sexta-feira, 31 de outubro de 2008

a_beira_mar4
                                          imagem da internet


Minhas palavras são a metade de um diálogo obscuro
continuado através de séculos impossíveis.
Agora compreendo o sentido e a ressonância
que também trazes de tão longe em tua voz.
Nossas perguntas e respostas se reconhecem
como os olhos dentro dos espelhos. Olhos que choraram.
Conversamos dos dois extremos da noite,
como de praias opostas. Mas com uma voz que não se importa...
E um mar de estrelas se balança entre o meu pensamento e o teu.
Mas um mar sem viagens.


[Diálogo - Cecília Meireles]

A história de Lili Braun
Autores: Chico Buarque e Edu Lobo
Intérpretes: Edu Lobo e Mônica Salmaso
Programa Som Brasil - Edu Lobo
[Fonte]

Preciso Aprender a Só Ser
Autor: Gilberto Gil
Intérprete: Renato Braz
Programa Som Brasil - Gilberto Gil
[Fonte]


                                   imagem: Washington Maguetas

 

Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água, 
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.

 

[O amor no éter - Adélia Prado]

VikingsDaughter 
                              imagem: William Whitaker

 

Penso linhos e ungüentos
para o coração machucado de Tempo.
Penso bilhas e pátios
Pela comoção de contemplá-los.
(E de te ver ali
À luz da geometria de teus atos)
Penso-te
Pensando-me em agonia. E não estou.
Estou apenas densa
Recolhendo aroma, passo
O refulgente de ti que me restou.

 

[Penso linhos e ungüentos - Hilda Hilst]

airships_Jeffrey_K_Bedrick 


Poesia
não é palavra apenas, - construída
é algo sem explicação
dentro, e acima de nós;
uma flor que de repente se entreabre
e se balança,
na ponta de um ramo ao sopro do vento,
e tem alma, e tem voz,
tem sentimento,
e é luz, perfume, imagem,
misteriosa e singular linguagem
secreta,
desconhecida,
humana ou divina
premonição da vida
no coração
do Poeta.

frag. de Carta ao Poeta João Cabral de Mello Neto
J. G. de Araújo Jorge
leia na íntegra >> Aqui





Imagem: Jeffrey K Bedrick

introspeccao
                                                       imagem da internet


XII

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst
do livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão - 1974

 nuvem_m_30

 
CONTEMPLAÇÃO DA NUVEM
Antonio Brasileiro

A vida é a contemplação daquela nuvem.
E o mundo
uma forma de passar, que inventamos
para não ver que o mundo não é o mundo,
mas uma nuvem passando.

E uma nuvem passando
ensina-nos mais coisas que cem pássaros
mil livros um milhão de homens.

A vida é a contemplação daquela nuvem.
E o mundo
uma forma de passar, que inventamos
para não ver que o mundo não é o mundo,
mas uma nuvem. Passando.


imagem: daqui
quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Jim Warren

Clique na imagem para entrar no álbum do Picasa

Jim Warren nasceu em 24 de Novembro de 1949, em Long Beach, Califórnia.
Começou a pintar com apenas 1 ano de idade.
Considera-se autodidata, estudou os grandes mestres visitando museus.
Sua técnica é "pintura de óleo tradicional em tela esticada que eu cubro com um livro de leitura de gesso. São usados só pincéis para pintar e NENHUM aerógrafo, como pensaram às vezes."
Filosofia de Arte: "Para o inferno com as regras... pinte o que você gosta."
Ganhador de inúmeros prêmios, suas obras estão espalhadas por todo o mundo.
Jim Warren é um dos artistas mais criativos e prolíficos de nosso tempo. 
Se você não estiver familiarizado com o nome dele, você já viu o trabalho dele indubitavelmente.
As pinturas de belas-artes e de retratista de personalidades formam uma lista de clientela que inclui desde as celebridades, artistas famosos e líderes empresariais proeminentes, e as colaborações com pintura de vida marinha, Wyland, é aclamado amplamente.
As pinturas dele foram vistas ao redor do mundo em outdoors, grandes murais ao ar livres, suportes de jogo para espetáculos de televisão e Galerias de Belas-artes.

Atualmente Jim Warren vive em Clearwater, Flórida, com a esposa e filhos.




Ciranda da Rosa Vermelha
Interp: Milene Areal
Comp. Alceu Valença Adap. Folclore Popular 


Teu beijo doce
Tem sabor do mel da cana
Sou tua ama
Tua escrava teu amor

Sou tua cana,
Teu engenho, teu moinho
Tu és feito um passarinho
Que se chama beija-flor  (2x)
Quando tu voas
Pra beijar as outras flores
Eu sinto dores,
Um ciúme e um calor

Que toma o peito
E o meu corpo e invade a alma
Só meu beija-flor acalma
Tua escrava meu senhor  (2x)
Sou rosa vermelha
Ai meu bem querer
Beija-flor sou tua rosa
Hei de amar-te até morrer Beija-flor sou tua rosa
Hei de amar-te até morrer

Do CD Recirandar 2000

caryatide
                  imagem: William Whitaker


Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.

Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
projecto-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.

Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.


