quinta-feira, 30 de julho de 2009

 

TRADUZIR-SE
Poesia de Ferreira Gullar
Música de Fagner
Interpretação de Adriana Calcanhoto

Uma parte de mim é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

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