XX
HILDA HILST in Presságio (1950)
Antes soubesse eu
o que fazer com estrelas na mão.
Se dilacerar-lhes a ponta
ou simplesmente não tocá-las.
Se estão perto cegam meus olhos.
Se estão longe as desejo.
Antes soubesse eu
o que fazer com estrelas na mão.
O Mito da Caixa de Pandora
Recontado por Fábio San Juan
Os gregos antigos contavam muitas histórias sobre a origem das coisas, como todos os povos antigos faziam.
Para explicar a origem das coisas ruins que existem no mundo, os gregos criaram a história da Caixa de Pandora.
Para os gregos, havia muitos deuses, e não só um. Os maiores deuses moravam no alto de uma montanha, o Monte Olimpo, e eram doze. O rei de todos eles era Zeus.
Havia também outros deuses, menores que os deuses do Olimpo, e que se chamavam titãs. Eram menores porque eram menos poderosos, mas mesmo assim eles queriam tomar o lugar dos deuses olímpicos.
Um desses titãs chamava-se Prometeu. Foi ele que, segundo os gregos, criou os homens, a partir do barro. Seu irmão Epimeteu havia criado todos os animais, dando a cada um deles um dom diferente: asas para as aves, força para os felinos, carapaças para as tartarugas, etc. No fim de tudo, não havia sobrado nada para o homem, então Epimeteu pediu ajuda para o irmão e ele resolveu roubar o fogo dos deuses do Olimpo, para ensinar aos homens a fazer tudo o que era possível com o fogo: trabalhar com os metais para fazer armas para caçar outros animais, cozinhá-los, e muito mais.
No entanto, o fogo era dos deuses e Zeus não gostou nada que Prometeu tivesse roubado o fogo. Por isso, Zeus o condenou a ser acorrentado no Monte Cáucaso, e a ter seu fígado comido todos os dias por um abutre. Como ele era imortal, o seu fígado voltava a crescer depois que a ave o comia, e no outro dia encontrava outro fígado inteiro para comer.
Mas Zeus, o rei dos deuses, ainda não estava contente. Para se vingar de Prometeu, Epimeteu e dos homens, que agora tinham o fogo, Zeus pensou em criar um presente tão atraente, mas tão atraente, que Epimeteu não poderia recusar. Prometeu, antes de partir para o seu castigo, havia avisado o irmão: “não aceite presente nenhum de Zeus, ele é traiçoeiro”.
Zeus pediu para todos os deuses para doar algum dom, alguma qualidade, que pudesse reunir em um só ser. Assim, Hefestos moldou sua forma a partir de argila, Afrodite deu-lhe beleza, Apolo deu-lhe talento musical, Deméter ensinou-lhe a colheita, Atena deu-lhe habilidade manual, Poseidon deu-lhe um colar de pérolas e a certeza de não se afogar, Hermes a capacidade de mentir e persuadir.
Esse ser tinha todos os dons dos deuses, por isso foi chamada de Pandora (do grego panta dora).
Zeus, com a ajuda dos deuses, havia criado a primeira mulher.
Epimeteu não resistiu e aceitou o presente. Mas, na bagagem de Pandora, havia uma caixa que Zeus havia enviado. Zeus havia dito a Pandora: “não abra essa caixa de jeito nenhum, ela é um presente para Epimeteu”.
Antes de entregar a caixa para o seu novo marido, Pandora não resistiu à curiosidade e a abriu… deixando escapar todos os males: a velhice, o trabalho, a doença, a loucura, a mentira, a paixão e a morte.
Ao perceber o que havia feito, Pandora fechou rapidamente a caixa, deixando preso o último mal: o mal que iria destruir a esperança.
Se ela não tivesse sido rápida o bastante, até mesmo a esperança teria sido destruída.
Algumas pessoas acham que esta história mostra que a mulher só trouxe desgraças para o mundo. Outras, porém, acham que o fato de Pandora ter libertado as coisas ruins para a humanidade deu a oportunidade para que nós, seres humanos, pudéssemos ter motivos para desenvolvermos nossas habilidades. Somente vencendo as dificuldades é que provamos nosso valor.
[Fonte: portaberta.net/educar]
- A imagem de Pandora é o símbolo da esperança que se encontra no ser humano, a despeito das frustrações e dos desapontamentos, da depressão e das perdas, que ainda tem forças para se agarrar ao sentido da vida e ao futuro que poderá superar a infelicidade do passado.