[Canção Excêntrica - Cecília Meireles]

retreat_Jeffrey_K_Bedrick 

CONVERSEMOS ATRAVÉS DA ALMA
Jalal Ud Din Rumi

Vem!.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos, sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca, contemo-nos todos os segredos do mundo, como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos que só são capazes de entender se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um, falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão: "toca", se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessa, posso mostrar-te.


do livro "Poemas Místicos"
imagem: Jeffrey K Bedrick

mae
                                               imagem da internet


Há alguns meses, quando pegava as crianças na escola, percebi que uma mãe se aproximara de uma amiga que conhecia bastante. Estava muito indignada. Sabe o que você e eu somos? – lhe perguntou, e antes que a amiga pudesse dar-lhe uma resposta, que na verdade não sabia qual era ela mesma respondeu.

Parece que vinha de uma repartição onde tinha ido renovar sua carteira de motorista. Quando o funcionário que anotava os dados lhe perguntou qual era a sua ocupação, ela não soube responder.

Ao perceber isto, o funcionário lhe disse: - "ao que me refiro é se a Senhora trabalha ou é simplesmente uma...?”.

"Claro que tenho trabalho, lhe contestou, sou uma mãe!".

E o atendente lhe respondeu: -"não posso por mãe como opção, vamos colocar dona de casa.".

Foi a resposta enfática do funcionário.

A amiga havia esquecido por completo a história, até que um dia, se passou exatamente o mesmo com ela. A funcionária era obviamente uma mulher executiva, eficiente, elegante, e tinha um crachá sobre seu peito onde estava escrito:

"Entrevistadora Oficial".

"Qual sua ocupação?" ela perguntou.

Como ela iria responder? As palavras simplesmente começaram a sair de sua boca:

"Sou uma Pesquisadora Associada no Campo do Crescimento, Desenvolvimento Infantil e Relações Humanas."

A funcionária deteve a caneta que ficou congelada no ar, e olhou para a mãe como se não estivesse escutado bem.

Repetiu o título lentamente, pondo ênfase nas palavras mais importantes. Logo, observou assombrada como seu pomposo título era escrito em tinta negra no formulário oficial.

"Permita-me perguntar-lhe", disse a funcionária com ar de interesse, que é o que exatamente faz você no campo de pesquisa?

Com uma voz muito calma e pausada, se ouviu sua resposta.

"Tenho um programa contínuo de investigação (que mãe não o tem?) no laboratório e no campo (normalmente se costuma dizer "dentro" e "fora" de casa). Estou trabalhando no meu doutorado (a família completa) e já tenho 4 créditos (todas as suas filhas)." "Evidente que o trabalho é um dos que mais demanda tem no campo de humanidades (alguma mãe está em desacordo?) e usualmente trabalho umas 14 horas diárias (em realidade são mais, como 24 h!). Porém, o trabalho tem muito mais responsabilidades que qualquer trabalho simples, e as remunerações, mais que somente econômicas, também estão ligadas à área da satisfação pessoal."

Podia-se perceber uma crescente atitude de respeito na voz da funcionária, enquanto completava o formulário. Uma vez terminado o processo, se levantou da cadeira e pessoalmente acompanhou a "Pesquisadora" à porta.

Ao chegar a casa, emocionada por sua nova carreira profissional, saíram a recebê-la 3 de suas "cobaias" do laboratório, de 13, 7 e 3 anos de idade. Do alto, ela podia escutar a seu novo modelo experimental do programa de crescimento e desenvolvimento infantil (de 6 meses de idade), provando um novo padrão de vocalização.

Sentia-se triunfante! Havia vencido a burocracia.

Havia entrado nos registros oficiais como uma pessoa mais distinguida e indispensável para a humanidade que somente "uma mãe mais".

Maternidade... que profissão mais brilhante. Especialmente quando tem um título na porta.

Traduzido e adaptado por Marcus Renato.
Trini Amagintza - Grupo de Apoyo Lactancia y Maternidad - Espanha.

ricardo_tavares_vazio 

 OS ESPAÇOS QUE FICAM
Cáh Morandi

 Nunca soube o que fazer
com os espaços que ficam
depois que alguém vai embora
uma dúvida insiste
e de tanto, o meu tentar desiste
de trocar a ausência
por qualquer coisa que fira menos:
nada para repor
nada para suprir
nada que realmente comportasse
o encanto de algo que ficou
para trás


Imagem: Ricardo Tavares
quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A banda é de São Paulo e começou a se formar em 2000, tendo a sua formação atual: Cássio, Ruy, Wesley, Kali e Janaína.
Certo dia, ao ler um poema de Manuel Bandeira, Wesley percebeu que havia muita musicalidade, então adaptou um pouco a letra, mostrou para Ruy que encaixou perfeitamente uma base de violão, fazendo surgir o primeiro poema musicado da banda, Flor de Laranjeira.
Eles ficaram muito satisfeitos com o resultado e se interessaram pela possibilidade de musicar outros poemas, foram pesquisar em Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Fernando Pessoa, Gonçalves Dias e também continuaram fazendo poesias e músicas próprias, começando a formar assim a personalidade da banda e o estilo que iria ser definido mais tarde como Lítero-Musical.
Ânima em latim significa Alma, esse nome transmite muito bem a mensagem da banda, o estilo, as letras poéticas, a preocupação com a harmonia e a literatura. [Fonte]

Canção do exílio
Poesia: Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

De Primeiros cantos (1847)

O “Música Surda”, quarteto carioca, fundado em outubro de 2001, é essencialmente, um grupo de criação poética e musical voltado para a elaboração de canções brasileiras. Realiza musicalmente a poesia de autores consagrados e de novos expoentes da poesia em língua portuguesa. Assim, o grupo contribui para a ampliação do cancioneiro brasileiro, uma vez que todas as canções são inéditas de autoria dos integrantes do grupo, que também se encarrega da construção de texturas e paisagens sonoras através da criação e concepção de arranjos que buscam a renovação e o sentido poético do gênero canção.

