou Presque.

Fonte >> DAQUI

segunda-feira, 25 de abril de 2011

No teu poema
Letra e música: José Luís Tinoco
Intérprete: Paula Oliveira

No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.

No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.

Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.

No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.

Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro.

sábado, 23 de abril de 2011

O Dia Internacional do Livro teve a sua origem na Catalunha, uma região semi-autônoma da Espanha.

A data começou a ser celebrada em 7 de outubro de 1926, em comemoração ao nascimento de Miguel de Cervantes, escritor espanhol. O escritor e editor valenciano, estabelecido em Barcelona, Vicent Clavel Andrés, propôs este dia para a Câmara Oficial do Livro de Barcelona.

Em 6 de fevereiro de 1926, o governo espanhol, presidido por Miguel Primo de Rivera, aceitou a data e o rei Alfonso XIII assinou o decreto real que instituiu a Festa do Livro Espanhol.

No ano de 1930, a data comemorativa foi trasladada para 23 de abril, dia do falecimento de Cervantes.

Mais tarde, em 1996, a UNESCO instituiu 23 de abril como o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, em virtude de a 23 de abril se assinalar o falecimento de outros escritores, como Josep Pla, escritor catalão, e William Shakespeare, dramaturgo inglês.

No caso do escritor inglês, tal data não é precisa, pois que em Inglaterra, naquele tempo, ainda utilizava o calendário juliano, pelo que havia uma diferença de 10 dias apara o calendário gregoriano usado em Espanha. Assim Shakespeare faleceu efectivamente 10 dias depois de Cervantes.

"Um país se faz com homens e livros."
(Monteiro Lobato)

"Livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores."
(Charles W. Elliot)

"É claro que meus filhos terão computadores, mas antes terão livros."
(Bill Gates)

"De três coisas precisa o homem para ser feliz: benção divina, livros e amigo."
(Henri Lacordaire),

"É bom ter livros de citações. Gravadas na memória, elas inspiram-nos bons pensamentos."
(Winston Churchill)

"Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar."
(Monteiro Lobato)

"A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde."
(André Maurois)

"A leitura é uma amizade."
(Marcel Proust)

"A leitura é para a mente o que o exercício é para o corpo."
(Richard Steele)

"Que nunca o livro fique longe de tua mão e de teus olhos."
(São Jerônimo)

"...foi através da literatura que recebi a vida."
(Paulo Mendes Campos)


À Leon Werth

Peço perdão às crianças por dedicar esse livro a uma pessoa grande. Tenho uma desculpa seria: essa pessoa grande é o melhor amigo que possuo no mundo, tenho uma outra desculpa: essa pessoa grande é capaz de compreender todas as coisas, até mesmo os livros de criança. Tenho ainda uma terceira: essa pessoa grande mora na frança, e ela tem fome e frio.
Ela precisa de consolo, se todas as desculpas não bastam, eu dedico então esse livro à criança que essa pessoa grande já foi, todas as pessoas grandes foram um dia crianças (mas poucas se lembram disso). Corrijo, portanto, a dedicatória.

À Leon Werth
Quando ele era pequeno

(Dedicatória do livro o Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

pascoa[5]

PÁSCOA
Claudinê Ferreira

Diferente do que a maioria sabe, na Páscoa não se comemora a Ressurreição de Cristo. A Páscoa foi instituída muito antes de Jesus, e Ele também comemorava a Páscoa, tanto é verdade, que antes d'Ele ser preso, fez questão de comemorá-la junto com seus discípulos, fato esse, que ficou conhecido coma a Santa Ceia, a última Páscoa. "Chegou, porém, o dias dos ázimos, em que importava sacrificar a Páscoa. E Jesus mandou Pedro e João dizendo: Ide, preparai a Páscoa para que a comamos."  (Lucas 22:8)  "E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta Páscoa, antes que padeça." (Lucas 22:15)

Na verdade, a Páscoa, vem dos primórdios do Velho Testamento, e encontramos a sua instituição no livro de Êxodos no capítulo 12 que relata toda sua história.

