domingo, 14 de março de 2010

14 de Março – Dia Nacional da Poesia

“Que a poesia seja abandonada, por que é no canto escuro da solidão que a poesia germina original, feito lírio branco despertando no pântano mais fétido da vida humana”.

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Poesia: pra quê? Num mundo onde a tecnologia impera, e já não há mais tempo para declarações, fica difícil imaginar tempo para se fazer ou ler poesia. Mas a poesia está aí – presente -, provando que sobrevive a qualquer tempo, qualquer época, mesmo quando não há mais tempo.
Enquanto o homem moderno busca meios que lhes traga mais conforto e segurança, a poesia prevalece, não para se contrapor, mas sim, alimentando a alma deste mesmo homem. A poesia faz emergir a sensibilidade dos mais céticos, e não há ser humano que nunca tenha se emocionado com alguma manifestação poética. Por que poética é a trajetória de vida humana – seja ela qual for (alegrias ou dores).
É a poesia que embala o coração sofrido, seca as lágrimas, ou faz chorar a alma empedernida. É a poesia que faz brotar a emoção recôndita, enquanto o mundo guerreia consigo mesmo, em disparates cada vez mais incompreensíveis. É a poesia que, fora do tempo e do espaço em que nasceu, acalma a realidade, e faz ver esperança onde antes só havia desespero. É a poesia, com humildade inútil, que transforma, sutilmente, o olhar a vida.
Se a poesia ainda persiste, é por que também persiste o homem, acreditando estar fazendo o melhor – para si, ou para todos. É justamente neste instante que a poesia se ergue – altiva -, garantindo um caminho mais leve para todos, por que pesada é a vida, se olhada somente pelo prisma da realidade perene.
Poesia é o que faz homem levantar, quando todos estão caídos. Poesia é o que faz o homem sorrir, em meio à dor avassaladora. Poesia é o que faz o homem dedicar-se às artes, enquanto pedra e chumbo tomam conta da paisagem. Poesia é o que faz o homem olhar para uma flor, e instintivamente buscar o perfume dela, e até regá-la para que não pereça.
Que a poesia continue sendo inútil, diante da realidade que espanca o cotidiano de cada um. Que a poesia seja deixada de lado, quando a ordem é lutar pela sobrevivência. Que a poesia seja silenciada, abafada pelos gritos dos que se acham poderosos. Que a poesia seja abandonada, por que é no canto escuro da solidão que a poesia germina original, feito lírio branco despertando no pântano mais fétido da vida humana.

Nara França
Texto para o Livro I Antologia Poética A Voz da Poesia, 2008

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