sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Para Rita de Cássia, a moça que tem voz de queijo com goiabada!



Amo-te muito
Como as flores amam
O frio orvalho que, infinito, chora
Amo-te muito qual sabiá-da-praia
Ama a sanguínea e deslumbrante aurora
Ó não te esqueças que eu te amo assim
Ó não te esqueças nunca mais de mim
Amo-te muito
Como a onda à praia
E a praia à onda que a vem beijar
Amo-te muito como a branca pérola
Ama as entranhas do infinito mar
Ó não te esqueças que eu te amo assim
Ó não te esqueças nunca mais de mim



AMO-TE MUITO
Intérprete: Marcelo Barra
Composição: João Chaves

A Poesia te convida:
www.avozdapoesia.com.br

sexta-feira, 18 de agosto de 2017



SONETO DE INSPIRAÇÃO
Vinícius de Moraes

Não te amo como uma criança, nem
Como um homem e nem como um mendigo
Amo-te como se ama todo o bem
Que o grande mal da vida traz consigo.

Não é nem pela calma que me vem
De amar, nem pela glória do perigo
Que me vem de te amar, que te amo; digo
Antes que por te amar não sou ninguém.

Amo-te pelo que és, pequena e doce
Pela infinita inércia que me trouxe
A culpa é de te amar — soubesse eu ver

Através da tua carne defendida
Que sou triste demais para esta vida
E que és pura demais para sofrer.


© VINÍCIUS DE MORAES
In Novos poemas, 1938
Imagem: Nik Helbig

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

DIÁLOGO
Nuno Júdice

«Posso beber o amor pelo copo dos teus lábios?»
O disco chega ao fim;
um ruído de rua entra pela janela;
não sei se ainda é dia,
ou se a noite começa.
Mas o mundo não interfere
no equilíbrio frágil das nossas vidas.
Este copo não se esvazia;
e os teus olhos
levam-me à fronteira do sonho,
para que a passe,
e entre contigo num país de nuvem.
O meu passaporte são as tuas mãos;
o mapa que nos guia,
a respiração incerta do desejo.
«Por isso me perco», dizes.
«Por isso te encontro», respondo.
E a noite que nos separa é o dia que nos reúne.



segunda-feira, 14 de agosto de 2017






















A VIDA É COLORIVEL
Marilina Baccarat de Almeida Leão



Há quem diga que sonha em preto e branco, outros, que sonham colorido. Sonhar colorido é muito mais interessante, pois tudo fica mais bonito. Os sonhos estão aí para definir a vida em cores. Os otimistas e sonhadores sempre vão dizer que a vida é colorível, mesmo que os sonhos sejam brancos e pretos.

A forma, pela qual todos veem a vida, não muda nada, o importante é que todos possam tornar a vida colorivel, porque o que sonham, seja preto e branco ou colorido, não importa. O que realmente é importante são os acertos, para que a vida se torne colorida.

Temos que viver colorindo a vida do nosso jeito, isto é, fazer com que a vida seja colorível. Assim seremos mais felizes.

A vida é muito mais que a exatidão de um preto e branco. Vai muito além da importância de torná-la colorida. Ela é uma dádiva e, viver plenamente, é um presente irrecusável, assim como é colorir um desenho.

Muitos diriam que, definir a vida em cores, para eles, ela seria preta e branca. Essas pessoas são muito calculistas, não se interessam muito em colorir a vida. Os pessimistas diriam que a vida é cinza, não haveria graça em tentar colori-la. Mas os otimistas e sonhadores diriam que a vida é para se colorir, então ela é colorível.

Podemos seguir nosso caminho, logo, podemos deixar, junto a estes caminhos, uma vida colorida. Não é porque o papel é branco que deve permanecer branco. As folhas brancas estão aí para serem coloridas. E assim é a vida, colorível. Com os sentimentos de amor vem a bondade, a alegria e a vida se torna branda, bem colorida. São esses sentimentos que fazem com que a vida seja colorivel.

A vida ganha cor para que possamos apreciá-la, para não olharmos para ela e nos sentirmos amargos e infelizes, pois as cores trazem a felicidade.