O povo hebreu se encontrava cativo no Egito por um longo tempo, e Deus então chama Moisés para libertar o Seu povo. Moisés, seguindo as instruções de Deus se apresenta diante do faraó e pede a liberdade para o povo. Faraó nega dar a liberdade, e assim, Moisés, usando o poder que Deus havia lhe concedido, faz cair as pragas sobre o Egito para amolecer o endurecido coração do Faraó.

A nação egípcia começa a sofrer com a praga das águas que se tornaram em sangue, a praga das rãs, a praga dos piolhos, a praga das moscas, a praga da peste nos animais, a praga da saraiva, a praga dos gafanhotos, a praga das trevas e aquela que seria a última praga, e que faria com que faraó libertasse o povo hebreu: A morte de todos os primogênitos.

Para que os Hebreus não fossem atingidos por essa praga, Deus chama Moisés e lhe dá instruções que deveriam ser seguidas por todos indistintamente, que eram as seguintes: Cada um deveria pegar um carneiro ou um cabrito sem nenhum defeito, sem nenhuma mancha, sacrificar esse animal, pegar o sangue e passar nos batentes das portas das casas, marcando o local para que o anjo da morte não entrasse ali. E mais, deveriam preparar-se para a partida, e a meia noite, deveriam comer a carne do animal sacrificado que deveria ser preparada assada sobre o fogo, acompanhada de ervas amargas e com pães ázimos, um pão sem fermento. Deveriam ter os ombros cobertos, os pés calçados e o cajado nas mãos, e que comessem apressadamente." ...esta é a Páscoa do Senhor.  (Êxodos 12:11) "E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor: nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo." (Êxodos 12:14) "Portanto guardai isto por estatuto para vós e para vossos filhos, para sempre." (Êxodos 12:24)  "Então direis: Este é o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou." (Êxodos 12:27).

No decorrer da história, e nos primórdios dos tempos, pelo fato da ressurreição de Jesus ter se dado logo após a Páscoa, a Igreja Católica passou a comemorar a Páscoa e a Ressurreição como um único fato, dando origem ao que conhecemos hoje, como: Páscoa, a Ressurreição de Cristo.

Portanto, o que é a Páscoa? 

Páscoa é libertação!

É o momento de nos libertarmos do egoísmo, da incredulidade, da indiferença, da falta de amor, do preconceito, da falsidade, da negligência e da ignorância.

De nos libertarmos do eu e pensarmos no nós. De olharmos em volta e vermos que não estamos sozinhos, de pensarmos em grupo e no grupo do qual façamos parte, seja ele familiar, de amigos ou de colegas de trabalho.

Como o povo Hebreu no passado, devemos cobrir nosso ombros com o conhecimento, calçar os pés com a força de vontade, pegar o cajado da união e partimos para a terra prometida do sucesso.

Devemos comer a carne queimada no fogo do esforço, com as ervas amargas da dedicação e o pão sem fermento da amizade para que no futuro próximo possamos adentrar na terra que emana o pão do dever cumprido e o mel do sucesso alcançado. 

Páscoa é renascimento!

É o momento de renascermos para as novas idéias, para as mudanças necessárias, para o novo que se descortina à nossa frente.

Renascermos para fé no ser humano, para a fé em Deus, para a fé no futuro que virá. Renascermos para o conhecimento, para o bom relacionamento em todo nosso convívio, na família ou no trabalho, no prédio onde moro ou na rua em que resido. Renascermos para aqueles que precisam de nós, para fazermos o bem sem nos importarmos a quem.

Renascermos para a união de todos com os olhos voltados para o objetivo comum. Renascermos para o  desprendimento dos velhos hábitos, dos vícios antigos, das mágoas e das tristezas vividas, do rancor e do sentimento de vingança, das humilhações sofridas, da falta de vontade e de colaboração, enfim, de todo o entulho que temos em nós.

Renascermos para o amor e vivermos o amor em toda sua plenitude, abrirmos os olhos e despertarmos para sermos novos, melhores e mais felizes.