Pandora não representa apenas a convicção nos planos futuros, ou a solução dos problemas individuais, ela é um aprendizado de paciência, pois a esperança é uma tênue luz que brilha e nos guia, porém, não dissipa a escuridão da vida. A escuridão é algo profundo e misterioso, pois parece que transcende qualquer coisa que a vida nos ofereça, sob a formade catástrofe.
Este ângulo da esperança não tem nenhuma ligação com as expectativas programadas. Está na verdade ligado a este algo mais profundo dentro de nós que muitas vezes chamamos de força para viver e que – a despeito de ser uma experiência subjetiva, sem nenhum motivo aparente -quase sempre mostra a diferença entre a vida e a morte. Ela não surge de um ato da vontade, simplesmente aparece misteriosamente dentro de nós e nos leva a perceber o brilho suave de nossa luz e, então, nossa reação às dificuldades será radicalmente alterada.
CORPOS
ANDERSON CHRISTOFOLETTI
O sono transpõe a interface
Da luz com a sombra
E teu olhos – monocromáticos -
Fogem dentro da noite
Mergulhando num eclipse somático.
Meus desejos serpenteiam em tua pele-pétala
Invadindo domínios, subjugando defesas,
Devorando aquilo que meus olhos delineiam.
A obtusa face da sede
Se revela e se expressa
Frente à tua
Sublime poesia de fêmea.
Não há tempo consciente para a fome;
Não há limite plausível para o corpo que, outro corpo, devora;
Não há fronteira,
Nome,
Hora...
Identidades fragmentam-se na explosão
Dos sentidos, na revolução da carne.
A lua inclusa sob um negro céu
Escorre em seu halo crescente
E denuncia o grito corporal do gozo.
No silêncio mais expressivo dos seres,
O sono transpõe a interface da noite com a aurora
E nossos olhos comungam anseios saciados
Sob um eclipse etéreo e redentor.
©Anderson Christofoletti
Fonte: http://andersonchristofoletti.blogspot.com
UNS
RICARDO REIS
(heterônimo de Fernando Pessoa)
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
o dia, porque és ele.
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Gustavo Villas Boas
da Folha de São Paulo
Fonte:
folha uol com br
SÓCRATES – Figura-te agora o estado da natureza humana, em relação à ciência e à ignorância, sob a forma alegórica que passo a fazer. Imagina os homens encerrados em morada subterrânea e cavernosa que dá entrada livre à luz em toda extensão. Aí, desde a infância, têm os homens o pescoço e as pernas presos de modo que permanecem imóveis e só vêem os objetos que lhes estão diante. Presos pelas cadeias, não podem voltar o rosto. Atrás deles, a certa distância e altura, um fogo cuja luz os alumia; entre o fogo e os cativos imagina um caminho escarpado, ao longo do qual um pequeno muro parecido com os tabiques que os pelotiqueiros põem entre si e os espectadores para ocultar-lhes as molas dos bonecos maravilhosos que lhes exibem.
GLAUCO - Imagino tudo isso.
SÓCRATES - Supõe ainda homens que passam ao longo deste muro, com figuras e objetos que se elevam acima dele, figuras de homens e animais de toda a espécie, talhados em pedra ou madeira. Entre os que carregam tais objetos, uns se entretêm em conversa, outros guardam em silêncio.
GLAUCO - Similar quadro e não menos singulares cativos!
SÓCRATES - Pois são nossa imagem perfeita. Mas, dize-me: assim colocados, poderão ver de si mesmos e de seus companheiros algo mais que as sombras projetadas, à claridade do fogo, na parede que lhes fica fronteira?
GLAUCO - Não, uma vez que são forçados a ter imóveis a cabeça durante toda a vida.
SÓCRATES - E dos objetos que lhes ficam por detrás, poderão ver outra coisa que não as sombras?
GLAUCO - Não.
SÓCRATES - Ora, supondo-se que pudessem conversar, não te parece que, ao falar das sombras que vêem, lhes dariam os nomes que elas representam?
GLAUCO - Sem dúvida.
SÓRATES - E, se, no fundo da caverna, um eco lhes repetisse as palavras dos que passam, não julgariam certo que os sons fossem articulados pelas sombras dos objetos?
