terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A FLOR DO SONHO
Florbela Espanca


A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim!...
Milagre... fantasia... ou, talvez, sina...

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?!...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa de minh′alma
E nunca, nunca mais eu me entendi...

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© FLORBELA ESPANCA
In Livro de Mágoas, 1919
Imagem: Anna Homchik

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