Essa é a verdadeira Páscoa, o verdadeiro espírito da Páscoa, Libertação e Renascimento.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Poesia: A IMAGEM PERDIDA
Mario Quintana
Música e Voz: Márcio Faraco

Como essas coisas que não valem nada
E parecem guardadas sem motivo
Alguma folha seca... uma taça quebrada
Eu só tenho um valor estimativo...

Nos olhos que me querem é que eu vivo
Esta existencia efêmera e encantada...
Um dia hão de extinguir-se, então, mais nada

Mais nada
Refletirá meu vulto vago e esquivo...
E cerraram-se os olhos das amadas,
O meu nome fugiu de seus lábios vermelhos,
Nunca mais, de um amigo, o caloroso abraço...

E, no entretanto, em meio desta longa viagem,
Muitas vezes parei... e, nos espelhos,
Procuro em vão, minha perdida imagem!

 

Poema manuscrito encontrado no acervo deixado por Mário Quintana.
Todo o acervo foi entregue ao Centro de Memória Literária da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, pela herdeira de Quintana, a sobrinha-neta Elena, para que seja preservado e divulgado.

Poesia: Canção do Vento e da Minha Vida
Autor: Manuel Bandeira
Música e Voz: Amauri Falabella

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

REALIDADE
Florbela Espanca

Em ti o meu olhar fez-se alvorada,
E a minha voz fez-se gorjeio de ninho,
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura pálida do linho.

Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada,
E a minha cabeleira desatada
Pôs a teus pés a sombra dum caminho.

Minhas pálpebras são cor de verbena,
Eu tenho os olhos garços, sou morena,
E para te encontrar foi que eu nasci...

Tens sido vida fora o meu desejo,
E agora, que te falo, que te vejo,
Não sei se te encontrei, se te perdi...

3-2 
Florbela Espanca
In Charneca em flor, 1931
Imagem: pintura de Ed Tadiello

terça-feira, 19 de abril de 2011
card_niveranderson

Que venha o amanhã com seu arsenal de cores e sabores.
Para ele criarei novas palavras e tecerei novos sonhos.

(Anderson Christofoletti > poesia na íntegra aqui)

domingo, 17 de abril de 2011

A Voz da Poesia

 

Prezados amigos(as),

A nossa comunidade do Orkut agora possui sua página equivalente no Facebook. Quem se dispuser a participar, é só digitar "A Voz da Poesia" na ferramenta "Procurar" do referido site (campo em branco que fica no topo da tela), e clicar na opção situada em Grupos, aguardando a admissão do novo membro. Aproveite também para adicionar "A Voz da Poesia" ao seu rol de amigos, que surge relacionada em Pessoas.

Ou então, para facilitar o acesso direto, clique no link abaixo:

http://www.facebook.com/home.php#!/home.php?sk=group_160991050627733

Esperamos carinhosamente e contamos desde já com sua presença!

A Voz da Poesia (falando ao coração em todos os lugares)

sábado, 16 de abril de 2011

card_rubemalves

sexta-feira, 15 de abril de 2011

SOLETRANDO A SOLIDÃO
Ana Merij

A dor que sinto não é de vazios
Dentro de mim,
vozes - ternuras
mãos  - aquecidas
palavras - ecoantes
promessas – vidas

Dentro de mim,
um rio
uma pedra
uma trilha
uma rua
uma estrela
um apito
um trem
uma aldeia

A dor que sinto é de cheios
Dentro de mim... moradas
Carrego multidões alvoroçadas

A dor que sinto... não é de retalhos

Padeço de inteiros!

barrinha

© Ana Merij

Imagem >> DAQUI

O poema Uma Pedra no Meio do Caminho, de Carlos Drummond de Andrade, declamado nos idiomas:

Português
Inglês
Hebraico
Dinamarquês
Francês
Holandês
Italiano
Húngaro
Alemão
Latim
Espanhol
Tupi

Fonte: DAQUI

A BARCA DOS AMANTES
Intérprete: Milton Nascimento
Composiçào: Milton Nascimento e Sérgio Godinho

Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes

Ah, quanto eu queria conseguir
Trazer a Barca à madrugada
E desfraldar o pano branco
Na que for terra mais amada

E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no céu mais fundo
Possa agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo

Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu vi me fez vogar
De rumos meus, a cais errantes

Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia

E que em toda a parte o teu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no seu mais fundo
Possa agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo

Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a Barca dos Amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes

Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Na minha memória tão congestionada e no meu coração tão cheio de marcas e poços, você ocupa um dos lugares mais bonitos.