O “Música Surda” é formado por Andréia Pedroso (voz), Antonio Jardim (violão de 6 cordas), Artur Gouvêa (violão de 6 cordas) e Eduardo Gatto (violão de 8 cordas)

A escolha do nome Música Surda faz referência ao Poema homônimo, escrito pelo carioca Dante Milano (1899-1991). [Fonte]

Respiro teu nome
Música: Antonio Jardim
poesia: Cecília Meireles

Respiro teu nome.
Que brisa tão pura
súbito circula
no meu coração!
Respiro teu nome.
Repentinamente,
de mim se desprende
a voz da canção.
Respiro teu nome.
Que nome? Procuro...
- Ah! teu nome é tudo.
E é tudo ilusão.
Respiro teu nome.
Sorte. Vida. Tempo.
Meu contentamento
é límpido e vão.
Respiro teu nome.
Mas teu nome passa.
Alto é o sonho. Rasa,
minha breve mão.

Do CD O Livro das canções - Música Surda

Jonhaton Earl Bowser

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Jonathon Earl Bowser - é um canadense que nasceu em 1962, começou a pintar aos 8 anos e aos 18 já havia se graduado na Alberta College of Art.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Corrida de Jangada
Autor: Edu Lobo
Intérprete: Thaís Gulin
Programa Som Brasil - Edu Lobo
[Fonte]

segunda-feira, 27 de outubro de 2008
gota_cecilia

Clique na imagem para ver em tamanho maior


Gosto de gota d'água que se equilibra
na folha rasa, tremendo ao vento.
Todo o universo, no oceano do ar, secreto vibra:
e ela resiste, no isolamento.
Seu cristal simples reprime a forma, no instante incerto:
pronto a cair, pronto a ficar - límpido e exato.
E a folha é um pequeno deserto
para a imensidade do ato.


[Cecília Meireles - Epigrama nº 5]



ALÉM-MAR
Interp.: Ivo Angelo e Celia Rabello
Composição: Ivo do Pinho Ângelo

Além muito além do além muito aquém de você
sonhar por cem anos lembrar simplesmente viver
além das saudades de lar ao tentar te esquecer
voltar simplesmente saber como anda você
além mil motivos pra amar liberdade buscar
no lar muito além do além-mar a cidade cantar
remar nas ondas do luar na distância perdido
achar um sentido ao ver o horizonte nascer
são anos se sol pela estrada de tanta saudade
um pouco da felicidade além-mar encontrar

Do CD Tons da Cidade

Quando a gente Ama
Autores: Marcelo Barboza /Bozzo Barretti/Nil Bernardes/Fábio Caetano

Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar
Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar
Meu amor, a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar
Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama!

[Fonte]

domingo, 26 de outubro de 2008

amaranto_flavia amaranto_lucia amaranto_marina
      Flávia                      Lúcia                   Marina

As irmãs Flávia, Lúcia e Marina Ferraz trazem o entrosamento de casa. Sempre cantando e tocando juntas, realizam um trabalho vocal extremamente apurado, além de serem instrumentistas (violão, flauta e piano, respectivamente) com sólida formação acadêmica.

Com criatividade e inteligência, o grupo elabora seus próprios arranjos, demonstrando que domina amplamente seus recursos musicais. Exploram-se, com elegância e bom gosto, elementos como cânones, contracantos, uníssonos e trios, e os cuidados precisos com a instrumentação são também notáveis. Tais qualidades têm recebido aplausos calorosos da crítica mais inteligente, além de encontrar forte reconhecimento no meio musical e já ter formado um público considerável e fiel.

Em março de 2000, o Amaranto lançou, em Belo Horizonte, o seu primeiro CD: Retrato da Vida, que apresenta canções de Djavan.

O show intitulado Aos Olhos de Guignard, resultado da parceria com Flávio e Marina, realizado em Belo Horizonte, foi gravado e deu origem ao aclamado CD homônimo, lançado em abril de 2001, com um show recorde de público no Museu Histórico Abílio Barreto (BH).

Em 2002, o Amaranto foi agraciado, pela terceira vez consecutiva, com o título de Melhor Grupo Vocal de Minas Gerais, pelo Troféu Pró-Música (1999, 2000 e 2001).

Ainda naquele ano, participara no disco Chico Rei – Uma Dança, Um Poema Musical, música de Geraldo Vianna com textos de Fernando Brant.

Lançado em agosto de 2003, o terceiro CD do Amaranto - Brasilêro, dirigido por Rodolfo Stroeter. [Fonte]

Charles Henri Joseph Leickert

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Charles Henri Joseph Leickert (Bruxelas, 22 de setembro de 1816 - Mainz, 5 de dezembro de 1907) foi um pintor belga de paisagens holandesas. Aprendeu a pintar na Escola de Haia com os pintores paisagistas Bartholomeus van Hove, Wijnand Nuijen e Andreas Schelfhout. Posteriormente, Leickert se especializou em cenas invernais. Quase todas as suas obras foram pintadas nos Países Baixos, de 1841 a 1848 em Haia, e de 1849 a 1883 em Amsterdã. Em 1856, tornou-se membro da Real Academia de Amsterdã. Aos 71 anos de idade se mudou para Mainz, na Alemanha.

sábado, 25 de outubro de 2008


 “Falling Slowly”, tema do filme irlandês “Once”, venceu o Oscar 2008 de Melhor Canção Original.
A composição e interpretação são dos protagonistas do filme: Markéta Irglová e Glen Hansard.
A música  é linda e mostra como é possível se apaixonar aos poucos, lentamente, sem nem se dar conta disso - também é a história do filme.

