domingo, 13 de março de 2011

COM LICENÇA POÉTICA
ADÉLIA PRADO

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

barrinha_4

Voz de Ana Cristina
Do CD Poemas Musicados (2003)

Mais de Adélia Prado >> AQUI

0 comentários:

Related Posts with Thumbnails

Poética

Poesias

Poetas

Vídeos

A Voz aqui

Pergunte-me

Me leva!

A Poética dos Amigos

Google+

Feed

Posts Coments

Receber postagens por E-mail

Perdi todos :'(

Arquivos