Caio Fernando Abreu

sunflower

DAQUI

rosa_g_0571

VERSOS A UMA ROSA
Anderson Christofoletti

 

As rosas
Não precisam de palavras
Raras;

Não carecem de olhos devotos,
Tampouco de novos rótulos.

Traspassam o crivo
Do olhar petrificado
E sabem a beijo lascivo
De casal enamorado.

Derramam-se em olhares absortos,
Por entre corações que se encontram
E encontros que fecundam paixões.

As rosas são versos inefáveis,
Amores impossíveis
E amantes incansáveis.

Ânforas da feérica essência esquecida,
As rosas falam pela beleza da vida.

6oe9ste[1] 
© Anderson Christofoletti
Imagem da Internet (modificada)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

13 de Abril – Dia do Beijo

Tua boca se faz carne
Ungida de saliva:
Lasciva violação
No obscuro
Mistério do beijo,
No explícito
Ardil do desejo

© Anderson Christofoletti

 o beijo de Auguste Rodin o beijo de Rodin

O BEIJO
Obra de
Auguste Rodin

Os dois amantes absorvidos num intenso beijo representados na estátua "O Beijo", realizada por Auguste Rodin, transmitem uma tal força emotiva e sensualidade que tornou esta obra numa das mais famosas esculturas de todos os tempos.
Embora plasticamente seja mais conservadora que o coevo "O Pensador" ou outras peças moldadas em bronze, esta estátua apresentava uma característica importante da obra madura de Rodin, o interesse pelo inacabado e pela ideia da libertação das figuras dos blocos de pedra que a originaram, cujas raízes conceptuais e formais se encontram nas estátuas inacabadas dos "Escravos" de Michelangelo. Outra referência à escultura renascentista, pela qual Rodin tanto se interessara na sua viagem a Itália em 1875, é a meticulosa tentativa de tradução do movimento e da anatomia muscular assim como a técnica delicada no trabalho do mármore.
A associação das duas figuras a um bloco de mármore grosseiramente aparelhado, permitia acentuar o contraste de textura e consequemente destacar a leveza, sensualidade e carnalidade dos corpos dos amantes.
Marcado ainda pelo ideal estético romântico que procurava a beleza através da representação de estados de alma, "O Beijo" constituiu igualmente uma das obras precursoras do período moderno da escultura, acompanhando o despontar do impressionismo na pintura.
A escultura "O Beijo" apresenta uma dimensão ligeiramente acima do natural (tem uma altura de 183 centímetros) e encontra-se exposta no Museu Rodin, em Paris.

Antes de criar a versão em mármore de "O Beijo", Rodin produziu várias esculturas menores em barro, gesso e bronze.

Em 1888, o governo francês encomendou a primeira versão de mármore em grande escala de "O Beijo" de Rodin para a Exposição Universal de 1889, mas foi exibido publicamente pela primeira vez no "Salon de la Société National des Beaux-Arts" em 1898. Era tão popular que a empresa "Barbedienne" ofereceu a Rodin um contrato para produzir um número limitado de cópias menores em bronze. Em 1900, a estátua foi movida para o "Musée du Luxembourg", antes de ser levada para a sua localização actual, o Musée Rodin, em 1918.

Um grande número de moldes foram feitos. O Musée Rodin relata que a "Fundação Barbedienne" sozinha produziu 319. De acordo com a lei francesa, decretada em 1978, apenas as primeiras doze podem ser chamadas de originais.

 

Fontes:

Infopédia
Wikipédia

Related Posts with Thumbnails

Poética

Poesias

Poetas

Vídeos

A Voz aqui

Pergunte-me

Me leva!

A Poética dos Amigos

Google+

Feed

Posts Coments

Receber postagens por E-mail

Perdi todos :'(

Arquivos