I don’t know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can’t react
And games that never amount
To more than they’re meant
Will play themselves out
Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You’ve made it now
Falling slowly, eyes that know me
And I can’t go back
Moods that take me and erase me
And I’m painted black
You have suffered enough
And warred with yourself
It’s time that you won
Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You’ve made it now
Falling slowly sing your melody
I’ll sing along

Tradução [Fonte]

Eu não te conheço
Mas te quero
Ainda mais por causa disso
As palavras caem de mim
E sempre me enganam
E eu não consigo reagir
E jogos que não são
Mais do que parecem
Irão se desgastar sozinhos
Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você tem uma escolha
E você a fez agora
Se apaixonando aos poucos, olhos que me conhecem
E eu não posso voltar atrás
Humores que me tomam e me anulam
E eu estou deprimido
Você já sofreu o bastante
E brigou consigo mesma
É hora de você vencer
Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você teve uma escolha
E você a fez agora
Se apaixonando lentamente, cante sua melodia
Eu cantarei junto.
Nuvem


Clique na imagem para entrar no álbum do Picasa

A vida é a contemplação daquela nuvem.
E o mundo
uma forma de passar, que inventamos
para não ver que o mundo não é o mundo,
mas uma nuvem. Passando.

[frag. Contemplação da Nuvem - Antonio Brasileiro]

Leia na íntegra >> AQUI

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

 Boulders_on_Bear_Cliff 
                          imagem: Charles Courtney Curran


Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…

 

[Eu queria ser o mar - Florbela Espanca
do Livro de Mágoas]

4_diegorivera
                       imagem: Diego Rivera


Tem sempre presente, que a pele se enruga,
que o cabelo se torna branco,
que os dias se convertem em anos,
mas o mais importante não muda!

Tua força interior e tuas convicções não têm idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.

Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada triunfo, há outro desafio.

Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de todos esperarem que abandones.
Não deixes que se enferruje o ferro que há em você.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.

Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.
Mas nunca te detenhas!

[Nunca te detenhas!  - Madre Teresa de Calcutá]

Desire
Arte: Jonhaton Earl Bowser      

DÁDIVA
Lilian Maial

  
Quisera ofertar-te
o vôo dos pássaros,
o momento do nascimento,
o segundo antes do beijo,
o sonho que precede o adormecer.
Quisera entregar-te
os olhos baços,
o arrependimento,
o leite de cada seio,
o pôr-do-sol e o amanhecer.
Quisera dar-te
as quatro estações,
as cerimoniosas fases da lua,
a Vênus de Milus inteiramente nua,
a neve caindo ao alvorecer.
Quisera doar-me a ti por inteiro,
pela eternidade do instante,
colher-te os frutos,
semear-te os versos
e cantar-te o amor
[que sinto].
Quisera, apenas quisera,
acompanhar-te, em silêncio, pela vida,
calar as vozes que perturbam teu sono,
deitar-me à tua sombra
de frondoso tronco.
Quisera fazer-te brisa e flor do campo
e deixar que despertasses
com meu nome nos lábios
– única palavra em teu vernáculo –
a me sorrir,
presente.

Dádiva - Lilian Maial
I Antologia Poética A Voz da Poesia, pg. 27

ma_Warren_Mobile_Home
                                        imagem: Jim Warren


Meu caro João Cabral de Mello Neto,
não é por mal,
mas você disse uma vez que poesia é construção,
trabalho, artesanato puro,
que o poema pode ser feito
como uma ponte, um muro,
como uma casa, a base de um projeto...
O Poeta seria
um arquiteto.

Desculpe, meu irmão,
mas não é não.

Você negou a inspiração.
Meu Deus, que heresia!
Como poderia
haver poesia então?

Poesia é graça,
transe interior,
revelação,
algo do coração, sentimental,
sem hora, sem razão aparente
para chegar,

como alguém que bate à sua porta, uma estranha,
u ma indigente, sem lar,
que você levava em si sem se aperceber,
e, surpreendentemente,
se põe a falar de repente
de você
para você.

E explicar, para que?
O poeta, irmão, é um Ser que pensa
porque sente,
e a emoção - a matéria-prima do seu verso...
A poesia - misto de imagem, ritmo, harmonia,
vivência, imaginação,
prazer ou sofrimento,
toma forma e se conforma
no pensamento...
(Como se imaginar um poeta sem sentimento
ante o seu Universo?)

No coração de um poeta
a poesia
- violino
divino –
é um inexplicável solo;
e em sua forma, em sua essência
como um cristal
se cristaliza
e todo em luz se irradia.
Mas em sua imaculada beleza a transparência
desconhece as leis da cristalografia.

Quanta vez, entre surpreso e atônito,
feliz depois do que escreveu,
o poeta é como um mergulhador que desceu
fundo
em seu mar,
em seu mundo...

Mas para se achar
se perdeu...

A inspiração
que você nega,
todo artista a conhece, ou consigo
a carrega.
Proust a comparou a uma decolagem,
uma espécie de ascensão
que o poeta faz de si mesmo,
de suas íntimas pistas...

Ao descortinar a sua paisagem
do alto, em surpreendentes vista,
cada poeta é um avião.

