quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Gwen_Peine_Toomalatai_gate_beautiful
                                                          Gwen Peine


CANÇÃO DA ESTRELA MURMURANTE
Lya Luft

Nós nos amaremos docemente...
nesta luz, neste encanto, neste medo;
nós nos amaremos livremente

nos dias marcados pelos deuses;

nós nos amaremos com verdade

porque estas almas já se conheciam;
nós nos amaremos para sempre

em ilhas de invenção e realidade.

Nós nos amaremos lindamente...
nós nos amaremos como poucos.
Nós nos amaremos

no teu tempo!

domingo, 9 de agosto de 2009


PAI
Comp.: Fábio Jr
Interp.: Claudia Diniz e Marcelo

Pai
Pode ser que daqui algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez

Pai
Pode ser que dai você sinta
Qualquer coisa entre esses 20 ou 30
Longos anos em busca de paz

Pai
Pode crer eu vou bem eu tô indo
Tô tentando vivendo e pedindo
Com loucura pra você renascer

Pai
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Pra falar de amor pra você

Pai
Senta aqui que o jantar tá mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensina esse jogo da vida
Onde vida só paga pra ver

Pai
Me perdoa essa insegurança
É que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos seus braços você fez segredo
Nos seus passos você foi mais eu, eu, eu

Pai
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
E pedir pra você ir lá em casa
E brincar com vovô com meu filho
No tapete da sala de estar

Pai
Você foi meu herói, meu bandido
Hoje é mais muito mais que um amigo
Nem você, nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz

Pai
Paz

AS MÃOS DO MEU PAI
Mário Quintana

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...

Música: Pai
Intérprete: Fábio Jr.
Composição: Fábio Jr.

Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...

Salvador_Dali
                                                     Salvador Dali

O TEMPO

Laurindo Rabelo


Deus pede estrita conta do meu tempo,
é forçoso do tempo já dar conta;
mas como dar sem tempo tanta conta,
eu que gastei sem conta tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo,
dado me foi bem tempo e não foi conta.
Não quis sobrando tempo fazer conta,
quero hoje fazer conta e falta tempo.

Oh! vós que tendes tempo sem ter conta,
não gasteis esse tempo em passatempo:
cuidai enquanto é tempo em fazer conta.

Mas, oh! Se os que contam com seu tempo
fizessem desse tempo alguma conta,
não choravam como eu o não ter tempo.
terça-feira, 4 de agosto de 2009

barrinharosa
"Poeta, não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso."
Cora Coralina

barrinharosa

Música: Corcovado
Composição: Tom Jobim
Interp.: Charlie Byrd

Baixar áudio >> AQUI

… Ela acaba quando nosso corpo e alma se vão ou quando tristemente deixamos de sonhar

marinasilva_pequenosmundos                                     Foto: Marina Silva (pequenos mundos)


A MENINA E OS POTES DE SONHOS
Norma Santi

Era uma vez uma menina que habitava o corpo de uma mulher. Mas de tempos em tempos a menina se sentia cansada. Parecia-lhe mesmo que o mundo andava às avessas. Como menina, cultivava seus sonhos, colocava-os empilhados em pequenos potes. Acreditava que assim poderia abri-los e que a cada dia o mundo se revestiria de poderes mágicos e transformaria seus sonhos mais secretos em realidade. Um mundo assim seria uma sucessão de desejos e encantamentos. O dia só poderia começar e acabar por uma força superior interessada em realizar seus pequenos caprichos de menina.

Mas os dias passaram indiferentes à sua vontade e duramente lhes ensinaram que a vida depende do que é concretizado pelo esforço das próprias mãos. Descobriu que o dia começa e termina com o sol e que ele brilha para todos. Ou ao menos deveria ser assim. Em seu pequeno mundo eram tantas as tarefas diárias que se esquecia de ver o sol despertar e adormecer. Esqueceu de ver que desabrochara a flor que outrora plantou. Seus potes de sonhos ficaram num canto qualquer da casa em que habitavam seus desejos. Fechados juntavam os pós dos dias. As marcas do tempo. Aguardavam pacientemente que terminassem as tribulações da menina. Assim como a menina, os sonhos são imortais. Existe uma menina infinitamente em cada mulher. E é e nela que se encontram os sonhos. Mesmo quando adormecidos.

Um belo dia a mulher em que mora a menina, resolveu fazer uma faxina na alma. Colocou sobre a prateleira da vida cada um de seus potes de sonhos. Verificou o prazo de validade. Observou-os atentamente. Aprendera a não consumir nada que já estivesse vencido. Surpreendeu-se com o fato de os sonhos não serem tão práticos assim. Não havia neles prazo de validade. Tão pouco datas de fabricação.

Agora não tinha outro jeito. Só saberia se abrisse os potes. A sua experiência lhe diria os que ainda poderiam ser consumidos. Abriu o primeiro. O sonho se revelou algo familiar. Viu nascer um menino. E o menino dormia tranquilamente sobre sua barriga. Abriu o segundo e uma menininha lhe sorriu. Percebeu que por ali havia passado o condão mágico dos tempos. Os potes guardavam as memórias dos sonhos que haviam se realizado. Compreendeu que mãos e sonhos andam juntos. Havia potes vazios e concluiu que deveriam pertencer aos sonhos que tinham se perdido. Havia os que lhe causavam estranheza.

Jogou fora os potes vazios. Guardou com carinho os que traziam dentro de si as mais ricas lembranças. E bem pertinho dos olhos deixou os carregados de mistério. Sorriu. Sabia que esses poderiam se transformar em potes de lembranças ou se esvaziar de sentido. Resolveu alimentá-los. Os sonhos se alimentam do brilho de nosso olhar. Eles são a nossa esperança. É por isso que se diz que a esperança é a última que morre. Ela acaba quando nosso corpo e alma se vão ou quando tristemente deixamos de sonhar.

Fonte: normasanti.blogspot.com

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