GLAUCO - Claro que sim.
SÓCRATES - Em suma, não creriam que houvesse nada de real e verdadeiro fora das figuras que desfilaram.
GLAUCO - Necessariamente.
SÓCRATES - Vejamos agora o que aconteceria, se se livrassem a um tempo das cadeias e do erro em que laboravam. Imaginemos um destes cativos desatado, obrigado a levantar-se de repente, a volver a cabeça, a andar, a olhar firmemente para a luz. Não poderia fazer tudo isso sem grande pena; a luz, sobre ser-lhe dolorosa, o deslumbraria, impedindo-lhe de discernir os objetos cuja sombra antes via.
Que te parece agora que ele responderia a quem lhe dissesse que até então só havia visto fantasmas, porém que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, via com mais perfeição? Supõe agora que, apontando-lhe alguém as figuras que lhe desfilavam ante os olhos, o obrigasse a dizer o que eram. Não te parece que, na sua grande confusão, se persuadiria de que o que antes via era mais real e verdadeiro que os objetos ora contemplados?
GLAUCO - Sem dúvida nenhuma.
SÓCRATES - Obrigado a fitar o fogo, não desviaria os olhos doloridos para as sombras que poderia ver sem dor? Não as consideraria realmente mais visíveis que os objetos ora mostrados?
GLAUCO - Certamente.
SÓCRATES - Se o tirassem depois dali, fazendo-o subir pelo caminho áspero e escarpado, para só o liberar quando estivesse lá fora, à plena luz do sol, não é de crer que daria gritos lamentosos e brados de cólera? Chegando à luz do dia, olhos deslumbrados pelo esplendor ambiente, ser-lhe ia possível discernir os objetos que o comum dos homens tem por serem reais?
GLAUCO - A princípio nada veria.
SÓCRATES - Precisaria de algum tempo para se afazer à claridade da região superior. Primeiramente, só discerniria bem as sombras, depois, as imagens dos homens e outros seres refletidos nas águas; finalmente erguendo os olhos para a lua e as estrelas, contemplaria mais facilmente os astros da noite que o pleno resplendor do dia.
GLAUCO - Não há dúvida.
SÓCRATES - Mas, ao cabo de tudo, estaria, decerto, em estado de ver o próprio sol, primeiro refletido na água e nos outros objetos, depois visto em si mesmo e no seu próprio lugar, tal qual é.
GLAUCO - Fora de dúvida.
SÓCRATES - Refletindo depois sobre a natureza deste astro, compreenderia que é o que produz as estações e o ano, o que tudo governa no mundo visível e, de certo modo, a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna.
GLAUCO - É claro que gradualmente chegaria a todas essas conclusões.
SÓCRATES - Recordando-se então de sua primeira morada, de seus companheiros de escravidão e da idéia que lá se tinha da sabedoria, não se daria os parabéns pela mudança sofrida, lamentando ao mesmo tempo a sorte dos que lá ficaram?
GLAUCO - Evidentemente.
SÓCRATES - Se na caverna houvesse elogios, honras e recompensas para quem melhor e mais prontamente distinguisse a sombra dos objetos, que se recordasse com mais precisão dos que precediam, seguiam ou marchavam juntos, sendo, por isso mesmo, o mais hábil em lhes predizer a aparição, cuidas que o homem de que falamos tivesse inveja dos que no cativeiro eram os mais poderosos e honrados? Não preferiria mil vezes, como o herói de Homero, levar a vida de um pobre lavrador e sofrer tudo no mundo a voltar às primeiras ilusões e viver a vida que antes vivia?
GLAUCO - Não há dúvida de que suportaria toda a espécie de sofrimentos de preferência a viver da maneira antiga.
SÓCRATES - Atenção ainda para este ponto. Supõe que nosso homem volte ainda para a caverna e vá assentar-se em seu primitivo lugar. Nesta passagem súbita da pura luz à obscuridade, não lhe ficariam os olhos como submersos em trevas?
GLAUCO - Certamente.
SÓCRATES - Se, enquanto tivesse a vista confusa -- porque bastante tempo se passaria antes que os olhos se afizessem de novo à obscuridade -- tivesse ele de dar opinião sobre as sombras e a este respeito entrasse em discussão com os companheiros ainda presos em cadeias, não é certo que os faria rir? Não lhe diriam que, por ter subido à região superior, cegara, que não valera a pena o esforço, e que assim, se alguém quisesse fazer com eles o mesmo e dar-lhes a liberdade, mereceria ser agarrado e morto?