Desculpe, João Cabral, mas poesia
não é apenas construção,
(pensar assim seria fácil
demais).

O poeta não põe palavra em cima
de palavra,
verso em cima
de verso,
como um pedreiro
põe um tijolo
em cima de outro tijolo
no muro que faz.

Se isso fosse verdade
a gente poderia abrir uma escola,
uma faculdade,
para formar poetas, como engenheiros
ou bacharéis,
e dar diplomas e anéis
a esse poeta-doutor,
ao poeta-bacharel,
o que poderia por palavras no papel
falar da vida ou do amor,
bater nas teclas, seguro,
mas nunca decifrar a beleza e o mistério
de tudo o que nos cerca,
ou ser uma espécie de Nostradamus
antevendo o futuro.

Afinal
estou certo ou errado?
Será que digo um disparate?
Mas o poeta, esse ser predestinado,
não é um vate?

Ah, meu caro João Cabral de Mello Neto,
se o poeta fosse um arquiteto,
pense bem,
o poema não seria
um gesto, uma asa,
um olhar, uma vela
sobre o mar,
mas uma casa,
bela, como você diz,
mas uma casa vazia...

E uma casa vazia, meu irmão,
é menos que uma tumba...
Nela ao menos há uma flor, um nome, uma data,
uma lembrança,
uma saudade presente,
um farrapo de história
que permanece na memória
de alguém,
sombra, ou sonho de amor.

Não basta saber construir a casa, caro poeta.
A casa vazia,
é preciso povoá-la com vida

que se agita, e canta, e chora, e ri,
e é tristeza, paixão,
alegria.

Poesia
não é palavra apenas, - construída
é algo sem explicação
dentro, e acima de nós;

uma flor que de repente se entreabre
e se balança,
na ponta de um ramo ao sopro do vento,
e tem alma, e tem voz,
tem sentimento,
e é luz, perfume, imagem,
misteriosa e singular linguagem
secreta,
desconhecida,
humana ou divina
premonição da vida
no coração
do Poeta.


Carta ao Poeta João Cabral de Mello Neto
(Conversa Sobre Poesia)
de JG de Araujo Jorge
in "Tempo Será " 1a ed. 1986


[Fonte]

Canção do exílio 
Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

De Primeiros cantos (1847)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008



SONHEI
Inteerp. Lenine
Composição: Lenine / Ivan Santos / Bráulio Tavares


Sonhei e fui, sinais de sim,
Amor sem fim, céu de capim,
E eu olhando a vida olhar pra mim.
Sonhei e fui, mar de cristal,
Sol, água e sal, meu ancestral,
E eu tão singular me vi plural.
Sonhei e fui, num sonho à toa,
Uma leoa, água de Goa,
E eu rogando ao tempo:
- Me perdoa
E eu rogando ao tempo:
- Me perdoa
Sonhei pra mim, tanta paixão,
De grão em grão, verso e canção,
E eu tentando nunca ouvir em vão.
Sonhei, senti, sol na lagoa,
Céu de Lisboa, nuvem que voa,
E um país maior que uma pessoa.
Sonhei e vim, mares de Espanha,
Terras estranhas, lendas tamanhas,
E eu subi sorrindo esta montanha.
E eu subi sorrindo esta montanha.
Sonhei, enfim, e vejo agora,
Beijo de Aurora, ventos lá fora,
E eu cantando a Deus e indo embora.
E eu cantando a Deus e indo embora.

terça-feira, 21 de outubro de 2008
olhar_21


SEMPRE
João de Deus

Nem te vejo por entre a gelosia;
Nunca no teu olhar o meu repousa;
Nunca te posso ver, e todavia,
Eu não vejo outra cousa!



imagem da internet 

Fonte

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar pro meu menino
Que ele não pode mais cantar

[De Chico Buarque e Miltinho (MPB-4)]

Para a estilista Zuzu Angel, morta em circunstâncias misteriosas, depois de enfrentar a ditadura militar para encontrar o corpo de seu filho, Stuart Angel Jones, torturado, assassinado e "desaparecido" pelo governo militar, nas dependências da Aeronáutica, década de 1970.

Mais de Chico Buarque

Washington Maguetas

 
Clique na imagem para entrar no álbum do Picasa.

Washington Maguetas nasceu em 05 de julho de 1942, em Taquaritinga (SP). Tornou-se professor de desenho e pintura desde 1960. Sua principal atividade sempre foi a pintura, também tendo criado músicas (letras e melodias), esculturas e poesias.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Drummond_Vinicius_Bandeira_Quintana_MendesCampos

Você identifica quem são?

Coloque o mouse sobre a imagem.

livro_vento
                                                     imagem da internet
 “A vida e os sonhos são as páginas de um livro único; a leitura seguida dessas páginas é o que se chama a vida real; mas quando o tempo habitual da leitura (o dia) passa, e chega a hora do repouso, continuamos a folhear negligentemente o livro, abrindo-o ao acaso nesse ou naquele lugar, e caindo ora em uma página já lida, ora em outra que não conhecemos; mas é sempre o mesmo livro que lemos.”

[Schopenhauer in ”O mundo como vontade e como representação” publicado integralmente no Brasil em 2005 pelo filosofo Jair Barboza]
domingo, 19 de outubro de 2008

Lua

 
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Quando a noite invadir a varanda, te darei
Uma lua de presente e, talvez,
Me presenteies com teu sorriso mais promissor:
Aquele que reflete o céu
E todas suas possibilidades.


