segunda-feira, 20 de junho de 2011

Estarei ausente por um tempo.

 

“Volta, com medo e tudo.”

Foi.

E começou a redescobrir que coragem, na maioria das vezes, é apenas voltar para o próprio coração. É apenas calar a ausência devastadora e infértil dele. É apenas sair do lugar para um ponto um pouquinho mais espaçoso e espalhador de sementes. É apenas seguir. Com medo e tudo.


 

 

Ana Claudia Saldanha Jácomo In Cheiro de Flor Quando Ri

domingo, 12 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011

Feliz Dia dos Namorados!

PARA O MEU CORAÇÃO
Pablo Neruda

Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.

És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.


Pablo Neruda
In Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada

Mais do autor:
www.avozdapoesia.com.br/pabloneruda

Feliz Dia dos Namorados!

AMAR TEUS OLHOS
Carlos Melo Santos

Podia com teus olhos
escrever a palavra mar.
Podia com teus olhos
escrever a palavra amar
não fossem amor já teus olhos.

Podia em teus olhos navegar
conjugar os verbos dar e receber.
Podia com teus olhos
escrever o verbo semear
e ser tua pele
a terra de nascer poema.

Podia com teus olhos escrever
a palavra além ou aqui
ou a palavra luar,
recolher-me em teus olhos de lua
só teus olhos amar.

Podia em teus olhos perder-me
não fossem, amor, teus olhos,
o tempo de achar-me.

 

Carlos Melo Santos
In Lavra de Amor

“Sonhar contigo é quase como
saber que existo para além de mim”

coracao_namorado

A VERDADE É QUE FOMOS FEITOS
Raul de Carvalho

A verdade é que fomos
feitos do mesmo sangue
violento e humilde

A verdade é que temos
ambos a graça de compreender
todos os homens e todas as estrelas

A verdade é que Deus
nos ensinou
que este é o tempo da razão ardente.

Deus hoje deu-me um pouco
do que toda a vida lhe pedi
foi esta calma e simples aceitação
de que é preciso que estejas
longe de mim
para que amando eu possa conservar
o meu coração puro.

As ruas hoje pareciam mais largas
e mais claras

As casas e as pessoas
pareciam diferentes

Foi só o tempo de pedir a Deus
que prolongasse o generoso engano.

Tu ensinaste-me as palavras simples
as palavras belas
as palavras justas

E fizeste com que eu já não saiba
falar de outra maneira.

O amor substitui
o Sol — que tudo ilumina.

Sonhar contigo é quase como
saber que existo para além de mim.

Se basta que de mim te lembres
para que o sono facilmente venha
porque não hás-de dar-me amor a paz
com que o meu coração de há tanto tempo sonha

Vês como é tão simples
ter o coração
tão perto da terra
e os olhos nos olhos
e a alma tão perto
da tua alma

Por que será
que quanto mais repartimos
o coração
maior e mais nosso ele fica?

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Raul de Carvalho
in  Obras de Raul de Carvalho

Mais sobre o autor:
www.avozdapoesia.com.br/rauldecarvalho

domingo, 5 de junho de 2011

ACHADOS E PERDIDOS
Maria Antonia de Oliveira


A vida se retrata no tempo
formando um vitral
de desenho sempre incompleto,
e cores variadas,
brilhantes,
quando passa o sol.
Pedradas ao acaso
acontecem de partir pedaços,
ficando buracos
irreversíveis.
Os cacos se perdem por aí...

Às vezes encontro
cacos de vida
que foram meus
foram vivos!
Estes me causam tanto encanto
quanto causavam
os cacos
de prato quebrado
que procurava
para brincar de casinha.

Examino-os tentando lembrar
de que resto faziam parte.

Já achei caco pequeno e amarelinho
que ressuscitou de mentira
um velho amigo.
Outro pontudo e azul,
trouxe em nuvens
um beijo antigo.
Um caco vermelho
muito me fez chorar
sem que eu lembrasse
de onde me pertenceu.


In Seriguelas, 2006 - Ed. Scortecci

Palavras da autora:
(Escrita por volta de 1980, hoje anda muito metida dentro de alguns livros do Rubem Alves.)

Esta poesia está no livro Transparências da eternidade, 2002, de Rubem Alves 
Fragmento:

“Hermann Hesse escreveu um livro intitulado O Jogo das Contas de Vidro. É a estória de uma ordem monástica na qual os seus membros, em vez de gastarem o seu tempo com ladainhas e exercícios semelhantes, se dedicavam a um jogo que era jogado com contas de vidro coloridas. Eles sabiam que os deuses preferem a beleza às monótonas repetições sem sentido. O livro não descreve os detalhes do jogo. Mas eu sei do que se tratava. Enquanto escrevo ouço a Sonata n. 27, op. 90, de Beethoven. É linda. As contas de vidro coloridas de Beethoven, nesta sonata, são as notas do piano. Vitrais também são jogos de contas de vidro. Foi na poesia de uma poetisa minha amiga, ex-aluna, Maria Antônia de Oliveira, que pela primeira vez vi a vida como um vitral.
Esses cacos de vitral, essas contas de vidro coloridas - isso meu corpo e minha alma amam, para todo sempre. O amor não se conforma com o veredicto do tempo - os cacos do cristal se perdendo dentro do mar, as contas de vidro colorido afundando para sempre no rio do tempo.”

Sobre a autora:

Maria Antonia de Oliveira nasceu em Olímpia-SP. Formada em Psicologia (PUC- Campinas), e Pedagogia (UNICAMP). É casada, mãe de três filhos, poeta, arte-educadora e coordenadora pedagógica. Faz parte do Núcleo Piracema de Estudos Junguianos. Desenvolve oficinas de Poesias.

Livros Publicados
Seriguelas - Ed. Scortecci: 2006
Águas Cristalinas - Ed. do Autor: 2001
Terra de Formigueiro - Ed. Papirus:1997
Fogo Pago - Ed. do Autor: 1981

sábado, 4 de junho de 2011



CÂNTICO XXIII
Cecília Meireles
Música: Fátima Guedes
Intérpretes: Thelmo Lins, Wagner Cosse e Nana Caymmi



Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz.,
Sem dizerem que a esperam,
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.

In Cânticos, 1981
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