Se os nossos sonhos forem em preto e branco, devemos fazer com que a vida seja muito mais que em preto e branco. Devemos dar cor à vida, porque ela é colorivel e ser colorivel é poder ter a oportunidade de colorir a vida.

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Marilina Baccarat de Almeida Leão
In Colorindo a vida
Imagem: rainbow-rays-light-fun (Google)

domingo, 13 de agosto de 2017
Michael & Inessa Garmash

SERENA

Henriqueta Lisboa

Essa ternura grave
que me ensina a sofrer
em silêncio, na suavidade do entardecer,
menos que pluma de ave
pesa sobre meu ser.


E só assim, na levitação da hora alta e fria,
porque a noite me leve,
sorvo, pura, a alegria,
que outrora, por mais breve,
de emoção me feria.

Henriqueta Lisboa
In Azul Profundo
Imagem: Michael & Inessa Garmash
Mais da autora: A VOZ DA POESIA


domingo, 21 de fevereiro de 2016
Arte: Arkady Ostritsky (Russian)

AMO-TE SEMPRE
Vítor Matos e Sá


Amo-te sempre
com um pouco de barco e de vento
com uma humildade de mar à tua volta
dentro do meu corpo; com o desespero
de ser tempo;


com um pouco de sol e uma fonte
adormecida na ternura.


Merecer este minuto de palavras habitando
o que há sem fim no teu retrato;
Este mesmo minuto em que chegam e partem navios
- nesta mesma cidade deste
minuto, desta língua, deste
romance diário dos teus olhos -


(e chegarão com armas? refugiados? trigo?
partirão com noivas? missionários? guerras? discursos?)


Merecer a densa beleza do teu corpo
que tem água e ternura, células, penumbra,
que dormiu no berço, dormiu na memória,
que teve soluços, febre, e absurdos desejos
maiores que os braços,


merecer os dias subindo das florestas - e vêm
banhar-se, lentos, nos teus olhos...


Merecer a Igreja, o ajoelhar das palavras,
entre estes cinemas visitando, em duas horas, a alma,
estes eléctricos parando atrás do infinito
para subirem os namorados, a viúva, o cobrador da luz, a
costureira
entre estes homens que ganham dinheiro, sangue frio, ou vícios,
    ou medalhas
e estes telefones roubando a lealdade dos olhos...


Teus cabelos cheirarão ainda a infância
e a vento, depois de passarem por esta fome pública,
estes olhos com regras de trânsito, estes dias sujos,
estes lábios que já não ensinam o pomar
ou a fonte, nem têm gosto de leite e de aurora,
depois destes olhos cheios da pergunta de estarem vivos
em vão?


Merecer honradamente este poema, todos os poemas,
como quem parte, entre os dedos a brancura
quente de um pão!

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Vítor Matos e Sá
In Esparsos

Sobre o autor:
Vítor Matos e Sá é o pseudônimo de Vítor Raul da Costa Matos. Nasceu em Maputo, antiga cidade de Lourenço Marques, em 1926, e faleceu em Espanha em 1975. Licenciou-se e doutorou-se em filosofia pela Universidade de Coimbra tendo sido diretor do Instituto Filosófico da mesma universidade. Entre 1964 e 1970 fez vários estágios na Inglaterra. Colaborou, como poeta, na Távola Redonda, na Árvore, nos Cadernos do Meio-Dia, entre outras obras.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Arte: Antonietta Varallo


ITAOCA
Vinicius de Moraes

Serenamente pousada
Sobre a montanha elevada
Como um ninho de poesia,
A casa branca e pequena
É como a mansão serena
...
Da luz, da paz, da alegria!

Ó viajante fatigado
Se no teu passo cansado
Aqui vieres pousar,
Tu voltarás satisfeito
Com risos claros no peito
E calmas santas no olhar!
 

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Mais do autor  A Voz da Poesia
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

CONTEMPLO O LAGO MUDO
Fernando Pessoa

Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.
Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

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FERNANDO PESSOA
4-8-1930
In Poesias, 1942
Ed. Ática, Lisboa
Mais do Autor:  A VOZ DA POESIA
Imagem: the lost wood by caithness155-2
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