GLAUCO - Por certo que o fariam.
SÓCRATES - Pois agora, meu caro GLAUCO, é só aplicar com toda a exatidão esta imagem da caverna a tudo o que antes havíamos dito. O antro subterrâneo é o mundo visível. O fogo que o ilumina é a luz do sol. O cativo que sobe à região superior e a contempla é a alma que se eleva ao mundo inteligível. Ou, antes, já que o queres saber, é este, pelo menos, o meu modo de pensar, que só Deus sabe se é verdadeiro. Quanto à mim, a coisa é como passo a dizer-te. Nos extremos limites do mundo inteligível está a idéia do bem, a qual só com muito esforço se pode conhecer, mas que, conhecida, se impõe à razão como causa universal de tudo o que é belo e bom, criadora da luz e do sol no mundo visível, autora da inteligência e da verdade no mundo invisível, e sobre a qual, por isso mesmo, cumpre ter os olhos fixos para agir com sabedoria nos negócios particulares e públicos.
Extraído de "A República" de Platão . 6° ed. Ed. Atena, 1956, p. 287-291
ORAÇÃO
FERNANDO PESSOA
Senhor, que és o Céu e a Terra,
e que és a Vida e a Morte!
O Sol és Tu e a Lua és Tu e o Vento és Tu também!
Onde nada está Tu habitas e onde tudo está é o Teu templo.
Eis o Teu Corpo!
Dá-me vida para Te servir e alma para Te amar.
Dá-me vista para Te ver sempre no Céu e na Terra,
ouvidos para Te ouvir no Vento e no Mar,
e mãos para trabalhar em Teu nome."
Torna-me puro como a água e alto como o céu.
Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos,
Nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos.
Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos, e,
Te Servir como a um Pai.
Minha vida seja digna da Tua presença.
Meu corpo seja digno da Terra, Tua cama.
Minha alma possa aparecer diante de Ti,
Como um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o Sol,
Para que eu Te possa adorar em mim;
E, torna-me puro como a Lua,
Para que eu Te possa rezar em mim;
E torna-me claro como o dia para que,
Eu Te possa ver sempre em mim.
Senhor, protege-me e ampara-me.
Dá-me que eu me sinta Teu.
Senhor, livra-me de mim.
Com o enredo "Estrelas em poesia! Livros de contos, crônicas e fantasias... Mocidade apresenta: Clube Literário Machado de Assis", a Mocidade Independente de Padre Miguel entra na avenida no domingo de carnaval (22 de Fevereiro), homenageando Machado de Assis e Guimarães Rosa.
Capitu e Riobaldo, Diadorim e Bentinho, todos juntos numa homenagem a dois grandes escritores brasileiros.
"O gancho que une esses dois escritores é o ano de morte de Machado, 1908, que coincide com o nascimento de Guimarães Rosa. Por isso, retratamos a obra de ambos no nosso desfile". A Marquês de Sapucaí vai se transformar em verso e prosa", promete o carnavalesco Cláudio Cavalcante, o Cebola.
Entre as atrações que a verde-e-branca prepara em seu desfile, está a apresentação do grupo de teatro Nós no Morro, que encenará o espetáculo "Machado 3 X 4" na segunda alegoria, que retrata a vida do autor de "Dom Casmurro". Capitu, sua célebre personagem, será representada no desfile, segundo o carnavalesco, pela atriz Maria Fernanda Cândido, que já a incorporou na minissérie homônima, exibida em dezembro passado. Já o ator Stepan Nercessian viverá Guimarães Rosa.
A Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada por Machado de Assis, será lembrada numa grande alegoria que reproduzirá a fachada do prédio. A comissão de frente, coordenada pelo coreógrafo Fábio de Mello, também se inspira nos grandes acadêmicos. Os integrantes, devidamente paramentados de literatos imortais, tomarão o famoso chá das cinco em plena Marquês de Sapucaí.
"Durante esse chá, muita coisa vai acontecer. Vários personagens vão surgir", adianta o carnavalesco.
Fonte:
http://g1.globo.com/Carnaval2009
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