[II - Anderson Christofoletti]

casal_m_78
                                    imagem da internet

 

A mão, solícita, toca
A maçã de teu rosto
Capturando palavras sem pronúncia

Numa fuga inconsciente
Do hábito de apenas existir
Banho-me na foz de todo desejo
Mimetizado sob a forma de silêncio.

O gesto fragmenta-se no espaço
E os corpos apartam-se pelo tempo...

[I  - Anderson Christofoletti]

Rosas I

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Meus olhos lassos,
Então, descansam em uma rosa.
Deixam-se aliciar pela airosa
Forma que se exprime em silêncio.

Versos a Uma Rosa II (Fragmento)
©Anderson Christofoletti

 sentio
                                                    Imagem: Tomasz Rutz


Que quando chego do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo - filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente.
Que quando nos sentarmos à mesa para jantar ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos.
E se for uma profissional, que divida comigo o tempo de comentarmos nosso dia.
Que se estou cansado demais para fazer amor, ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.
Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.
Que não tire nosso bebê dos meus braços dizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele, mas me ensine docemente se eu não souber.
Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou me distraio demais.
Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossas intimidades com as amigas, como tantas mulheres fazem.
Que quando conto uma piada para ela ou na frente de outros, ela não faça um gesto de enfado dizendo "Essa você já me contou umas mil vezes".
Que ela consiga perceber quando estou preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa, sem me pressionar para relatar tudo, nem suspeitar de que já não gosto dela.
Que quando preciso ficar um pouco quieto ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse falta de amor.
Que quando estou com pouco dinheiro ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens em lugar de prover minha família.
Que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela.
Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda hora para cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo.
Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho amante.
Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.
Que cuide um pouco de mim como minha mulher, mas não como se eu fosse uma criança tola e ela a mãe, a mãe onipotente, que não me transforme em filho.
Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito terno e divertido que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.
Que eu não sinta que me tornei desinteressante ou banal para ela, como se só os filhos e as vizinhas merecessem sua atenção e alegria.
E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente,
ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.

[Canção dos Homens - Lya Luft]

harvest
                                            Imagem: William Whitaker


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

[Canção das mulheres - Lya Luft]

The_Waiting
                                       Imagem: Jonhaton Earl Bowser


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

[As Palavras  - Eugenio de Andrade]

sábado, 18 de outubro de 2008

Iman Maleki

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O pintor iraniano Iman Maleki, gênio do realismo, ganhou os prêmios William Bouguereau e o "Chairman´s Choice" no II Concurso Internacional de Art Renewal Center. Muitos o consideram o melhor pintor de arte realista do mundo e até os puristas renderam-se às suas pinturas que podem ser facilmente confundidas com fotografias de máquinas de muitos megapixels.

Anne Geddes

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Anne Geddes, fotógrafa, nasceu em setembro de 1966, na Austrália. Além de fotógrafa é estilista e empresária. Ela é conhecida por seu estilo em fotografar bebês.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Frida Kahlo


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Filha do fotógrafo judeu-alemão Guilhermo Kahlo e de Matilde Calderón e Gonzalez, uma mestiça mexicana. Em 1913, com seis anos, Frida contrai poliomielite, sendo esta a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofre ao longo de sua vida. A poliomielite deixa uma lesão no seu pé direito e, graças a isso, ganha o apelido Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). A partir disso ela começou a usar calças e depois, longas e exóticas saias, que vieram a ser uma de suas marcas pessoais.

Ao contrário de muitos artistas, Kahlo não começou a pintar cedo. Embora o seu pai tivesse a pintura como um passatempo, Frida não estava particularmente interessada na arte como uma carreira.

Entre 1922 e 1925 frequenta a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México e assiste a aulas de desenho e modelado.

Em 1925, aos 18 anos aprende a técnica da gravura com Fernando Fernandez. Porém sofreu um grave acidente. Um autocarro no qual viajava chocou com um comboio, acidente que fez a artista ter de usar vários coletes ortopédicos de materiais diferentes, chegando inclusive a pintar alguns deles (por exemplo o colete de gesso intitulado "a coluna partida"). Por causa desta última tragédia fez várias cirurgias e ficou muito tempo acamada. Durante a sua longa convalescência começou a pintar, com uma caixa de tintas que pertenciam ao seu pai, e com um cavalete adaptado à cama.

Em 1928 quando Frida Kahlo entra no Partido comunista mexicano, ela conhece o muralista Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte. Sob a influência da obra do marido, adoptou o emprego de zonas de cor amplas e simples num estilo propositadamente reconhecido como ingênuo. Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional mexicana, por isso adotava com muita freqüencia temas do folclore e da arte popular do México.

Entre 1930 e 1933 passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit com Rivera. Entre 1937 e 1939 Leon Trotski vive em sua casa de Coyoacan. Em 1938 André Breton qualifica sua obra de surrealista em um ensaio que escreve para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy de Nova Iorque. Não obstante, ela mesma declara mais tarde: "pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade".

Em 1939 expõe em Paris na galeria Renón et Colle. A partir de 1943 dá aulas na escola La Esmeralda, no D.F. (México).

Em 1953 a Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua honra.

Alguns de seus primeiros trabalhos incluem o "Auto-retrato em um vestido de veludo" (1926), "retrato de Miguel N. Lira" (1927), "retrato de Alicia Galant" (1927) e "retrato de minha irmã Christina" (1928).

Depois de algumas tentativas de suicídio, em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo foi encontrada morta. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como a causa da morte. Mas não se descarta que ela tenha morrido de overdose, que pode ter sido acidental ou não. A última anotação em seu diário que diz "Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais retornar- Frida" permite aventar-se a hipótese de suicídio.

Diego Rivera descreveu em sua auto-biografia que o dia da morte de Frida foi o mais trágico de sua vida.

Quatro anos após a sua morte, sua casa familiar conhecida como "Casa Azul" transforma-se no Museu Frida Kahlo.Trata-se de uma exposição de Frida Kahlo. Frida Kahlo, reconhecida tanto por sua obra quanto por sua vida pessoal, ganha retrospectiva de suas obras, com objectos e documentos inéditos, além de fotografias, desenhos, vestidos e livros.

No ano de 2002, sob a direcção de Julie Taymor, é lançado o filme que narra a história da pintora, interpretada pela actriz Salma Hayek. O longa metragem conta ainda com a presença de Alfred Molina, interpretando Diego Rivera. [Fonte]

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

peter_kater

Pianista, Compositor e Produtor

Alemão de nascimento e ascendência, começou a tocar piano com 4 anos de idade, quando mudou-se com a sua mãe de Munique, na Alemanha para New Jersey.

Seu primeiro álbum solo de piano, Espírito Santo, saiu em 1983. Para sua surpresa entrou para o Top 10. A partir daí seus álbuns começaram a receber atenção nacional e aparecer no Top 10.
Vários diretores e produtores de televisão e teatro, procuraram Peter Kater e desde então ele tem realizado trabalhos com os mais importantes e talentosos músicos, atores, diretores e autores.

Recebeu um Grammy pelo projeto Faces of Sun - melhor álbum New Age. Sua quarta indicação nos últimos 5 anos. Em 2005 o seu cd Fire (Series: Elements) recebeu uma indicação para o Grammy
Em 2004 o seu cd Red Moon ganhou o Grammy.
Ele já compôs músicas para mais de 100 programas de televisão e cinema e 11 composições para peças da Broadway.

foi homenageado com o prêmio Liderança Ambiental pelas Nações Unidas em 1995 pelo seu empenho e dedicação ao meio ambiente e causas humanitárias.

Peter Kater vive atualmente no sul da Califórnia desfrutando do clima, o estilo de vida e os recursos de incrível talento criativo e oportunidades que existem lá.

Peter Kater tem tocado milhões de corações em todo o mundo.

olhando_ceu
                                         imagem: João Carlos Viegas


Pousa um momento,
Um só momento em mim,
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim
Nesse momento!

No olhar a alma também
Olhando-me, e eu a ver
Tudo quanto de ti teu olhar tem.
A ver até esquecer
Que tu és tu também.

Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu. Tudo o que sou
Ficou com o momento
E o momento parou.

[Fernando Pessoa]

  avp_antologia_poetica
                           imagem: arquivo pessoal


Deixaria neste livro
toda a minha alma.
este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.

Que pena dos livros
que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas
e lentamente passam!

Que tristeza tão funda
é olhar os retábulos
de dores e de penas
que um coração levanta!

Ver passar os espectros
de vida que se apagam,
ver o homem desnudo
em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte,
a síntese do mundo,
que em espaços profundos
se olham e se abraçam.

Um livro de poesias
é o outono morto:
os versos são as folhas
negras em terras brancas,

e a voz que os lê
é o sopro do vento
que lhes incute nos peitos
- entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore
com frutos de tristeza
e com folhas murchas
de chorar o que ama.

O poeta é o médium
da Natureza
que explica sua grandeza
por meio de palavras.

O poeta compreende
todo o incompreensível
e as coisas que se odeiam,
ele, amigas as chamas.

Sabe que as veredas
são todas impossíveis,
e por isso de noite
vai por elas com calma.

Nos livros de versos,
entre rosas de sangue,
vão passando as tristes
e eternas caravanas

que fizeram ao poeta
quando chora nas tardes,
rodeado e cingido
por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.

Poesia é a vida
que cruzamos com ânsia,
esperando o que leva
sem rumo a nossa barca.

Livros doces de versos
sãos os astros que passam
pelo silêncio mudo
para o reino do Nada,
escrevendo no céu
suas estrofes de prata.

Oh! que penas tão fundas
e nunca remediadas,
as vozes dolorosas
que os poetas cantam!

Deixaria neste livro
toda a minha alma...


Este é o prólogo - Federico Garcia Lorca
tradução:  William Agel de Melo

h21

NUNCA E SEMPRE
Helena Kolody

Sempre cheguei tarde
ou cedo demais.
Não vi a felicidade acontecer.
Nunca floresceram
em minha primavera
as rosas que sonhei colher.
Mas sempre os passarinhos
cantaram e fizeram ninhos
pelos beirais
do meu viver.



imagem: Harrison Howard

barquinho_de_papel
                                                       imagem da internet

Um outro dia, embaixo da chuva, esperamos um barco à beira de um lago; a mesma lufada de aniquilamento me atinge, desta vez por felicidade. Assim, às vezes, a infelicidade ou a alegria desabam sobre mim, sem nenhum tumulto posterior, nenhum outro sentimento: estou dissolvido, e não em pedaços: caio, escorro, derreto. Este pensamento levemente tocado, experimentado, tateado (como se tateia a água com pé) pode voltar. Ele nada tem de solene. É exatamente a doçura.

Roland Barthes

Pinturas Africanas



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A arte africana representa os usos e costumes das tribos africanas. O objeto de arte é funcional e expressam muita sensibilidade. Nas pinturas, assim como nas esculturas, a presença da figura humana identifica a preocupação com os valores étnicos, morais e religiosos.

sábado, 11 de outubro de 2008
ausencia_3

ARRANCO O AMADO DO MEU CORPO
Léa Waider

Arranco o amado distante do meu corpo e me liberto da
dor da ausência ou deixo que sua luz, tão forte quanto rara, me alimente os sonhos de calor?


imagem da internet
sexta-feira, 10 de outubro de 2008

anderson_frag  imagem: arquivo pessoal

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
flor_deserto_9
Imagem Google


VENTURA
Rita Costa

Vi flores nascerem em pedras   
quando não mais descia a rua,
levitando na sombra das nuvens,
muito tempo após
rodopiar entre borboletas.
Outra vez me vejo atenta…
sinto cheiro de terra molhada,
ouço a melodia da chuva
quando de encontro
ao parapeito e à janela.
Medito… no transparente voal,
fronteira insegura dos sentidos,
que frágil, balançando na brisa,
revela ao meu olhar o horizonte.

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                                                       imagem da internet


O olhar atravessava a vidraça, uma vidraça invisível que só o tempo e a distância os separavam.
Vira um sem número de vezes aquele homem, sentado, olhando o jardim, com um silêncio quase ensurdecedor. O seu olhar era atento, tão atento que tomava no centro, tudo quanto alcançava na periferia e quando a olhava nos olhos, o silêncio tomava a forma das palavras que nenhum dos dois ousava dizer.
Periodicamente, com a cadência da vida aquele homem voltava ao mesmo lugar, como se viesse para alimentar a alma com tudo quanto via. Tinha fome daquela beleza toda que aquele jardim lhe oferecia. Já não era só o corpo quem lho pedia, era também a alma que lho exigia.
Trazia com ele, sempre o mesmo sorriso branco de aragem, que não se sabe ler excepto quando se sente o aroma de rosas, vindo da que elegantemente ele cuidava e tomara como sua, até ao momento que aguardava para falar uma linguagem que já não recordava.
Tantas as vezes que ela vira aquele homem, como se esperasse por algo ou alguém, que não aparecera durante anos e por quem aprendera a esperar com o tempo ao lado.

Nesse dia ela iria mudar tudo. Iria ver o mesmo jardim com os olhos dele e decidida, iriam partilhar o pão que nesse dia ela cozesse, como se procurasse com isso, saciar uma ausência que já não queria.
Firme, aproximou-se dele em silêncio e apontou-lhe generosa, o caminho que ambos percorreram até à porta da casa onde lhe serviria do mesmo que ela comesse ou bebesse, no mais genuíno gesto que conhecera de dádiva.

Já de saída, enquanto uma das mãos, lenta, parecia pentear com os dedos os cabelos dela, com a outra deixava-lhe o seu único bem, a sua rosa, que do tom pérola tomara agora a cor dos lábios.
Ela, das mãos, por destino daria àquela rosa a jarra mais transparente que ela conhecia, e que viria a revelar-se ser a escolha justa, pelos dias que a mesma duraria, majestosa e graciosa, preservando o aroma, tanto quanto a memória de quem a dera, o permitia.

Já passados os dias que as mãos já não contavam, preparava-se para votar aquela rosa à secagem entre as folhas de um livro, num gesto que apenas reservava para as flores que lhe eram especiais e que queria memorizar nas tábuas do tempo que vivera feliz.
Enquanto tomava nas mãos aquela rosa que se vergava ligeiramente, resignada à poda que a levara até ali, repara que do caule brotavam duas pequenas folhas, dum verde tímido que teimava em fazer viver o milagre que antes parecera não existir mais.
Surpreendida, iria agora levar aquele caule de volta ao jardim, onde com o homem que lha dera, o plantaria onde o sol mais chegasse e o frio poupasse.
Iria ver crescer aquele caule obstinado ao destino e as folhas que o enfeitavam, todos os dias através da mesma vidraça, até que já com rosas feitas, o homem entrasse e lhas trouxesse, num novo ciclo de renascimento.

O Milagre da Rosa >> DAQUI

quarta-feira, 8 de outubro de 2008
sens_49

POEMA AO MAIS RECENTE AMOR
Leila Miccólis

Estar entre teus pêlos e dedos,
entre tua densidade,
neste transpirar sob medida
aos teus gemidos.
Estar entre teus trópicos,
entre o teu desejo e o meu prazer,
beber parte dos teus líquens e teus rios,
percorrendo-te da foz até a origem,
e pura a cada amor partir mais virgem.


In: Saciedade dos poetas vivos, Blocos, 1993. v.4, p.59
 imagem da internet

tarsila_do_amaral
                                           imagem: Tarsila do Amaral


Mulher da Vida, minha Irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.
Mulher da Vida, minha irmã.
Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.
Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.
Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.
Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.
A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra
”.
As pedras caíram
e os cobradores deram s costas.
O Justo falou então a palavra de eqüidade:
Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno
”.
A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.
Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.
Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.
Mulher da Vida, minha irmã.
No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.
E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrurível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.
Mulher da Vida, minha irmã.
Declarou-lhe Jesus:
Em verdade vos digo
que publicanos e meretrizes
vos precedem no Reino de Deus
”.
Evangelho de São Mateus 21, ver.31.

[Mulher da vida, minha irmã - Cora Coralina]
Poesia dedicada, por Cora Coralina, ao Ano Internacional da Mulher em 1975.

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